As Contas Malditas de Carlos Nuzman.

Quando ainda estava no Correio Brazilienze, o brilhante jornalista José Cruz fez uma matéria sobre os Jogos Panamericanos do Rio 2007 que chamava atenção para irregularidades cometidas na contratação dos serviços da organização da cerimônia de abertura. Saltava aos olhos a dispensa de licitação, entre outras coisas. O assunto teve boa repercussão. Eu, naquela ocasião, oficiei ao Ministério Público Federal para que tomasse as providências cabíveis. Como quase tudo no Brasil, esse escândalo acabou caindo no esquecimento. Agora, quatorze anos depois da traquinagem, a conta chegou!

O Ministério Público Federal requereu e a Justiça concedeu o bloqueio de quase R$ 25 Milhões de Reais das contas do Comitê Olímpico do Brasil (COB), além de outros ativos. O bloqueio atingiu, também, as pessoas físicas de antigos ministros do esporte. Esse é um dos “legados” da desastrada passagem de Carlos Arthur Nuzman pelo comando do esporte olímpico nacional. A coisa não vai parar por aí. São muitos os processos que ainda tramitam na Justiça que envolvem irregularidades na organização do Pan 2007 e no Rio 2016. A fatura ainda ficará muito mais cara.

Um dos casos mais assustadores do Pan 2007 foi a construção da Vila Panamericana. A patota que organizou os Jogos havia escolhido a construtora Agenco para construir a Vila. Ocorre que a Agenco não tinha capital social suficiente para dar à Caixa Econômica Federal as garantias exigidas para obtenção do financiamento. Na época, foi feito um cambalacho que envolveu Governo Federal, Ministério do Esporte, Comitê Organizador e Agenco para que esta última não ficasse sem a prometida obra. O Governo Federal e o Ministério do Esporte repassaram ao Comitê Organizador Rio 2007, por meio de convênio, a quantia de R$ 25 Milhões que, por sua vez, foi repassado à Agenco. Foi feita uma sociedade de propósito específico para a construção da Vila Panamericana. O contrato de financiamento da Caixa Econômica Federal para a construção da Vila tem o COB e Comitê Organizador como intervenientes anuentes. A Agenco nunca pagou o financiamento e as obras despencaram antes mesmo do início dos Jogos. Hoje aquele espaço é um rol sem fim de problemas para aqueles que, de boa fé, compraram apartamentos no local. Está tudo na Justiça. E o presente que a Agenco ganhou do Governo Federal, os R$ 25 Milhões, também é objeto de processo. No dia da assinatura do contrato de construção da Vila Panamericana, o patético Nuzman teve a desfaçatez de declarar à imprensa que “foi assinado o maior contrato da história do esporte brasileiro”. Essa conta também vai chegar. José Cruz igualmente abordou o assunto em suas colunas. E eu, mais uma vez, formalizei representação ao Ministério Público Federal.

Nuzman e sua gangue merecem todo nosso desprezo. Nuzman foi preso e nunca mais ouviremos falar dele como dirigente esportivo. Mas a herança nefasta que ele deixou pelo caminho ainda vai perturbar, por muitos anos, aqueles que o sucederam. E quem mais sofre com isso são os atletas. Esse dinheiro é para eles.

Categorias olimpismo

2 comentários em “As Contas Malditas de Carlos Nuzman.

  1. Luiz Celso Giacomini fevereiro 15, 2021 — 8:39 pm

    Parabéns pela bela história.
    Em frente pelo esporte limpo!

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  2. Obrigado! Pelo esporte honesto, sempre! Abraços.

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