Bolsa Atleta Não É Política De Estado Para Esporte.

Sou favorável ao programa Bolsa Atleta. Ele ajuda pontualmente muitos atletas que nunca tiveram nenhum tipo de cooperação. Muitos esportistas passaram a organizar melhor seu calendário de treinamento e competições a partir da implantação desse sistema. Na minha época de atleta não exista nada parecido e diversos indivíduos deixavam o desporto no meio do caminho por absoluta falta de recursos. Mas o Bolsa Atleta não é nada mais além de uma plataforma de colaboração específica, que atende um grupo seleto de pessoas. Bolsa Atleta está muito longe de ser um programa nacional de Estado para massificação, democratização, acessibilidade e desenvolvimento do desporto. O Brasil nunca teve política de Estado para o esporte. Tem, apenas, políticas partidárias, de ocasião, cujo tempo de duração coincide com o período de permanência de cada Ministro na Pasta. Vejo atletas, muitas vezes, preocupados somente com o recebimento do seu Bolsa Atleta. Deveriam ir adiante, avultar o debate e exigir  a discussão de um projeto bem mais amplo para o esporte brasileiro. Talvez se o Brasil tivesse uma política de Estado para o esporte, de longo prazo, que contemplasse da base ao alto rendimento, o Bolsa Atleta não fosse necessário.

 

O Bolsa Atleta necessita de correções, ajustes e fiscalização rígida. Não acho correto que atletas que possuem outras fontes de renda de valor elevado sejam contemplados com dinheiro público desse programa. Não me parece adequado, apenas para citar dois exemplos, que os dois fantásticos tenistas Marcelo Melo e Bruno Soares, recebam dinheiro público do Bolsa Atleta. O merecido sucesso de ambos das quadras os faz receber valores altíssimos, pelo que a quantia de Bolsa Atleta que a eles é destinada, poderia ser alocada para outros, mais necessitados. Há vários exemplos que poderiam ser mencionados, nas mesmas condições. Há, também, muitas fraudes no Bolsa Atleta, que não deveriam ser toleradas. É comum ver atletas de idade avançada, em final de carreira, ou outros que  nem atletas são, recebendo dinheiro público do Bolsa Atleta. O argumento deles é “que estão dentro da lei”. Ou seja, usam a própria lei para burlar o espírito de sua razão de existir. É insensato. Em diversas modalidades é corriqueiro inserir um atleta em final de carreira em uma equipe, em qualquer campeonato nacional, para ganhar uma medalhinha que lhe dê a condição legal de pleitear o Bolsa Atleta. Às vezes dão um jeito de inserir nessas equipes até parentes de atletas, de técnicos, ou dirigentes, que nunca foram atletas de verdade, só para ganhar a condição legal de reivindicar o Bolsa Atleta. Estão todos dentro da lei. Mas nem tudo que é legal é moral, muito menos legítimo. As pessoas que fazem isso não deveriam fazê-lo. Mas na medida em que o fazem, os Clubes, Federações e Confederações deveriam impedi-los de fazê-lo e, se for o caso, denunciá-los ao Ministério do Esporte. O Ministério do Esporte, por sua vez, deveria fiscalizar com rigor máximo essas situações.

 

Não deveriam ter direito  a essa Bolsa de dinheiro governamental os atletas sabidamente em fim de carreira, os que já recebem outras fontes de renda de valores altos, aqueles que reconhecidamente já não terão condições de almejar resultados expressivos em provas importantes do calendário internacional. Justamente porque o Bolsa Atleta não é programa social, mas esportivo, de rendimento, o dinheiro público tem que ser alocado em quem tem, de verdade, condições de incrementar sua performance atlética em longo prazo, em provas significativas do certame internacional.

 

Se o Ministério do Esporte e as Confederações fizerem uma triagem de quem ganha dinheiro público do Bolsa Atleta, verá que há muita gente pondo a mão nessa verba pública, que está absolutamente dissociada dos princípios esportivos, éticos e morais que deram origem a esse programa. Esses não merecem receber esse dinheiro e cabe às Confederações reprimir essas condutas  denunciá-los. Paralelamente, a lei do Bolsa Atleta requer ajustes.

 

E muito melhor que Bolsa Atleta, seria a política de Estado para o Esporte Nacional.

Categorias olimpismo

2 comentários em “Bolsa Atleta Não É Política De Estado Para Esporte.

  1. Como acontece em todos os lugares e textos, e os Paralímpicos? Porque as pessoas esquecem deles? Olímpicos ou Paralímpicos trazem mais medalhas?

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  2. O programa Bolsa Atleta é realmente um belo incentivo, mas uma pena ver as notícias sobre fraudes e ver uns ganhando tanto enquanto outros continuam a míngua realidade do esporte brasileiro. Infelizmente a triste realidade brasileira, onde um quer ter mais vantagens que o outro. Fica a esperança de que pouco a pouco esse estigma vai se curando… Parabéns pelo seu trabalho, feliz de ver que sua luta continua!! Grande Abraço

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