Não Se Trata Apenas de “Boicotar a Copa América”.

Já me manifestei neste espaço que sou contra a realização da Copa América no Brasil. Veja alguns posts abaixo. Ainda que não seja pela ótica das condições sanitárias que a pandemia nos impõe, realizar Copa América e torneios afins é celebrar. E não é momento para comemorações no país. Temos quase meio milhão de mortos e outras tantas vidas sob constante ameaça.

A decisão dos jogadores de, eventualmente, desistirem de jogar a Copa América vai muito além que uma questão pontual que, não obstante seja relevante, não é isolada. A administração do futebol nacional vem há décadas funcionando aos trancos e barrancos, assim como a da Conmebol. O futebol brasileiro e sulamericano vem perdendo credibilidade junto aos fãs a cada ano que passa, como decorrência de administrações desastradas que levaram dirigentes à prisão e outros que não podem viajar sob pena de irem também para atrás das grades.

Como resultado desses ardis, a seleção brasileira vem perdendo identificação com o torcedor e tornando-se algo cada vez mais desinteressante, sempre envolta em suspeitas de que nada alí é transparente o suficiente para acreditarmos nas informações oficiais. Enquanto outras modalidades vêm se modernizando, o futebol parece ter ficado estagnado no tempo, cuja imagem retórica assemelha-se a uma estátua de sal pronta para ser engolida por uma onda. A CBF não tem, apenas para citar um exemplo, comissão de atletas. A justificativa de não receber dinheiro público para não se renovar é inaceitável. A CBF deveria arejar seus estautos, tornar transparentes seus contratos com patrocinadores privados (como na época do presidente Giulite Coutinho), criar a comissão de atletas, dar voto a eles e, ainda, promover mudanças estruturais profundas na administração do futebol, desde a base até o altíssimo rendimento. O campeonato brasileiro seria muito melhor se organizado por uma liga independente dos clubes, como ocorre nos países desenvolvidos.

A recusa em jogar a Copa América é, portanto, algo que poderá ter um significado bem mais amplo do que protestar contra as condições sanitárias precárias que enfrenta o Brasil. Poderá ser o início de uma revolução profunda, uma renovação necessária, nos conceitos que norteiam a administração do futebol nacional e sulamericano.

Categorias olimpismo

Um comentário em “Não Se Trata Apenas de “Boicotar a Copa América”.

  1. Fabio Augusto Moreira junho 4, 2021 — 3:06 pm

    Infelizmente, TUDO NÃO PASSA DE POLITIZAÇÃO, NADA ALÉM DISSO. Não existe outro motivo, a não ser POLÍTICA! Não há qualquer ATO NOBRE, APENAS POLÍTICA!!

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