A Audiência Pública na Câmara Federal com o Deputado Luiz Lima e o Presidente Paulo Wanderley Teixeira.

Prezados Amigos,

Ví  a audiência pública ocorrida na Câmara Federal, com a participação do Presidente do COB. Felicito o Deputado Luiz Lima, que tem sido um defensor intransigente da ética no esporte, pela iniciativa. Cumprimento o presidente Paulo Wanderley por ter aceito o convite. A democracia se constrói com o diálogo.

Mais uma vez, louvo a assembleia geral do COB e a Comissão de Atletas, que impediram que as propostas que militavam contra os mecanismos de controle fossem aprovadas. Foi uma vitória da ética. A razão de tudo isso existir são os Atletas. E a eles devemos todas as nossas reverências.

Sempre tive excelente diálogo com o presidente do COB, franco, aberto, quase que diário. Sempre fui aliado de sua gestão. Sempre o defendi em todas as palestras, simpósios, debates, conversas, entrevistas, com muito orgulho de estar sendo uma pequena engrenagem na reconstrução do Movimento Olímpico, que ficou devastado após a gestão do anterior.

Com relação à mudança estatutária, em 04 de setembro de 2.019 encaminhei um e-mail ao diretor jurídico da entidade solicitando que, caso a proposta de alteração estatutária modificasse alguma regra relativa ao Conselho de Ética, eu deveria ser comunicado com antecedência, para que pudéssemos, democraticamente, debater, com antecedência. Nunca recebi nada, pelo que confiava que a minuta não alteraria em nada as nossas prerrogativas, que estavam funcionando muito bem.

Recebi do presidente a nova minuta somente na noite anterior à assembleia geral, poucas horas antes dela ser levada à discussão. Recebi a minuta, portanto, como um fato consumado. Fiz minhas inquirições (vide artigo no link abaixo).

Ouvi de alguém que, ao ler a minuta, eu deveria ter ligado ao presidente. Claro que nunca faria isso. Respeito absolutamente a ordem, disciplina e a hierarquia. Mas, nesse caso, seria uma inversão de valores. Além de não ter sido, em instante algum, consultado sobre as propostas dele e de seu diretor jurídico, como disse, recebi aquela minuta horas antes de ser votada e já como um fato consumado. Ora, não seria eu, presidente de um Poder estatutário do COB, quem deveria ligar ao presidente da diretoria. Em hipótese alguma, nessas circunstâncias, faria isso. Seria um capitis de minucio. Ao mesmo tempo em que respeito muito a hierarquia, mantenho a minha autoridade, conquistada não pelo cargo, mas por minha postura. Ao contrário, era o presidente do COB quem deveria ter, ao longo do processo, ligado para mim com o intuito de manter-me informado sobre as propostas que faria. E, àquela altura da noite, dado o fato consumado, de nada adiantaria a ligação de um ao outro.

Após consultar várias pessoas do Movimento Olímpico, decidi que me manifestaria pelas redes sociais contra aquela proposta mal feita que, aliás, fere a Agenda 2020 do COI. E assim o fiz, com educação e firmeza, de peito aberto, como sempre atuei em minha vida. Não sou homem de fazer coisas à sorrelfa. Tenho certeza que minha manifestação pública ajudou a derrubar as propostas que feriam de morte o Conselho de Ética, o Comitê de Conformidade e o Gerente de Compliance (dizer o contrário e sofismar).

Portanto, não houve agressividade e nem indelicadeza de minha parte. Se esse discurso existe é porque não conhece os fatos como eles verdadeiramente ocorreram. Ou não me conhece.

Eu sempre fui transparente. O que mais poderiam esperar de mim naquele momento, senão sair em defesa da ética e da transparência? Recebi mais de uma centena de mensagens de elogios e agradecimentos, algumas de pessoas que não conheço, gente do povo que acompanha meu trabalho, desde os tempos que, com muita tenacidade, ajudei a derrubar o antigo presidente do COB e, mais que isso, mandá-lo para a cadeia. Uma pessoa da qual  nunca mais ouviremos falar no mundo do esporte e que tanto mal causou ao país.

Não é o cargo que faz o homem. É o homem que se faz respeitar pelas atitudes que toma ao longo da vida. Quem tem brilho próprio não se escuda em cargos.

Nunca me afastarei dos princípios éticos que norteiam minha vida no esporte. Tive, em minha vida, exemplos que fazem meus valores serem inegociáveis. O Olimpismo está na minha alma, desde o tempo em que, com muito orgulho, fui atleta no Esporte Clube Pinheiros. Respeito muito as Confederações (grandes conhecedoras de suas modalidades), os Atletas (razão de tudo isso existir), os clubes (célula mater do nosso esporte), os Acadêmicos, a imprensa (que tem seu papel fundamental a cumprir), Treinadores, entidades civis como SOU DO ESPORTE e ATLETAS PELO BRASIL e todos que dedicam seu tempo ao esporte. Eu aprendo muito com todos eles. Há, sim, gente muito boa trabalhando no esporte. Todos esses deveriam ter sido parte da elaboração do novo estatuto, em um debate amplo, democrático, saudável, como foi feito anteriormente. Desta vez não foi assim. E é isso que lamento. Esse, nunca teria sido meu modo de agir. Propus que fosse criado, no novo estatuto, uma Comissão Nacional de Treinadores, vinculada ao COB. Não recebi resposta quanto a essa proposta. Acho que os Treinadores têm muito a contribuir na gestão.

União também se faz com diálogo. Tivesse esse estatuto sido amplamente discutido, seria muito possível que o Movimento Olímpico teria saído unido e fortalecido.  Defendo maior autonomia das Confederações e da comissão de Atletas, de tal forma que não precisem depender do Comitê Olímpico para terem seus projetos aprovados. Essa dependência permanente não é boa para a democracia e nem para o desenvolvimento das modalidades. É necessário criar um mecanismo em que as Confederações e os Atletas possam ter seus recursos garantidos de antemão e lastreados em critérios justos e objetivos. Uma modalidade não pode estar de joelhos. A elas deve ser garantida autonomia. Defendo, sim, a participação dos clubes na assembleia geral do Comitê Olímpico. Se em algum momento os clubes decidirem fechar seus departamentos esportivos, o esporte acabará no Brasil. Se existem as Confederações, é porque os clubes assim quiseram. Ressalto o papel fundamental que as Forças Armadas têm cumprido no desenvolvimento do esporte.

Acho, ainda, que entidades como SESI e SESC, por meio de suas excelentes instalações esportivas, têm muito a contribuir. Sem quantidade, não teremos qualidade. Mais importante do que medalhas é termos um povo praticando esporte, por uma questão de educação e saúde pública. o Comitê Olímpico Brasileiro deve ser a casa das Confederações, mas também dos Atletas, dos Treinadores, dos médicos, dos bioquímicos, dos fisioterapeutas, dos massagistas, dos Acadêmicos, dos jornalistas esportivos e de todos aqueles que contribuem com o Movimento Olímpico.

Derrotadas pela assembleia geral as propostas anacrônicas que objetivavam desmilinguir o Conselho de Ética, o Comitê de Conformidade e o Gerente de Compliance, seguirei trabalhando no Conselho de Ética, como sempre fiz, em respeito absoluto às minhas atribuições estatutárias, com respeito, equilíbrio e serenidade.

Dizer que a crise que se viveu, nascida a partir da forma como foi conduzida a mudança de estatuto, é decorrente de “interesses políticos” é de extrema ingenuidade, ou intenção de não tratar de frente as questões.

Minhas manifestações em nada afetam meu trabalho sério no Conselho de Ética. Se alguém diz isso está equivocado. Sou um dos partícipes da engrenagem e tenho a obrigação de debater. Todos os dias se lê nos jornais entrevistas com Ministros do Supremo Tribunal Federal sobre os mais variados temas do Brasil. E nem por isso eles deixam de cumprir seu papel Constitucional. Antes houvesse mais gente disposta a debater e dialogar.

Aqui no link, para quem não leu, o artigo que publiquei há alguns dias:

https://albertomurray.wordpress.com/2019/11/29/retroceder-na-etica-esportiva-jamais/

Cordiais Saudações Olímpicas.

Categorias olimpismo

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