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Quarenta Anos Esta Manhã.

setembro 4, 2012

Lembrou-me ontem o amigo jornalista Marcelo Laguna que no dia 05 de setembro faz quarenta anos do massacre à delegação de Israel ocorrido nos Jogos Olímpicos de Munique. Não fosse o lembrete do Laguna, a data me teria passado em branco.

Eu estava lá, em Munique, aos seis anos de idade, presenciando meus primeiros Jogos Olímpicos. Por coincidência, no dia do ataque terrorista eu visitaria a Vila Olímpica. Lembro-me bem disso porque visitar Vila era motivo de ansiedade, ver de perto os atletas. Pois na manhã daquele cinco de setembro o passeio estava cancelado. E não era somente a visita à Vila que fora cancelada, mas qualquer outra atividade estava proibida.

O que aconteceu naquele dia é o pior momento da história olímpica. Lembro-me que pela manhã fomos para o hotel do COI, em que meu avô estava hospedado. Meu avô era membro da Comissão Executiva do COI, naquela época composta por nove pessoas. Desde muito cedo, quando anunciou-se o atentado, a Comissão Executiva do COI estava reunida com as autoridades alemãs. E assim ficaram o dia todo, até aquele final terrível, com aquela carnificina no aeroporto de Munique.

A Primeira Ministra de Israel, Golda Meir, de cara informou ao COI que não negociaria com os terroristas. Os terroristas exigiam um avião. O governo alemão e o COI tentaram com outros chefes de Estado que autorizassem o pouso daquele avião em seus países, entendo que assim poderiam salvar a delegação de Israel da matança. Todos recusaram. Aquele avião nunca decolaria do aerporto internacional de Munique. Os membros da Comissão Executiva do COI ofereceram-se como reféns em substituição aos atletas e dirigentes israelenses. Os terroristas recusaram.

No saguão do hotel do COI, a essa altura repleto de seguranças fortemente armados, muitas pessoas amontoavam-se diante das televisões. Um clima pesadíssimo. Lembro-me bem de ver as cenas daquelas pessoas encapuçadas na varanda do alojamento da Vila. Eram imagens assustadoras. O mundo do esporte não estava acostumado com aquilo, ser alvo de atentados terroristas. Havia receio de que outras ações seriam intentadas.

Impossível descrever o clima que havia no estádio olímpico durante o culto ecumênico realizado no estádio
olímpico, no dia seguinte. Tinha que estar lá para sentir.

Durante os anos lí bastante sobre o assunto. E tive oportunidade de ouvir dos protagonistas daqueles momentos relatos sobre aquele que foi o pior dia da história dos Jogos Olímpicos. Hoje acho que o presidente Brundge, do COI, agiu corretamente em determinar a continuidade dos Jogos. Seguir com a competição não era um desrespeito aos esportistas israelenses. Pelo contrário, era uma homenagem, a demonstração que, mesmo diante daquela atrocidade sem precedentes na história do esporte, o Movimento Olímpico seguiria sua missão. Cancelar os Jogos seria mais ou menos como “ter negociado com os terroristas”, coisa que Golda Meir rechaçou desde o primeiro minuto. Bobagem dizer que os Jogos continuaram por pressão de patrocinadores. Nada disso. Estavam todos muito comovidos com tudo aquilo. O Avery Brundge era um sujeito correto, olímpico, purista e entusiasta dos valores amadorísticos que naquela eram o norte do Movimento Olímpico.

E foi a partir daí que os Jogos Olímpicos passaram a ter segurança máxima. Em Montreal, quatro anos depois, a
conversa já era outra. Quem viu Olimpíada até 1.972, viu. Quem não viu, nunca mais verá como era antes.

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One Response to “Quarenta Anos Esta Manhã.”


  1. . . .é, sobre tudo, educativo esse artigo.


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