Antonio Carlos de Almeida Braga – Braguinha.

Recebi com tristeza, há pouco, a notícia da morte do Braguinha. Minhas primeiras lembranças do Braguinha são de quando eu nao tinha completado sete anos, nos Jogos Olímpicos de Munique. Foram inúmeras jornadas esportivas, entre Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais, Torneios e muito mais.

Braguinha tinha verdadeira paixão pelo esporte. Era um gentleman, muito fiel aos seus amigos. Além de financiar equipes esportivas inteiras, Braguinha também ajudava, individualmente, atletas de várias modalidades, sem que ninguém soubesse.

Vão aqui três histórias, entre tantas, que eu vivenciei ao lado dele:

  • Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1.984, o ator Tom Selleck, que interpretava o Magnum, era o padrinho do time de vôlei dos EUA. Quando o Brasil jogava com os EUA ainda na fase eliminatória, Tom Selleck estava sentado exatamente em nossa frente. A cada ponto americano Selleck se levantava e vibrava feito um maluco, tapando a visão de quem estava atrás. A horas tantas o Braguinha se enfezou, pegou o Magnum pelo braço e disse “ou você se comporta, ou vai mudar de lugar”. O ator não se levantou mais. O Brasil ganhou de três a zero.
  • Na Copa do Mundo da Espanha, em 1.982, na final entre Itália e Alemanha, Braguinha foi barrado na porta das tribunas de honra, pois estava trajando uma camisa polo, obviamente, sem gravata. Era proibido entrar nas tribunas sem gravata, segundo o segurança. Braguinha, na hora, comprou a gravata do próprio guarda que o havia barrado e vestiu em cima de sua camisa polo. Sua entrada foi permitida. A regra exigia gravata, mas nada falava sobre paletó.
  • Ainda nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1.984, depois de um jogo de vôlei da Argentina, veio um atleta da equipe conversar com o Braguinha. Ficaram uns dez minutos falando. Eu perguntei ao Braguinha o que ele queria. Braguinha me disse que aquele era um jogador argentino que tinha muito talento e que vivia dificuldades financeiras para seguir sua carreira no esporte. Braguinha, então, fazia tempo, ajudava esse atleta a se manter no esporte, em seu país.

Braguinha faz parte de uma geração em que o esporte era coisa de gentleman.

Expresso minhas condolências à Luiza e filhas. Fará muita falta.

Categorias olimpismo

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