Home

O Clube Tietê Não Pode Simplesmente Desaparecer.

outubro 29, 2012

Quando o esporte ensaiou seua primeiros passos em nossa terra, o Brasil procurou deixar para trás um passado melancólico, provinciano. Deixou para trás a filosofia arcaica do Brasil-Colônia e observou o universo com a consciência de um valor que se corporificava à sua frente. A inserção do esporte na nossa sociedade foi gradual. A estrutura do esporte nacional foi sendo elaborada, aos poucos, adquirindo forma, recebendo toques da influência alienígina de um lado e, de outro, os tons definidos do elemento autóctone. O primeiro a buscar a auto-suficiência foi o futebol, que se tornou uma arte específica, um padrão.

Aos clubes coube o importante papel da evolução do nosso esporte. Foi com o surgimento das agremiações desportivas que, além do futebol, a juventude tomou conhecimento do cricket, tênis, atletismo, basquete, volei, judo, vela e outros. Nesse contexto, clubes como o Paulistano, Pinheiros, Tênis Clube Paulista, Espéria e Tietê,
para citar alguns exemplos, tiveram papel essencial na formação de cidadãos e cidadãs que, pelo esporte, foram e são verdadeiros exemplos para as gerações que se sucederam. E até hoje os clubes continuam sendo a célula mater do esporte brasileiro.

Se a partir de 1.950, que foi um ponto de definição, o Brasil assumiu definitivamente a liderança do esporte sulamericano, isso deu-se, sobretudo, pela pujança dos clubes de São Paulo e Rio, com ligeiros reflexos em Minas Gerais e nos Estados do sul. As transformações sócio econômicas pelas quais o Brasil passou a partir daí alteraram profundamente o cotidiano das pessoas. A atrofia do sistema viário de uma metrópole como São Paulo também serviu para dificultar, ou mesmo afastar dos clubes aqueles que se dispunham a, em horários alternativos, praticar esportes. Mesmo pressionados por condições econômicas amplamente desfavoráveis, os clubes, enfrentando dificuldades, seguiram sua missão de aperfeiçoar aspectos morais, físicos e intelectuais dos brasileiros, estimulando o exercício da educação física.

Dentro desse cenário, o Clube de Regatas Tietê, às margens do rio de mesmo nome, ocupou posição de grande destaque. Quem leu ontem no Estadão a excelente coluna do Ugo Giorgetti viu que alguns dos maiores nomes do nosso esporte, foram forjados no Clube Tietê. Maria Esther Bueno, Maria Lenk, Amaury Pasos e tantos outros, faziam do Tietê uma referência mundial no esporte. Sim, mundial mesmo, já que de suas praças de esporte surgiam atletas que despontavam para o universo.

É lamentável observar que, às vésperas de uma Copa do Mundo e Olimpíada que serão realizadas em nossas plagas, um clube de tantas tradições simplesmente desapareça, como se São Paulo e o Brasil a ele nada devessem. Há de haver uma solução. Ocorre que como o esporte não é no Brasil questão de governo, as agremiações que fazem parte do nosso patrimônio cultural e esportivo ficam a mercê de sua própria sorte. Que o Prefeito eleito, Fernando Haddad, encontre espaço em sua atribulada agenda para uma solução para o Clube Tietê.

Anúncios

2 Responses to “O Clube Tietê Não Pode Simplesmente Desaparecer.”

  1. virginia Says:

    Afinal de contas o Clube fecha ou não ????

    Curtir

  2. Ivan Says:

    Achei muito interessante e relevante seu post.

    Atenciosamente,
    Wallace Alexandre

    Curtir


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: