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O Atletismo do Brasil Dá Mais Mostras de Sua Fraqueza.

agosto 13, 2013

Não sou daqueles que acham que apenas medalhas em olimpíadas e campeonatos mundiais devam ser glorificadas. Reconheço que chegar à semifinais e finais são excelentes resultados. Por isso não desprezo o quinto lugar de Fabiana Murrer, muito menos o sexto lugar de Carlos Chenin. São grandes atletas. Mas mesmo em face disso, o atletismo do Brasil, mais uma vez, dá mostras de que vem sendo decadente ao longo dos anos.

Seguimos vivendo de valores esporádicos, de talentos naturais que despontam aleatoriamente e são lapidados. Os resultados do Brasil no mundial de Moscou são, novamente, a mostra de que a política servil de Gesta de Melo à frente da Confederação Brasileira de Atletismo ao longo de quase três décadas foi ruim para o País. Gesta de Melo conseguiu pouquíssimo se comparar a sua rica gestão com aquelas anteriores, que viviam à míngua e não tinham dinheiro para nada. Gesta de Melo teve vultosos recursos públicos para investir e desenvolver o atletismo. E não soube administrá-lo bem. Gesta de Melo não fez uma administração popular mas, ao contrário, elitista, privilegiando poucos, na tentativa vã de angariar algumas poucas medalhas, projeto esse que também deu errado. Gesta de Melo não apresentou um só projeto de massificação do atletismo nesses quase trinta anos em que passou na Confederação, com os cofres sempre abarrotados de dinheiro do povo. Tivesse Gesta de Melo feito uma administração voltada para a massificação do atletismo no Brasil, levando-o para as escolas, para os rincões mais carentes do Brasil, um trabalho de longo prazo, hoje o Brasil não estaria atrás do Djbuti no campeonato mundial de Moscou, como bem lembrou um atento leitor deste Blog.

Gesta de Melo gosta de dizer que em seu período na Confederação conseguiu ganhar mais medalhas que todos seus antecessores. Em primeiro lugar, o sucesso de uma administração esportiva não se mede por medalhas, mas por quem trabalha pensando no futuro, coisa que Gesta de Melo, está comprovado, nunca teve preocupação. Em segundo lugar, Gesta de Melo ficou quase trinta anos no poder, muito mais que seus antecessores e, natural que tivesse mais medalhas. Mas o pior de tudo é que essas medalhas que Gesta de Melo obteve nem foram assim tão mais numerosas que as de seus antecessores. O cenário piora muito quando vemos que, ao contrário de seus antecessores, que não tinham recursos para coisa alguma, Gesta de Melo nadou em dinheiro público. Portanto, se considerarmos o dinheiro que Gesta de Melo teve ao longo de sua enorme gestão, os resultados que obteve são pífios, irrisórios, inaceitáveis. Ou seja, Gesta de Melo com dinheiro público é quase igual aos seus antecessores sem dinheiro nenhum.

É muito importante que não se culpe a atual gestão da Confederação pelos fracos resultados no mundial de Moscou (tomara que ainda venha uma medalha no salto em distância) e nos Jogos Olímpicos de 2.016. O atual presidente, José Antônio Martins Fernandes, o Toninho, assumiu há poucos meses e o que se vê ainda é rescaldo do tenebroso período Gesta de Melo. Toninho tem um projeto de levar o atletismo para a escola e sabe que o trabalho é de longo prazo. Esse trabalho já começa a ser implantado e é necessário que ele tenha o apoio dos ententes estatais e do Comitê Olímpico Brasileiro (que normalmente está se lixando para projetos de base de longo prazo). É preciso que a Confederação Brasileira de Atletismo e os Ministérios da Educação e do Esporte unam-se em torno de um projeto para fazer o atletismo popular nas escolas. Aquela competição anual estudantil que o Comitê Olímpico Brasileiro e o Ministério do Esporte promovem não é projeto de desenvolvimento do esporte. Aquilo é apenas uma forma que ambas as entidades acharam de gastar um dinheiro do orçamento que, por força de lei, estão obrigados a fazê-lo com o esporte escolar. É uma forma que o Comitê Olímpico e o Ministério do Esporte acharam de se verem livres do esporte educacional.

Gesta de Melo é coisa do passado, assim como, espera-se, devem ser aqueles dirigentes que, como ele, estão ultrapassados e fazem do esporte essa política servil.

Espero que o Toninho ponha o atletismo do Brasil na trilha na modernidade, da massificação, da transparência, da popularização e que daqui a três ciclos olímpicos tenhamos uma equipe à altura de nossas reais potencialidades.

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5 Responses to “O Atletismo do Brasil Dá Mais Mostras de Sua Fraqueza.”

  1. aroldinho cara brabo Says:

    cara vc se contradiz demais , meu deus, recalque de nao ter conseguido vencer a elicao do cob…
    medalha na vale nada, medalhas poucas, meldahas nao valem nada, poucas medalhas vencidas

  2. Potência olímpica Says:

    Seja no nº de semi-finais (que considero importante), seja no nº de finais (que tb são importantes) ou no quadro de medalhas (que igualmente tb é importante), um país com as dimensões do Brasil, com o tamanho da população que têm o Brasil, não pode (e não existe desculpa nenhuma para isso) ficar atrás de uma “tirinha” de terra no leste da África como o tal do Djibuti:

    Aliás um país (se é que pode-se chamar de país – com todo respeito a seus habitantes) com uma população de 792 mil habitantes e que, com certeza, não dispõe de um milésimo da verba pública que jorra no nosso esporte.

    A verdade é dura: alguma coisa há de errada no “Reino da Dinamarca”.

    P.S. O Brasil tb aparece atrás de um tal Botsuana (deve ser uma super potência olímpica) no quadro de medalhas.

  3. Milton Says:

    Infelizmente não é somente no atletismo. Este é o grande mal do esporte Brasileiro. Não temos presidentes e sim “donos” de federações entre outros cargos no escalão politico. As politicas pró esporte, são viciadas, verbas mal empregada, e falta de politica para as bases. Precisaria uma reformulação total, principalmente no formato das eleições, o direito de votos deveriam ser dos atletas, principalmente os federados há anos com conhecimento do trabalho.

  4. Celso Says:

    Nunca entendi e já perguntei para pessoas do ramo, como é possível um país como o Brasil nao ter 01 (um) mísero velocista no atletismo? Nao tem explicação e por essa falha se pode constatar que tem algo muito errado! Falta de dinheiro nao é pois é uma das pouquíssimas confederações que sempre foi muito bem atendida pelo COB nas divisões inexplicáveis da verba federal e nas ajudas para se conseguir patrocínios. O problema é pior.


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