Traficantes de Doping Devem Ser Tratados Como Criminosos Comuns

O tráfico internacional de doping é tão maléfico e criminoso quanto o tráfico de drogas ilícitas. Ambas são indústrias que movimentam milhões de dólares, ou euros.

Quando um atleta é pilhado no doping, esteja certo que, para chegar até ali, houve uma enorme cadeia de pessoas envolvidas, que começa pelo produtor, passa pelo traficante, que faz a desova ilegal no país e que envolve a “mula”, patrocinadores, empresários, fisiologistas, técnicos e atletas. Essas pessoas que fazem parte do tráfico promovem uma pressão irresistível para que atletas usem doping. Existe, também assédio moral violento para aqueles que se recusam a fazê-lo.

Sou favorável à criminalização do doping, como ocorre em países da Europa. Se as punições ao doping restringirem-se ao Tribunais Desportivos, serão paliativas e não resolverão a questão.  Punem geralmente somente o atleta e, de vez em quando, o treinador. Mas toda cadeia de criminosos que enumerei acima passam incólumes, o que é injusto.

É necessário interromper o doping na sua origem. E esse é um trabalho que somente as polícias têm mecanismos de investigação e repressão. Como regra geral, os medicamentos dopantes sofisticados entram no Brasil por meios ilegais, assim como as drogas proibidas.

Quando elementos que sâo partes da cadeia promotora e incentivadora do doping são flagrados, já ganharam, certamente, muito dinheiro, assim como o fazem os traficantes de armas e de drogas. Claro que essa gente deve ter direito à ampla defesa. Mas quando condenados, acho que a pena máxima de quatro anos de suspensão é pouca. Deveriam incorrer em penas maiores, mesmo que réus primários. E, como já disse, sem prejuízo da jurisdição da Justiça Esportiva, deveriam responder perante a Justiça Penal comum. Como seguramente ganharam muito dinheiro com o tráfico internacional de doping, deveriam ser condenados em multas vultosas.

Claro que cumprida a pena, todo criminoso tem o direiro de recomeçar. Entretanto, no caso do esporte, particularmente, elevar um ex integrante da cadeia de traficantes internacionais e incentivadores de doping pode até ter contornos de legalidade, mas é imoral e anti ético. Além do que é uma injustiça sem tamanho com pessoas muito competentes e honestas que, há anos, dedicam-se com sucesso ao seu ofício. É prestigiar o ruim em detrimento do bom. É inverter valores éticos e morais.

Esporte é uma propaganda para a vida saudável e não um meio de morte e trapaça. Não é lícito que se  prestigie o traficante de doping. Dá a impressão de que dopar atletas  e integrar quadrilhas de criminosos tem nenhuma relevância e não interfere na imagem da modalidade.

Sempre que depender de mim, essa inversão de valores éticos e morais não acontecerá. Não me apequeno diante de criminosos e trapaceiros. Meritocracia não se faz preenchendo formulários. Meritocracia observa-se com o comportamento reiterado da pessoa ao longo do tempo.

Categorias olimpismo

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