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O Parque Olímpico do Rio e o Risco de Elefantes Brancos.

dezembro 1, 2016

Apenas uma empresa privada participou da licitação para gerir o Parque Olímpico do Rio, na Barra da Tijuca. Ainda assim, a empresa, construtora SANERIO, não logrou êxito porque está em recuperação judicial e, de acordo com a comissão licitante, não entregou os documentos necessários que a habilitariam a participar do certame. Assim sendo, não há mais ninguém interessado em gerir o Parque Olímpico da Barra.

Ao gestor privado do Parque Olímpico caberá desmontar a Arena do Futuro e, no local, construir quatro escolas públicas municipais, além das outras exigências publicadas no edital. Se não houver gestor privado, é muito possível que aquele local fique subutilizado e que as promessas feitas pelos gestores olímpicos e pelos políticos locais, de que não se transformaria em um elefante branco, não sejam cumpridas.

Existe a possibilidade real de que, por falta de recursos (com o Rio quebrado), o belo Parque Olímpico venha a ser um local mau conservado e, em não muito tempo, nos faça lembrar das instalações olímpicas de Atenas 2.004 que, poucos anos após os Jogos, estavam destruídas, caindo aos pedaços, com mato alto. Hoje, Atenas usa parte daquelas instalações como campos de refugiados. Devemos lembrar que a Grécia enfrentou uma crise econômica muito severa.

Um dos grandes debates que antecederam os Jogos Olímpicos no Rio foi o seu legado. O Co-Rio 2.016 e a Prefeitura juravam que não teríamos elefantes brancos. Eu fui um daqueles que questionaram essa afirmação dos organizadores. O plano de utilização das instalações após os Jogos deveria ter sido tão firme como foi a organização da própria Olimpíada. E eu não via isso ocorrendo. Todos os projetos de legado das instalações olímpicas me pareciam frágeis.

Gastou-se com as instalações olímpicas muito dinheiro público. E com dinheiro do povo não se brinca. Não basta simplesmente dizer, agora, que o “projeto de legado não deu certo por causa das condições econômicas do país”.

Existem no Rio milhares de crianças que não têm qualquer acesso ao esporte. É inaceitável que, após despejarem tanto dinheiro público para construir praças de esporte, essa situação não mude. É necessário que o Estado, os dirigentes do esporte, façam, urgentemente, um plano de utilização do Parque Olímpico, para massificar a prática esportiva, colocando-o à disposição das escolas públicas do Rio e da população em geral.

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