Brasil e Japão, Unidos Pelo Esporte.

BRASIL E JAPÃO – UNIDOS PELO ESPORTE

Por Alberto Murray Neto

Celebra-se um ano para os Jogos Olímpicos de Tokyo. Pouca gente sabe que boa parte das relações entre o Brasil e o Japão, após a segunda guerra mundial, foram retomadas por meio do esporte. O Japão era um país derrotado na guerra, dominado e com o qual o Brasil não mantinha relações diplomáticas. Poucos anos após o final guerra, meu avô, Major Sylvio de Magalhães Padilha (atleta finalista Olímpico e posteriormente presidente do COB), naquela ocasião como Diretor do Departamento de Educação Física e Esporte do Estado de São Paulo (DEFE) fez um convite oficial para que os chamados “peixes voadores”, a equipe de natação do Japão, considerada a mais forte do mundo, viesse se apresentar no Estado de São Paulo. Era a primeira delegação japonesa que saia do país para o mundo após a guerra em missão oficial. Getúlio Vargas, presidente da República, ditador, não aprovou a ideia e pediu a Padilha que cancelasse o convite. Padilha disse a Getúlio que manteria o convite e quem o formulava era o Estado de São Paulo e não o Governo Federal.

Ao chegar a São Paulo a delegação dos nadadores japonêses, Getúlio Vargas voltou à carga. Disse a Padilha que não queria que fosse hasteada a bandeira japonesa e nem que o hino do Japão fosse entoado. Novamente Padilha disse não a Getúlio. Argumentou que se tratava de uma missão esportiva e que os atletas seriam recebidos com todas as honras. Por todas as cidades em que passaram os “peixes voadores” a bandeira do Japão foi hasteada e o hino devidamente tocado.

Tratava-se de uma apresentação, em que os “peixes voadores” nadariam na capital do Estado de São Paulo e em diversas cidades do interior para difundir a natação. Foi dessa iniciativa que surgiram vários nadadores brasileiros, entre os quais Tetsuo Okamoto, nosso primeiro medalhista Olímpico.

Ainda durante a guerra, Getúlio havia ordenado o fechamento de vários clubes esportivos do Eixo, clubes alemães, italianos e japoneses. Em São Paulo, como Diretor do DEFE, Padilha impediu que isso ocorresse. Os clubes mudaram de nome, mas nunca fecharam e seguiram praticando esportes e cultivando as origens de suas raízes.

Poucos anos após a vinda dos “peixes voadores” a São Paulo, Padilha foi convidado pelo governo do Japão a fazer visita oficial ao país. Padilha foi ao Japão como a primeira autoridade estatal recebida em viagem oficial no pós guerra. Recebeu a Ordem do Sol Nascente e a Espada dos Samurais das mãos do Imperador.

O povo japonês nunca esqueceu desses gestos, havidos em um período extremamente difícil da história do Japão. Durante toda sua vida, Padilha recebeu as maiores homenagens do povo japonês e foi um grande incentivador do esporte na colônia japonesa.

Na última vez que Padilha visitou o Japão, como membro do Comitê Olímpico Internacional, quando chegou de trem à estação de Nagano, viu várias crianças com as bandeiras do Japão e do Brasil nas mãos. Era ponto facultativo nas escolas públicas da cidade. E o caminho que levava o carro da estação de trem até o Palácio do Governo estava cheio de muitas crianças abanando as bandeiras dos dois países.

Que venha Tokyo, que certamente realizará Jogos Olímpicos inesquecíveis.

Categorias olimpismo

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