Vamos Falar Mais Sobre O “Legado Olímpico”.

Em 31 de março passado escrevi um texto neste Blog em que esquadrinhei, de maneira muito detalhada, os bilhões de Reais que jorraram dos cofres públicos para realizar os Jogos Olímpicos do Rio 2016. Listei, item a item, quais eram as obrigações das contrapartidas, que deveriam ter sido o legado, que nunca aconteceram. O texto teve enorme repercussão. Agradeço aos leitores e a todos que me enviaram mensagens. Espero que aquele texto possa auxiliar o Ministério Público Federal, que segue investigando o “legado olímpico”. Tudo que escrevi está baseado em documentos oficiais do Ministério do Esporte e outros órgãos. Nunca li qualquer relato que tenha apontado com tantos detalhes, item a item, o dinheiro correndo solto, a falta de controle e a desídia com a obrigação do legado. Recebi mensagens inclusive do exterior, aonde o artigo também repercutiu.

Vamos voltar ao tema do “legado”.

Em 02 de maio de 2.019, o dileto amigo e mestre, Jornalista José Cruz escreveu notável artigo em que discorria sobre o “Relatório Sistêmico de Fiscalização do Desporto e Lazer”, elaborado pelo Tribunal de Contas da União, em 2.016. Antes dos Jogos Olímpicos, estive no TCU a convite de alguns ministros e técnicos, para proferir uma conferência sobre os gargalos da corrupção na preparação dos Jogos Olímpicos. Foi uma conversa muito produtiva. Sempre defendi que o TCU tem excelente corpo técnico.

Pois esse “Relatório Sistêmico de Fiscalização do Desporto e Lazer”, parafraseando o José Cruz, “é um documento precioso na fragilidade da literatura esportiva brasileira”. Quem puder, leia o documento. Acredito que ainda deva estar disponível no website do TCU. Ou basta solicitar ao órgão, que eles o disponibilizam. É um libelo público. Esse Relatório do TCU indica claramente aos estavam os furos da corrupção que imperava na organização dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Em linhas gerais, o TCU concluiu e publicou as seguintes conclusões: (a) que estava havendo malversação do dinheiro público destinado ao esporte de rendimento, em razão da fragilidade dos mecanismos de controle e pela forma como esses investimentos estavam sendo realizados; e (b) que haveria o risco concreto de que, após 2016, o esporte do Brasil poderia entrar em franca decadência, justamente por não haver projetos de longo prazo e, inclusive, que as metas de medalha para os Jogos Olímpicos futuros não se manteriam. Ou seja, o esporte no Brasil estaria pior após os Jogos Olímpicos do Rio, conforme análise do TCU.

Os técnicos do TCU, portanto, alertavam à nação que havia, sim, corrupção na organização do Rio 2016 e que as gerações futuras de atletas seriam severamente prejudicadas por isso. De fato, alguns próceres, notórios corruptos, que lideravam a organização dos Jogos Olímpicos Rio 2016 foram presos e nunca mais ouviremos falar deles como dirigentes esportivos, ou como políticos. Mas ainda falta gente.

Que o Ministério Púbico Federal, que está investigando o “legado”, também recorra a esse valioso documento do TCU, elaborado em 2.016, para pedir a prisão daqueles que ainda não foram punidos e que estes devolvam aos cofres públicos tudo que roubaram dos nossos atletas e do povo brasileiro.

Pela ética e transparência no esporte, sempre! A guarda rende, mas não morre!

Categorias olimpismo

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