A GUERRA DO DOPING.

Quando termina uma guerra, a história normalmente é contada de acordo com a versão do ganhador. O documentário Ícaro é excelente. Mas é a versão do lado que venceu a guerra. A história não está completamente contada no filme.

A verdade é que a luta contra o doping não se esgotará nunca. Haverá, sempre, em todos os lugares do planeta, alguém, um grupo de pessoas, disposto a encontrar mecanismos eficazes para ludibriar as autoridades de controle anti doping. Por isso, engana-se quem acha que a punição imposta pela WADA à Rússia resolve a questão. A Rússia foi punida, com razão, porque adotou, comprovadamente, o doping como uma política de Estado. A decisão da WADA foi, então, profilática. Mas o doping continuará existindo, todos os dias, em todas as partes do mundo. Por isso, os mecanismos de controle não podem arrefecer, nunca.

Quando o Movimento Olímpico flexibilizou as regras do amadorismo, até eliminá-las completamente, o doping aumentou muito. Isso porque os atletas passaram a ter a possibilidade de ganhar altas cifras. E os corruptos procuraram meios de trapacear, cada vez mais sofisticados, de obter vantagens ilícitas nos campos de esporte.

O doping nunca é culpa isolada do atleta. Por trás dele há uma indústria poderosa, uma cadeia de gente, que envolve empresas, patrocinadores, empresários, agentes, intermediários e equipes multidisciplinares. Nenhum atleta de ponta se dopa sozinho. Mas quando os Tribunais Esportivos punem, as sanções geralmente se limitam ao atleta. Todo o resto do ecossistema nocivo se livra. Isso é injusto.

Para debelar o doping não basta punir o atleta. É necessário desbaratar toda a cadeia que está envolvida. Por isso que sempre defendi que doping não é apenas caso a ser tratado pelos Tribunais Esportivos. Doping é assunto para polícia. O tráfico internacional de doping é tão requintado e perigoso quanto o tráfico de drogas, ou de armas. Sempre defendi que a Interpol e as polícias federais dos países atuassem para combater o doping.

A AGENDA 2020 do COI preconiza valorizar o atleta que não se dopa, aquele que compete segundo as regras, limpo. Eu apoio esse princípio com todas as minhas forças. Assim como seguirei lutando, com veemência, para que sejam punidos com absoluto rigor os pandilheiros.

Categorias olimpismo

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