Mais Sobre A Super Liga Europeia De Futebol.


por Alberto Murray.


Já faz tempo que, um belo dia, estafados de estarem sob o canga da FIBA e da Federação Europeia, as dezesseis equipes mais fortes do basquete europeu resolveram sair do stablishment. Fundaram a Liga Europeia de Basquete (Euroleague). Quem acompanha o esporte além das quatro linhas do futebol seguramente sabe que, na época, muita gente protestou. A FIBA fez ameaças. Criou, inclusive, uma Super Champions Basketball League para concorrer com nova recém criada. Os dezesseis clubes “rebeldes” deram de ombros. Seguiram adiante com seu novo projeto.


Quem gosta de basquete sabe o que aconteceu. As ameaças da FIBA deram em nada. A então nova Liga de Basquete cresceu e se desenvolveu de forma muito consistente, angariou muitos patrocínios e passou a contar com excelentes jogadores de todo mundo (inclusive brasileiros). Hoje, depois da NBA, essa Liga Europeia de Basquete, que nasceu sob críticas e ameaças, só fica atrás da NBA em importância, patrocínio, público e mídia. A FIBA teve que recuar e aceita-la, aliás, reverencia-la. O mundo do basquete glorifica essa Liga.

Pelo visto, o futebol da Europa segue o mesmo caminho. Não se trata de ser contra, ou a favor da criação da Super Liga Europeia de Futebol. A questão é que no mundo democrático a liberdade de empreender e o direito de livre associação são pilares da Constituição.  Os clubes que criaram essa nova Liga de futebol são, na verdade, empresas de capital estrangeiro, muitos deles com ações em bolsa. Como qualquer empresa elas objetivam lucro. E vão buscar o modelo que lhes proporcione mais dividendos. E quanto mais rentáveis essas empresas forem, mais empregos (diretos e indiretos) serão gerados e mais tributos serão pagos. Movimentará a economia, a imprensa cobrirá e os expectadores assistirão.


Há cerca de dois anos o presidente da FIFA ameaçou fazer um mundial de clubes. Quando questionado sobre a origem dos recursos ele disse que viriam de um banco de uma dessas ex republiquetas soviéticas. Uma instituição financeira sem histórico, cujo dono não se sabia ao certo quem era, que tinha toda pinta de lavagem de dinheiro. O mundial do Infantino desceu pelo ralo e ficou o dito pelo não dito.


A “rebelde” e novíssima Super Liga Europeia de Futebol tem o investimento oficial do JP Morgan, o maior banco do mundo, que vai colocar no negócio USD 4 Bilhões. Ou seja, inicia com força.


Como democrata, respeito e ouço todas as opiniões.  Os argumentos contrário à Super Liga que lí ao longo do dia me pareceram mais rompantes de paixão, do que práticos, objetivos e racionais. Lí expressões  como “clube de riquinhos”, “o futebol é patrimônio cultural da humanidade”, “o esporte não cumprirá sua função social”, “desrespeito com os mais pobres”. Acho argumentos etéreos. Ouvi, inclusive, alguém dizendo que “o futebol inglês não pertence mais aos ingleses”, o que me soou como algo antiquado e xenófobo em um mundo sem fronteiras.

O esporte (inclusive e principalmente o futebol) continuará, sim, cumprindo sua função social na Europa. Não cabe a essas empresas de futebol, que são o esporte de altíssimo rendimento (um negócio), massificar e organizar o futebol da base. Democratizar o esporte, fazê-lo chegar a todos os cidadãos é algo que cabe ao Estado, atuando em conjunto com outras entidades, coisa que a Europa sabe fazer muito bem. Hoje, a base do futebol Europeu está muito mais consolidada que no Brasil. A França, por exemplo, campeã do mundo na Copa de 2018, tem um futebol de base extremamente organizado. A Federação Francesa de Futebol organiza com competência todas as categorias, desde os mais jovens, passando pelas Ligas amadoras até chegar ao profissional. Isso não acabará na Europa. Ao contrário, será mantido e aperfeiçoado, inclusive nos países cujos clubes/empresas formaram essa nova Super Liga. 

É natural que quando surgem coisas novas, quando alguém se rebela para sair do jugo de outro, haja uma resistência inicial natural. O ser humano tende a ser conservador. 


A Euroleague de basquete segue cada vez mais forte, mais lucrativa, gerando muitos empregos, pagando tributos, com seus dezesseis clubes. A chiadeira de anos atrás em pouco tempo acabou.


Vamos observar se essa nova empreitada (um novo negócio feito por empresas de capital multinacional) no futebol também dará certo. 

Categorias olimpismo

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