A Favor do Esporte. Pela Manutenção do Conjunto Esportivo do Ibirapuera.

Em 1.939, o governador Adhemar de Barros criou o Departamento de Esportes do Estado de São Paulo. Convidou para dirigi-lo um militar recém transferido do Rio, que servia no Quarto Batalhão de Caçadores da Infantaria, em Santana, o então Tenente Sylvio de Magalhães Padilha. Atleta do Fluminense e, depois, do Espéria, Padilha era o maior expoente do esporte naquela época. Finalista Olímpico em Berlin, em 1.936, no ano de 1.939 Padilha liderava o ranking mundial da prova dos 400 metros com barreiras e havia recebido o Troféu Helms, dado nos EUA aos mais destacados atletas do mundo de cada continente (América, Europa, Ásia, África e Oceania). E o Departamento de Esportes, pouco depois, virou o Departamento de Esportes e Educação Física (DEFE) e, mais tarde, Secretaria de Esporte do Estado de São Paulo. Meu avô, Sylvio de Magalhães Padilha, dirigiu o órgão por muitos e muitos anos. Aí começa a verdadeira história do esporte em São Paulo e no Brasil. Antes disso, não havia nada.

O atleta Padilha costumava ir à casa do governador Adhemar de Barros e leva-lo, nos fins de semana, para assistir jogos de futebol em campos de várzea, ou competições esportivas nos clubes Espéria, Tietê, Germânia, Palestra Itália e outros, incluindo as de remo, nos rios límpidos da cidade. Também iam à represa de Guarapiranga para ver provas de Vela. Adhemar tomou gosto pelo esporte e permitiu que Padilha oficializasse os jogos Abertos do Interior, criasse os Jogos Regionais, Troféu Bandeirante, Troféu Brasil de Atletismo, Troféu Intercolonial, Jogos Escolares, apresentações de ginástica no Pacaembu, educação física obrigatória na rede pública estadual de ensino e tantas outras coisas.

Na esteira dessas realizações veio o primeiro grande complexo esportivo do Brasil, o Baby Barioni, na Água Branca, aonde também foi erguido o “prédio das Federações” e uma escola pública, além dos magníficos espaços esportivos. Enquanto isso, muitas praças esportivas também eram erguidas no interior do Estado. A educação física estava sendo massificada. Era uma questão de Estado.

O Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães (Ibirapuera) foi sendo construído aos poucos. A última obra do Conjunto foi o Ginásio Mauro Pinheiro, feito durante a gestão do meu tio Pedro de Magalhães Padilha na Secretaria de Esporte, Turismo e Cultura do Estado. Ele seria usado para os Jogos Panamericanos de 1.975, que seriam em São Paulo.

O Conjunto do Ibirapuera nunca perdeu seu DNA de espaço público para prática esportiva, desde a infância até a terceira idade, sem prejuízo de também abrigar provas de alto rendimento e eventos culturais. Padilha, que na época também presidia o Comitê Olímpico do Brasil, era um defensor intransigente do desporto. Ele não permitia que o Ibirapuera fosse palco de eventos religiosos e que o estádio Ícaro de Castro Mello servisse a jogos de futebol. Alí era a casa do Atletismo. São Paulo já tinha muitos espaços para futebol. Padilha não se omitia. Padilha nunca se apequenou todas vezes em que qualquer um tentou ameaçar o esporte e os esportistas.

O complexo do Ibirapuera também sediou a Escola Superior de Educação Física do Estado de São Paulo, hoje no campus da USP, que Padilha também dirigiu.

Ao longo de décadas, incontáveis eventos esportivos e culturais aconteceram no Ibirapuera. Muitas pessoas usavam aquele local para praticar esportes. Havia programação disponível durante todo o dia, até à noite, para que o povo, de graça, pudesse ter acesso ao esporte. Muitos campeões nasceram alí, moraram nos alojamentos do DEFE e brilharam no mundo. Esporte é, antes de tudo, uma questão de saúde pública e educação. Para um país que sediou Jogos Olímpicos, a destruição do Ibirapuera é mais um vexame mundial. Conheço inúmeros complexos esportivos no mundo. Eles seguem à disposição de seus povos, muitas vezes, com o auxílio na iniciativa privada, mas sem desvio de finalidade.

O Comitê Olímpico do Brasil, o Comitê Paralímpico Brasileiro, as Confederações e Federações, os clubes e associações esportivas têm obrigação de sair em defesa do esporte e lutar contra o fim do Ibirapuera.

Enquanto pessoas públicas entram para história como grandes realizadores da educação física, outros ficarão lembrados como os coveiros do esporte.

Não deixe o Conjunto Esportivo Constâncio Vaz Guimarães acabar. Querem estraçalhar a memória esportiva de São Paulo e do Brasil. Quem é do esporte sabe como é doído o que querem fazer com o Ibirapuera.

” HESÍODO, historiador grego, informou que as três primeiras Eras da Raça Humana foram: Idades do Ouro, da Prata e do Bronze. Lamentavelmente estamos atravessando a IDADE DO PLÁSTICO. Está ocorrendo, sumariamente, o descarte imediato de coisas e pessoas sem maiores considerações, sem serem levadas em conta especialmente as prioridades voltadas para o Bem Comum. Que a história e as boas lembranças sobre o Complexo do Ibirapuera permaneçam indeléveis no coração de todos que tiveram a oportunidade e a alegria de desfrutar daquelas instalações esportivas, para promover a saúde e assistir a belos espetáculos. Esses sim, foram privilegiados e felizes. Viveram um período onde os verdadeiros interesses dos administradores públicos estavam colocados acima da valorização do poder e da sede de lucros. Laurete Godoy. ”

Categorias olimpismo

4 comentários em “A Favor do Esporte. Pela Manutenção do Conjunto Esportivo do Ibirapuera.

  1. Ismar Cabral dos Santos dezembro 1, 2020 — 5:10 pm

    Que ótimo que o Dr. Alberto Murray Neto, um ilustre baloarte do nosso esporte, paulista e brasileiro, esteja embuido, nesse propósito, de lutarmos contra esse absurdo que se comenta em demolirem esse patrimônio da esportivo e histórico da cidade de São Paulo. Graças a Deus contamos com seu compromisso de evitar que isso possa vir a ocorrer. Pode contar Dr. Alberto com nosso total apoio à essa nobre causa.

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  2. Raymond Rosenberg dezembro 2, 2020 — 3:29 pm

    Um país se constrói através de uma base sólida de instituições probas. O esporte não pode perder uma praça de prática atlética como o conjunto do Ibirapuera. A educação de nosso povo necessita de maior número de locais como este e se beneficiaria de seus ensinamentos para aprimorar nosso futuro

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  3. Maria Luisa vaz de Almeida dezembro 2, 2020 — 8:38 pm

    É preciso salvar o Complexo O esporte salva vidas E lá as vidas não pagam nada para praticar esportes como em clubes privados Salvar o Complexo Constâncio Vaz Guimarães e salvar a juventude

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