Home

Steven Roush e Sue Campbell. Quanto Ganham?

outubro 7, 2014

O Comitê Olímpico do Brasil (“COB”) gaba-se em dizer que para transformar o País em “potência olímpica” contratou dois consultores estrangeiros, Steve Roush e Sue Campbell. Isso foi novamente enfatizado pelo Diretor Superintendente do COB, Marcus Vinícius Freire, à entrevista que deu ao portal Esporte Essencial.

Algumas questões devem ser suscitadas com relação a esses dois estrangeiros contratados pelo COB:

Que tipo de trabalho eles efetivamente fazem? A contratação deles é realmente necessária? Qual é a expertise desses dois profissionais? Eles conhecem a realidade brasileira? Não temos consultores no Brasil habilitados para fazer o trabalho para o qual eles foram contratados? Não há técnicos brasileiros competentes para desenvolver suas modalidades? É imperioso buscar gente no exterior?

E há mais a se indagar:

Quanto ganham essas pessoas? Quais os termos dos contratos assinados com eles? Há como se saber se o dinheiro empenhado nessas contratações estão revertendo em benefícios reais para o esporte olímpico brasileiro? Houve licitação pública para contratá-los? Qual a modalidade jurídica adotada para tais contratações?

Recentemente estive no Tribunal de Contas da União (“TCU”), a convite daquela Corte, para expor aos Auditores da Casa alguns pontos que julgo relevantes de forma que possam controlar da melhor forma possível os gastos públicos com o esporte olímpico brasileiro. A questão da contratação dos consultores externos por parte do COB foi um dos pontos que levantei. E disse que todas as perguntas acima formuladas deveriam ser respondidas não somente ao TCU e demais órgãos governamentais de controle, mas à toda sociedade brasileira. Disse que entidade do sistema desportivo brasileiro que vive de dinheiro público, como é o caso do COB e das Confederações, não podem recursar-se a revelar contratos com empresas públicas patrocinadoras e consultores sob o argumento frágil de que “´há cláusula de confidencialidade”. No caso do patrocínio, trata-se de empresa pública financiando entidade de interesse público sustentada com dinheiro público. Não porque não divulgar os termos do contrato. No caso da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (“CBDA”), o ex-atleta Julian Romero teve negado seu pedido de ter acesso aos contratos de patrocínio dos Correios à entidade. Apenas conseguiu cópia de todos os contratos e os divulgou em seu website após obtê-los utilizando da Lei da Transparência. No caso dos consultores, como esses dois estrangeiros, são pagos pelo COB com dinheiro público da Lei Piva e, portanto, a sociedade tem todo direito de saber os valores e as condições gerais dos contratos.

Após os Jogos Olímpicos de Londres, Marcus Vinícius Freire foi indagado por um repórter da ESPN Brasil quanto ganhava Steven Roush. Ele hesitou e acabou por não responder, dizendo que isso não tinha que ser revelado. Discordo. Fosse eu a presidir um órgão mantido com dinheiro do povo, como é o COB, teria todo interesse em que rigorosamente tudo fosse absolutamente transparente e de conhecimento geral.

Acho que não é necessário a contratação de consultores estrangeiros para saber como conduzir o esporte do Brasil e melhorar sua performance. Temos no País muitas cabeças extremamente capazes de realizar trabalhos eficientes de massificação e consequente melhora de performance dos nossos resultados esportivos. Bastaria que o Ministério do Esporte e o COB dessem chance, vez e voz a essas pessoas. Ocorre que como não são pessoas consideradas do establishment e possuem discurso crítico, não são sequer ouvidas.

Sobre a questão da contratação dessa gente sem licitação pública, quero ressaltar o processo que tramita no TCU sob o número TC 006.120/2012-1, Natureza: Relatório de Acompanhamento, Entidade: Comitê Olímpico Brasileiro – COB que, entre outras coisas, verifica, conforme consta do Sumário do próprio processo “Baixa Publicidade de Licitação”. Absolutamente nada deveria ser contratado sem clara licitação pública. Não existe entidade de direito privado que se financie com dinheiro público e que, sob essa alegação, recuse-se a dar publicidade a todos os seus atos.

Espero que o TCU determine que os contratos com os consultores externos do COB sejam publicados no website do órgão. Como deveriam ser desde o princípio, sem exceções.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: