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O Problema do Atletismo do Brasil É Decorrência da Longa Gestão de Roberto Gesta de Melo.

julho 28, 2015

Roberto Gesta de Melo presidiu a Confederação Brasileira de Atletismo (“CBAt”) por longuíssimos vinte e sete anos, sob o beneplácito de Carlos Arthur Nuzman. Seria tempo mais do que suficiente para fazer muita coisa, não fazer nada, ou arrebentar com a modalidade.

O resultado do atletismo no Panamericano de Toronto ficou muito aquém do esperado. Se comparado com 2.011, em Guadalajara, o atletismo do Brasil reduziu, percentualmente, em 90% as medalhas de ouro. No número total de medalhas houve uma redução de 43%. No quadro total o Brasil caiu para a oitava posição, atrás de países como Cuba, Jamaica, Trinidad e Tobago e Colômbia, com populações e investimentos muito menores do que os nossos.

Se não computarmos as provas que têm finais diretas, no masculino, a equipe brasileira foi a cinco finais. Em Guadalajara foram nove finais. Em vinte e quatro provas disputadas, o Brasil piorou seu desempenho em quinze delas se comparadas à Guadalajara. Percentualmente, a equipe masculina do Brasil piorou 62% em relação ao Pan de 2.011.

No feminino o Brasil foi a cinco finais em Toronto 2.015, igualmente sem computar as provas com finais diretas.. Em Guadalajara 2.011 o nosso feminino disputou nove finais. Em vinte e três provas, o Brasil piorou seu resultado em 15 delas, se comparado a Guadalajara. Isso significa uma piora percentual de 65%

A conclusão é que após vinte e sete anos de mandato, Roberto Gesta de Melo entregou terra arrasada ao seu sucessor, que não pode ser absolutamente culpado pelos resultados do atletismo. Ele está no comando apenas há pouco mais de dois anos. Conheço o atual presidente desde minha época de atleta, sei de seus planos e as ideais que ele tem para  o atletismo nacional. Não serão em quatro, nem em oito anos, que se corrigirá a gestão paternalista e elitista de Gesta de Melo.

Gesta de Melo em instante algum preocupou-se em massificar o atletismo no Brasil. Restringiu seu longo mandato à campings no exterior, análises de lactato e outros factoides de impacto. Não que sejamos contra isso. Mas não desse tipo de coisa que o Brasil necessita. E em vinte e sete anos ele não viu isso.

Não houve um trabalho de massificação do atletismo nas escolas, de um trabalho intenso de competições de base, nas comunidades em que as crianças não podem ter acesso ao esporte. Quantos Joaquim Cruz não devem haver espalhados pelo Brasil que Gesta de Melo deixou de descobrir? Gesta de Melo não mudou a mentalidade do atletismo e teve tempo para isso. O germe de um esporte forte, incluindo mas não se limitando ao atletismo, é a escola, principalmente  a pública, que no mandato de Gesta de Melo foi solenemente ignorada. Nesse longo tempo, poder-se-ia ter atuado em conjunto com o Ministério da Educação, Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro para a construção de pistas de atletismo (baratas), para que meninos e meninas do Brasil pudessem ter iniciação nesse esporte, espalhadas por todo o território nacional. Daí certamente os professores capacitados teriam pinçado talentos que, ao longo do tempo, teriam sido burilados para chegarem, hoje, em condições concretas de disputar medalhas com fruto de um trabalho planificado. Mas o que Gesta de Melo fez ao longo desses foi tentar buscar medalhas isoladas, aqui e acolá, sem qualquer preocupação com o futuro da modalidade. E que não se diga que não cabe à CBAt atuar na base, nas escolas, porque esse é um discurso que se desmorona quando comprovamos que se trata de uma entidade que subsiste com dinheiro público e, portanto, tem que haver a contrapartida social. Mas a ideologia do mandato de Gesta de Melo foi de elitizar o esporte, de dar atenção exclusivamente ao topo. Quando o topo acaba, o que se vê é que também não há base.

Que a gestão de Gesta de Melo sirva como exemplo daquilo que não se deve fazer no esporte nacional, porque senão estaremos fadados a continuar vivendo de talentos esporádicos que surgem espontaneamente e que, de vez em quando, nos dão algumas alegrias nas pistas.

Ou começa-se a massificação já, ou será sempre mais do mesmo.

Os fracos resultados do atletismo e a difícil possibilidade de melhorar a curto prazo tem nome e sobrenome: Roberto Gesta de Melo.

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One Response to “O Problema do Atletismo do Brasil É Decorrência da Longa Gestão de Roberto Gesta de Melo.”

  1. Vicente Alves Says:

    Saudações. Mesmo que uma criança ingresse em um treinamento em clubes, essas tem responsabilidade perante o clube, da mesma forma que teria se fosse treinar em uma academia de natação, o pagamento das mensalidades. O que surpreende é o artigo 29 da Lei 9.615/98, delimitando, de uma forma arbitrária o prazo máximo de contrato com o jovem jogador (cinco anos). Deveria ser livremente negociado , inibindo eventuais abusos previstos no Estatuto da Criança e do adolescente. Quem sai ganhando são os agentes dos atletas, desprestigiado o justo valor devido aos clubes por toda a formação do atleta. Este limite de cinco anos para um clube contratar é medida autoritária, lesiva aos clubes. O caso Neymar é um dos recentes acontecimentos que ilustra este autoritarismo previsto em lei.

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