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A Farsa Eleitoral Em Cuba.

outubro 21, 2012

Em meio a novos rumores da morte do ditador Fidel Castro, Cuba realiza eleições. Assim como em todas ditaduras, o voto em Cuba não passa de um simulacro, em que os eleitores têm o direito de votar em um candidato que apoia o regime ou, se preferir, em outro candidato que também apoia o sistema. Ou seja, o cubano pode apenas escolher qual dos dois delegados irá, em seu nome, invariavelmente, bater palmas para os Castro e seus apaniguados. Eleição em Cuba é uma farsa.

Estive três vezes com Fidel Castro, uma delas no Palácio de la Revolucion, depois em um almoço e, posteriormente, em um jantar, todas elas em Havana. Fidel é extremamente carismático. Uma pessoa culta, de hábitos refinados, muito diferente daquilo que dele se imagina ao vê-lo na televisão. No meu primeiro encontro com Fidel estavam presentes, dentre outros, o então prefeito de Atlanta e o magnata das comunicações Ted Turner, acompanhado de sua mulher à época, Jane Fonda. Fidel fez troça com o prefeito de Atlanta. Ambos conversavam animadamente. Fidel sugeriu ao político dos EUA que se candidatasse à presidência e que, se ganhasse, poderiam reatar as relações diplomáticas entre os dois países. Todos riram.

Oficialmente não existe Embaixada dos EUA em Havana. Outra farsa. Existe, sim. E quando estive lá, fui informado que a missão norte-americana em Cuba era maior do que qualquer outra, incluindo China e Rússia. A Embaixada dos EUA em Havana fica em um bairro nobre, de mansões, aonde vivem diplomatas e alguns chefões do comunismo cubano. Disse-me o Embaixador dos EUA em Cuba que pelo menos uma vez por semana tinha longos encontros com Fidel Castro.

Certa noite, caminhando por Havana velha, tarde da noite, deparei-me com um policial. Puxou conversa. Os cubanos são muito simpáticos. Conversamos por mais de duas horas. Falamos de política. Os conceitos de democracia do guarda em Havana eram muito curiosos. Achava ele que Cuba era a democracia perfeita, pois os cidadãos comuns reuniam-se em bairros e discutiam, aberta e livremente, para escolher quem seria o representante daquele Distrito no Congresso. Tentei saber o que ocorreria se um cidadão comum fosse a uma dessas reuniões abertas e desandasse a esculhambar Fidel, o comunismo, o paredão e o regime. A resposta foi que isso não ocorria porque o cubano era feliz, tinha educação, saúde. Ah, então está bom!

A via Malecon é de dar pena. Cubanas famintas e maltrapilhas ofereciam o corpo em troca de peças de roupa. Dirigi para o interior de Cuba. Não locais de turistas, como Caio Largo, por exemplo. Mas cidades de cubanos comuns. Ví muita miséria. Irreal que Cuba tenha medicina invejável, escolas modelo. Não tem. Falta tecnologia, falta material, falta dinheiro, falta dignidade. Eu vivo no meio do esporte e vejo que técnicos, atletas e árbitros cubanos não raro guardam diárias que recebem em dinheiro, papa poupar e alimentam-se de de biscoitos. Nos Jogos Panamericanos do Rio 2.007, o responsável pela Vila, a certa altura, teve trocar os sucos de caixinha por líquidos em jarras, bem como talheres de metal, por outros de plásticos. Nos primeiros dias, os cubanos enchiam as mochilas de sucos, comidas e talheres. Basta perguntar a quem lá estava.

Até entendo que na década de 60 a revolução cubana despertou uma aura de romantismo, que se contrapunha às sangrentas ditaduras militares de direita. Mais ainda, era a antítese do fascínora Fulgêncio Batista. Mas o tempo passou. E Fidel mostrou-se tão cruel quanto os demais ditadores cucarachos. Fidel prendeu e matou opositores, impediu partidos de oposição, manteve presos políticos, censurou a livre expressão de artistas e escritores, tolheu, como faz até hoje, a liberdade do povo.

Os americanos, por sua vez, mantêm o ridículo embargo à Cuba, como se aquela ilhota de gente faminta pudesse ser alguma ameaça. O embargo é bom para Fidel, o sucessor Raul e sua gente. Eles têm em quem por a culpa pela situação de penúria em que vive o país.

Há muito tempo deixou de ser gracioso, charmosinho e glamuroso enaltecer Fidel, Cuba e a elite do regime. Para mim, essa gente é tão ditatorial como são aquela do Oriente Médio. É igualzinha ao Medici, Somoza, Pinochet, Stalin e Pol Pot.

Já está na hora de os EUA deixarem de lado esse embargo idiota. E desses ditadores cubanos deixarem livres os seus cidadãos e pedirem asilo político em algum lugar da Europa, para gozarem o dinheiro que, certamente, ao longo de tantos anos devem ter surrupiado dos cofres públicos.

Democracia já, na Síria, em Cuba e em toda parte.

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4 Responses to “A Farsa Eleitoral Em Cuba.”

  1. Jorge Maluf Says:

    Parabéns pelo texto, concordo em 100%, e ainda tem gente que acha que essa situação é boa… Abraços, Jorge.

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  2. Ao mesmo tempo em que o embargo enfraqueceu a população, ampliou os poderes da família Castro. Não há uma análise melhor do que essa: os próprios EUA alimentaram o mito de Fidel Castro e, com isso, a população cubana vem sofrendo ao longo de 4 décadas com essa ditadura estúpida.

    Ótimo texto e um ótimo relato da situação do País.

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  3. Os criminosos “democratas” americanos sustentam Castro no poder atravês desse “embargo” e a Maçonaria Americana sustentam Castro, porque Castro deixou a Maçonaria livre em Cuba!

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  4. Nicolau Says:

    Vai “votar” em quem se tem só um partido e ditadura comunista?! Castro o criminoso ditador comunista está no poder desde 1959, sustentado pela Maçonaria Americana só porque Castro deixou a maçonaria livre em Cuba!

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