As Convocações do Comitê Olímpico.

Já ouvi algumas vezes o seguinte debate: “Se o atleta conseguiu vaga para disputar uma competição cuja a composição da delegação cabe ao Comitê Olímpico Brasileiro e se esse atleta não for convocado, se ele pagar as próprias despesas terá direito de participar”

 

Esse pensamento é inaceitável. E exponho as minhas razões:

 

1. A lei federal e a Carta Olímpica determinam que o Comitê Olímpico forme, segundos seus próprios critérios, as delegações nacionais para participar dos Jogos Sulamericanos, Panamericanos e Olímpicos. Ou seja, é o Comitê quem convoca. Por isso, antes de o Comitê convocar oficialmente o atleta, ele (ela) não tem vaga. É juridicamente errado o atleta dizer “eu já consegui minha vaga” antes de o Comitê oficialmente convocá-lo.

 

2. Além disso, o Comitê não é agencia de viagem, em que o atleta paga sua passagem e estada e passa a integrar as delegações nacionais. Isso seria um absoluto e inaceitável desafio à autoridade do órgão máximo do Movimento Olímpico.

 

3 – O Comitê Olímpico, em toda sua história, nunca permitiu que esse tipo de coisa ocorresse e não será agora que permitirá.

 

4 – Nunca, em toda sua história, o Comitê Olímpico deixou de convocar algum atleta para as competições por falta de verba, nem mesmo nas eras mais difíceis do esporte olímpico, em que os recursos eram pouquíssimos. Se alguém disser isso é mentira. Todos atletas que atingiram os índices e  estiveram dentro dos critérios de convocação estabelecidos previamente pelo COB, com as Confederações, viajaram para os Jogos.

 

5 – Concordo que, eventualmente, se possa discutir os critérios do COB. Nem sempre eles estão certos. Mas discordo que, estabelecidos esses critérios, determinado atleta, que se ache no direito de viajar e que não tenha sido selecionado, pague as suas próprias despesas para assim ter direito de integrar as delegações nacionais do Comitê Olímpico.

 

6 – O Comitê Olímpico tem a prerrogativa de estabelecer, livremente, os critérios de seleção para cada certame. Pra isso deve ouvir as Confederações e a comunidade atlética. E é natural que  tais critérios sejam diferentes para Odesur, Jogos Panamericanos e Olímpicos. Cada competição tem sua relevância específica e características próprias. Os critérios não podem ser os mesmos.

 

7 – Além do que, o COI poderia aplicar sanções aos Comitês Olímpicos Nacionais que formassem suas delegações a partir de decisões judiciais que, no entendimento do COI, é intervenção estatal, o que é terminantemente proibido pela Carta Olímpica.

 

8 – Estimular a ideia de que “se o atleta obteve a vaga e não for convocado ele paga e tem o direito de ir aos Jogos” é fomentar algo que está legal e moralmente errado.

Categorias olimpismo

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