Nuzman Nunca Ganhou Uma Eleição.

Carlos Nuzman nunca foi levado muito a sério no Comitê Olímpico Internacional (COI). Era tido como bajulador, puxa saco, interesseiro e capaz de fazer qualquer coisa para se tornar membro da entidade. Ele não media esforços para ser ridículo. As pessoas notavam isso e ele era razão de chacota nas conversas entre os membros. Eu presenciei inúmeras, assim como o ví fazendo papel de bocó de mola em diversas situações. Quem acompanhou de perto a campanha da candidatura Rio 2016 sabe que Nuzman foi uma figura menor no processo. João Havelange foi, sim, o principal articulador da campanha. E, claro, o apoio substancial do empresário Rei Athur e sua turma de amigos, sem os quais nada teria acontecido.

Nuzman nunca venceu nenhuma eleição em que concorreu com alguém. Perdeu a única eleição para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em que enfrentou um candidato. Foi em 1.979. Nuzman foi candidato ao Comitê Executivo do COI por duas vezes. Os membros do COI lhe impingiram fragorosa derrota. Em outras ocasiões, Nuzman tentou articular novamente a candidatura ao Comitê Executivo do COI e não teve apoio sequer para lança-la.

Já nos extertores de sua carreira, pouco antes de ser desnudado e preso, Nuzman tentou uma última cartada. Foi candidato a presidente da Organização Desportica Panamericana (ODEPA). Foi o menos votado e eliminado da disputa logo na primeira rodada de votação.

Nesse meio tempo, durante anos, Nuzman sonhava em ser presidente da Federação Internacional de Vôlei. Ensaiava articular sua candidatura e era sempre sufocado pelo mexicano Ruben Acosta.

Ou seja, sempre que Nuzman teve que enfretar alguém no voto, perdeu. Suas seguidas reeleições na Confederação Brasileira de Vôlei e, posteriormente, no COB, se deram porque os estatutos anacrônicos em que ele dificultava ao máximo candidaturas de oposição. Só assim ele era capaz de permanecer no cargo.

Nuzman é um derrotado. A consagração dessa verdade é a forma como encerrou sua carreira esportiva, levado pelas mãos da Polícia Federal para o presídio de Bangu. É essa a imagem final de Nuzman, com a qual ele se eternizou na história.

Defendo, sempre, a ética no esportes.

Categorias olimpismo

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