Diego Armando Maradona.

É sempre triste quando a humanidade perde um gênio, em qualquer campo da atividade humana. Há músicos, escritores, artistas, cantores, matemáticos, físicos, historiadores, pintores, médicos e esportistas. E há aqueles que, por conta de seu talento natural, aliado a muito trabalho, entram para a história na condição de gênios, cada qual em sua área de atuação.

Gênio é uma palavra que não se pode banalizar.

Mozart na música, Gaudi na arquitetura, Picasso na pintura, Chaplin no cinema, Freud na medicina estão nesse patamar elevado. Maradona entra na categoria de gênio do esporte.

Tive a felicidade de vê-lo atuar de perto, no estádio, em algumas ocasiões. A primeira vez foi na Copa do Mundo de 82, em Barcelona, quando foi expulso no jogo contra o Brasil, depois de uma entrada violenta no volante Batista.

Duas ocasiões chamam a atenção. A primeira foi no Estádio Delle Alpi, em Torino, em que o Brasil enfrentou a Argentina pelas oitavas de final da Copa do Mundo. O Brasil jogava muito melhor, acuava a Argentina, a bola batia na trave algumas vezes e nada de entrar no gol. Parecia que o gol do Brasil aconteceria a qualquer momento, diante da Argentina assustada. Bastaram alguns segundos para Maradona, em jogada de gênio, fazer a defesa do Brasil literalmente bater cabeça e colocar Caniggia na cara do gol para desferir um tiro indefensável para Taffarel.

A segunda também foi na Copa do Mundo de 1.990. Estava em Nápoles para assistir à semifinal entre Argentina e Itália. Já a caminho do jogo via vários italianos portando a bandeira da Azzurra e outra do time da cidade, o Napoli, com a cara do Maradona. Estava bem perto do ônibus da Argentina quando ele chegou ao estádio. Maradona vinha em pé, segurando uma bola, na frente, ao lado do motorista. Os italianos ovacionavam Maradona de forma frenética. De verdade, houve muito mais festa para Maradona, do que para a seleção inteira da Itália. Difícil descrever o que ví, como expectador privilegiado daquela cena memorável. Era preciso estar lá para sentir. Durante o jogo, a torcida local agitava bandeiras da Itália e aquelas com a cara de Maradona. A Argentina venceu e o estádio, impressionantemente, não demonstrava a tristeza que se era esperada. Para os napolitanos, era como se o Nápoli, representado por Maradona, estivesse na final da Copa do Mundo.

Somente os gênios têm a capacidade de proporcionar esses momentos.

Categorias olimpismo

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