Meu Encontro com Nelson Mandela.

Depois de décadas afastada do Movimento Olímpico em virtude do apartheid, a África do Sul voltou ao cenário esportivo mundial nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1.992.

Minha viagem a Barcelona, para assistir àquela Olímpiada foi via Londres. Voei de São Paulo para Londres e de lá peguei a conexão para Barcelona. Quando entrei no avião que faria o voo de Barcelona a Londres e sentei na minha poltrona, ví, imediatamente, que apenas duas fileiras à minha frente estava acomodado Nelson Mandela. Não sou uma pessoa que “tem ídolos”. “Ter ídolos” é um cliche, um chavão, um lugar comum com o qual não flerto. Há, sim, pessoas que admiro, famosas, ou não, personalidades que tenho como referências. E Nelson Mandela é, acho, a maior delas.

Sempre achei que Nelson Mandela representa o que de mais importante o Movimento Olímpico e o esporte podem proporcionar: a união dos povos. Mandela passou quase trinta anos preso por um regime cruel. Ao sair da prisão, Mandela era o maior líder sulafricano. Naquele momento, se quisesse, Mandela poderia ter conduzido seu povo a reagir com violência contra os governantes que, durante muitos anos, impuseram a prática nefastas do racismo. Os anos de cárcere poderiam ter transformado Nelson Mandela em uma pessoa revoltada e vingativa. Entretanto, livre, Mandela fez justamente o contrário. Usou sua indiscutível liderança para, com equilíbrio e serenidade, promover o discurso da pacificação, união, e entendimento, de forma que a África do Sul tivesse uma transição tranquila para a democracia. Atitude Olímpica de Mandela. Sua capacidade de superar qualquer sentimento de ódio com relação aos seus algozes e ser um artíficie da paz o faz um verdadeiro Olímpico.

Durante o voo de Londres a Barcelona, não desgrudei os olhos de Mandela. Quando chegamos em Barcelona, na porta do finger estava Juan Antonio Samaranch, esperando por Mandela, convidado especial do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Por sorte e para minha maior felicidade, fiquei hospedado no mesmo hotel de Mandela, destinado aos membros do COI, chefes de Estado e outros dignatários. Isso me deu a chance de ver Mandela de perto várias vezes, no lobby, no restaurante, no elevador e andando pelas dependências do hotel.

Não tive coragem de aborda-lo, pedir um autógrafo, uma fotografia. Mas ficava extremante satisfeito em cada momento que o via de perto. Nelson Mandela, acima de tudo um líder pacificador, sempre foi para mim um exemplo de “Olimpiônico”. Lembremos que, como preconiza a Carta Olímpica, Olimpismo é uma filosofia de vida.

Categorias olimpismo

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