A Olimpíada Mais Injusta.

Eu sempre procuro ser autêntico. E para isso é necessário fugir do lugar comum. Por isso, sempre escapo dos discursos oficiais, protocolares e vazios. Soam como coisa falsa e quem se limita à mediocridade de repeti-los perde a credibilidade. Em 1.975, quando o governo militar suspendeu os Jogos Panamericanos, que seriam em São Paulo, o então ministro da Educação, Ney Braga, solicitou ao meu avô, Sylvio de Magalhães Padilha Padilha, presidente do COB e Vice-Presidente do COI e da ODEPA (Panam Sports), que justificasse publicamente o fato em razão da epidemia de meningite que havia em São Paulo. Meu avô não atendeu ao ministro e contou a verdade. O governo federal estava descontinuando os Jogos Panamericanos em São Paulo por falta de verba, a cerca de cinco meses da cerimônia de abertura. Foi justamente isso que meu avô reportou à comunidade esportiva e aos brasileiros. Ele não aceitou não dizer a verdade. Por isso que o Major Padilha era uma pessoa altamente respeitada e ouvida, firme, no Brasil e em todo mundo.

Pois bem, eu não sou desses que caem nessa esparrela quase patética de afirmar que os Jogos Olímpicos de Tokyo “ocorrerão de qualquer maneira”. Não será assim. Caso os Jogos sejam mantidos, acredito que serão impostas regras muito rígidas de proteção sanitária. Talvez façam Jogos bem menores, com menos provas, menos atletas, menos imprensa, público exclusivamente local, ou talvez sem público. Não acredite em quem lhe afirma, simplesmente, que os “Jogos Olímpicos acontecerão de qualquer maneira”. Quem diz isso estará apenas sendo boneco de ventríloquo do discurso oficial. Serão Jogos Olímpicos profundamente descaracterizados.

Em ocorrendo os Jogos Olímpicos, haverá uma discrepância enorme de resultados entre nações desenvolvidas e as demais. A terrível pandemia afetou os países de maneiras distintas. Algumas nações lidaram com o fato melhores que outras. E isso reflete na preparação dos atletas. Há países que possuem inúmeros centros de excelência, que se tornaram “bolhas” na pandemia, nos quais seus atletas puderam treinar com tranquilidade na maior parte do tempo. Outros países, a maioria, aliás, não têm as mesmas condições e seus atletas tiveram que se isolar em casa por longo período. Fizeram treinos adaptados, em um esforço brutal para manterem a sua melhor forma. E isso permanece, com algumas variações, até hoje. A pandemia não terminou. Esse cenário está criando uma discrepância gigantesca na preparação dos atletas. Alguns chegarão aos Jogos Olímpicos em ótima forma. Muitos deles, acredito que a grande maioria, não terão treinado e competido como gostariam de tê-lo feito. Imaginem uma luta de boxe na Olimpíada de um atleta norte americano bem preparado com outro de uma nação pobre, classificado no seu pré-olímpico continental, cujo treinamento terá sido muito prejudicado. Será um massacre. O mesmo efeito acontecerá em muitas modalidades.

Se os Jogos Olímpicos acontecerem, seja lá da forma que for, veremos nos campos de esporte uma assimetria escancarada de performance.

Categorias olimpismo

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