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Comitê Olímpico Brasileiro Muda Estatuto E Brinca de Democracia.

fevereiro 18, 2014

Depois de tremer — de frio– no rigoroso inverno de Sochi, Nuzman retornou ao calor do Rio para presidir a assembleia geral do Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”) que, hoje, alterou o estatuto da entidade. O mandato de quatro anos com direito a apenas uma reeleição para as entidades despotivas que recebem recursos públicos é um avanço. Mas que foi conquistado pelos atletas, pela sociedade e contraria frontalmente os interesses do COB e da maioria esmagadora dos cartolas.

Embora o COB, contrariado, tenha feito a alteração do estatuto na forma exigida pela lei, manteve espertamente os casuísmos que faz com que mudem as pessoas, mas não os grupos de poder, que sufoca a oposição e o enfrentamento de ideias. Em artigo que publiquei neste Blog em 02 de fevereiro listei as cascas de banana que o COB mantém no estatuto. Pois nada daquilo foi alterado e o Comitê continua sendo terreno de um senhor feudal e seus vassalos, mesmo que sustentados com dinheiro do povo. Haveria de se ter espírito altivo, democrático, ser olímpico no sentido próprio da palavra para alterar o estatuto como deve ser, como querem os atletas e pede a sociedade.

Mas o COB é formado por senhores de alma velha, grudados ao poder como as ostras agarram-se aos rochedos, cujas cabeças necessitam de um espanador para afastar o pó que nelas se acumula. Um órgão antiguado, que parece ter um fim em si mesmo, organizador de eventos e quase nada preocupado com o desenvolvimento esportivo.

Houve Confederações que fizeram propostas alternativas, mas que foram solenemente ignoradas, autoritariamente, pelo Pajé Olímpico. Dentre as Confederações temos uma, ou outra, realmente preocupada com o esporte. Algumas caminham ao lado de Nuzman por interesses diversos. Outras lutam por interesses pessoais próprios. E muitas delas são indiferentes ao que se passa e não se manifestam.

Quando o COB anuncia que agora “atleta tem voto na assembleia geral do COB”, como fez o assessor de imprensa chapa branca, mais uma vez essa gente conta mentiras dizendo verdades. Quem tem voto é exclusivamente o presidente da Comissão de Atletas que é escolhido pelo próprio presidente do COB. Ou seja, será, sempre, um atleta desfrutável, manejável. Nem a moção para que o Vice Presidente dessa mesma Comissão de Atletas também tivesse poder de voto da assembleia geral foi aceita pela diretoria do COB. Ou seja, a massa de atletas que conseguiu aprovar no Congresso Nacional a lei que veda as reeleições continua sem voz no COB.

Vitamina de sapo preto para os não democratas do esporte, senhores feudais, que não querem o esporte para todos, que não pensam no esporte como um elemento educador e de saúde pública, mas que só pensa na elite e cuja principal função é organizar eventos.

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7 Responses to “Comitê Olímpico Brasileiro Muda Estatuto E Brinca de Democracia.”

  1. Pedro Says:

    Dr. Alberto! O Sr. acha mesmo que este tipo de corja vai querer largar o osso do dinheiro público que entra aos baldes no COB? Já sabem que este dinheiro é fiscalizado por um Tribunal composto de gente que não tem mais o que fazer na política (TCU). Suas assembleias são compostas por pessoas que, igualmente, querem abocanhar os recursos públicos (Vide os escândalos nas Confederações).

    Querem acabar com essa lavagem de dinheiro no Esporte Brasileiro? Parem de DAR dinheiro público para esta gente.

    Será que Nuzman, Marcus Vinicius e outros teriam o mesmo êxito na iniciativa privada? O Sr. contrataria algum destes para o seu escritório? Creio que não.

  2. Pessimista Says:

    Como eu já havia previsto algum tempo atrás (em que pese o trabalho da Atletas pela Cidadania no Congresso), a MP não ia servir para nada e não teria efeito prático nenhum.

    Pois vão mudar os reis mas a “roupa” continuará a mesmo.

    E dali a pouco os reis, retomarão os seus tronos.

  3. Sandro Soares Says:

    Enquanto você critica, quem entende homenageia o Nuzman? http://www.ibmec.br/ibmecconvida

    Na ocasião, será concedido ao dirigente do COB o título de Professor Honoris Causa, um reconhecimento do Ibmec pelo trabalho de toda uma vida dedicada ao esporte brasileiro.


    • Realmente, muuta dedicação, desde a época do voleyball, em que as transferências internacionais de atletas e contratos de transmissões de televisão eram negociados com afinco, de tal sorte que é injusto até hoje não lhe terem dado o título de “O Professor”.


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