Seguindo Adiante.

Este Blog foi criado em outubro de 2.008, logo após meu retorno dos Jogos Olímpicos de Pequim. Àquela altura eu já era membro eleito da Assembleia Geral do Comitê Olímpico Brasileiro há doze anos. Atuava, também, como árbitro da Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça. Decidi que iria colocar na rede várias ideias que fizeram parte de minha formação esportiva, para contribuir com a modernização e o arejamento dos conceitos que presidiam o Movimento Olímpico no Brasil.

O Blog teve, rapidamente, enorme repercussão, muito maior do que eu poderia imaginar. A razão para isso era que, em muitos anos, pela primeira vez alguém se dispunha a sair da zona de corforto e expor as entranhas do nosso olimpismo. Alguns de meus textos foram objeto de discussão e provas em escolas do Brasil, no ensino médio. Um texto específico foi objeto de uma questão do Enen.

Por conta desse trabalho, tive vários convites para palestras, debates, programas de televisão e entrevistas com jornalistas que eu sempre admirei. Foi marcante para mim a participação na sessão da Comissão de Educação e Esporte, no Senado Federal, a convite do Senador Cristóvão Buarque e transmitida ao vivo em cadeia nacional.

Ajudei, com enorme prazer, com informações relevantes, a desbaratar uma organização criminosa que culminou com a prisão e renúncia de Carlos Nuzman e de outras pessoas que bebiam da mesma fonte. Não esmoreci em instante algum e na medida em que o tempo passava, enquanto ele parecia intocável, mais certeza eu tinha que, passados os Jogos Olímpicos do Rio 2016, o fim dele estaria próximo. Tanto que, na manhã de sua prisão, não me surpreendi.

Muitas das ideias que defendi ao longo dos anos acabaram por ser incorporadas na Lei Pelé e em Portarias do Ministério do Esporte, sobretudo aquelas que tratavam de governança e transparência.

Durante todos esses anos em que era praticamente uma voz pública isolada contra os despautérios do esporte, conheci muita gente competente, com visão moderna do esporte, de quem me aproximei e das quais, até hoje, prezo a amizade.

O COB passou por transformações profundas e positivas. Fui eleito para o Conselho de Ética, com votação muito expressiva e com larga margem de diferença. Foi motivo de muita honra e emoção. Fiquei extremamente agradecido com a enorme votação que recebi. Nos quase dois anos que presidi o Conselho de Ética, procurei mantê-lo em sua posição habitual de destaque, pelo equilíbrio, serenidade e agilidade de nossas posições. Com meus Pares Conselheiros, editamos o primeiro Código de Conduta Ética do Olimpismo Brasileiro, em 05 de junho de 2.018. É um documento histórico e um divisor de águas na história da transparência do esporte brasileiro.

Por meio de um golpe muito baixo, nada olímpico (como bem descreveu o jornalista José Cruz em texto que guardo com muito carinho), não pude ir até o final na eleição para a presidência do COB. De qualquer forma, a minha participação no processo eleitoral me permitiu realizar o documento que chamei de AGENDA POSITIVA. Pela primeira vez na história alguém se propôs a elaborar um projeto amplo e debatê-lo democraticamente com a sociedade. É um documento atemporal e acho que foi um importante legado de minha campanha. Não pude participar dos debates, mas vibrei com a democracia que o COB vivenciou. As eleições com três candidatos foi muito boa para mostrar que o Movimento Olímpico no Brasil estava revivendo. Foi um pleito tranquilo. Sei que contribui para que, depois de 41 anos, o COB voltasse a ter debates públicos de alto nível.

O ardil desferido abaixo da minha linha da cintura talvez tenha me abalado por cinco minutos, nada além disso. Quem saiu machucado não fui eu, mas o golpeador, pois as pessoas sempre souberam quem era quem naquele cenário. E em instante algum hesitei em seguir trabalhando pelo esporte, o que faço desde os meus tempos de atleta. Ou até mesmo antes disso. De lá para cá recebi inúmeros convites para integrar diversas organizações e ocupar cargos na área esportiva. Recusei todos eles. Ainda não é hora para isso. Mas não deixei de expressar minhas opiniões, seja para elogiar, ou criticar, sempre de forma respeitosa e oferecendo soluções.

Pela primeira vez não irei aos Jogos Olímpicos. Serão Jogos atípicos, que ninguém sabe ao certo o que irá acontecer. Observo atentamente os esforços do COB e dos nossos atletas para que nossa delegação receba as melhores condições de disputa. Conheço bem as dificuldades que envolvem enviar uma delegação numerosa a Missões esportivas internacionais. Para Tokyo, essas dificuldades estão sendo bem maiores. Ao final as coisas darão certo e o Time Brasil estará em sua melhor forma.

Enquanto isso, vou trabalhando, sempre, pela manutenção e aperfeiçoamento da ética no esporte.

Categorias olimpismo

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