O “Paraíso Fiscal” de Saquarema.

Há muitos anos ouvi da boca de um integrante do Banco do Brasil, durante uns Jogos Olímpicos, a seguinte frase, referindo-se ao patrocínio dado à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV):

” Nós sabemos que somos roubados. Mas ainda assim vale o patrocínio. Rejuvenesceu a imagem do banco”.

Na época o sujeito referia-se às questões relativas a contratos de direito de televisão. O jornalista José Cruz também denunciou em sua coluna no UOL que em 1.995 a CBV havia recebido do Banco do Brasil (dinheiro público) cerca de US$ 3.5 Milhões para realizar trinta e quatro etapas do circuito do volei de praia masculino e feminino. Foram feitas apenas quatorze de cada. E o dinheiro que deveria ter sobrado nunca foi devolvido ao banco. O assunto foi parar no Tribunal de Contas da União (TCU). Não deu em nada. A decisão no TCU é a 855/1997. Quem quiser entender porquê, leia neste link:

Sistema de corrupção favorece os poderosos do esporte brasileiro

O jornalista Lúcio de Castro, da ESPN Brasil publicou o Dossiê Vôlei, esquadrinhando o modus operandi da administração da modalidade. Leia a matéria no link:

http://www.espn.com.br/noticia/391752_dossie-volei-processos-mostram-privilegios-em-negocios-com-empresas-de-ex-dirigentes-da-cbv

Vale sempre recordar que a CBV tem o mesmo grupo político no poder há 46 anos, quando Carlos Nuzman (preso na operação Unfair Play e defenestrado do esporte para sempre). Nem as capitanias hereditárias da época do Império duravam tanto tempo nas mãos de uma mesma família. Portanto, é natural que, com a falta de arejamento, a visita que a Polícia do Rio de Janeiro fez nesta manhã à sede da CBV e na residência de alguns dirigentes não cause nenhuma surpresa.

A CBV fez de Saquarema o seu próprio “Paraíso Fiscal”, até então impunimente, como se pudesse estar acima do bem e do mal, vivendo em um mundo paralelo.

A operação policial de hoje contra a Confederação Brasileira de Vôlei é mais uma cortada, cuja bola atinge em cheio a cara da modalidade que, se tivesse outros dirigentes, seria muito mais vitoriosa.

Eu defendo a ética no esporte e me orgulho de, com meus competentes Colegas de Conselho, ter trabalhado e posto em prática o primeiro Código de Conduta Ética do esporte no país, que foi o do Comitê Olímpico do Brasil (COB). É um documento histórico. Assim como dou inestimável valor à honra que me foi concedida de ter sido o primeiro presidente do Conselho de Ética do COB.

O processo investigativo das mazelas do esporte sempre me fascinou. Ao longo de muitos anos, seja por minhas próprias pesquisas (inclusive fora do Brasil), seja por meio de fontes que confiam em mim, reuni, talvez, o maior acervo documental de mal feitos no esporte nas últimas décadas. Em respeito a essas fontes, não os revelo. Apenas as utilizei, ainda assim em caráter sigiloso, em momentos cruciais do esporte nacional.

Seguimos trabalhando pela ética no esporte e levando adiante o pensamento Olímpico.

Categorias olimpismo

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