Home

De Londres 2.012 ao Rio 2.016.

agosto 12, 2012

Depois de estar presente à minha décima segunda edição dos Jogos Olímpicos, Londres é das melhores que já estive. Mobilidade urbana, organização e respeito no atendimento ao público, qualidade das instalações, a generosidade dos voluntários, do povo e, sobretudo, uma competição correta do ponto de vista de gastos públicos e do legado esportivo.

Ao final dos Jogos, não ficarei aqui somando medalhas, interpretando quadro de medalhas, o que dá margem a muita discussão.

Agora a bola está conosco. Esse ciclo olímpico, que começa hoje, cabe a nós, a todos os brasileiros, a responsabilidade de bem fazê-lo. Quem realiza uma Olimpíada não são meia dúzia de engravatados, mas toda uma nação. Olimpíada sem a participação do povo não passa boa imagem. Dependerá dos dirigentes atrair, engajar o povo na organização do certame olímpico. Se forem feitas mazelas, mutretas, falcatruas, o povo se dissociará da Olimpíada brasileira.

O ciclo olímpico que se inicia hoje pode ser o motivo para a grande revolução do esporte brasileiro. A meta não deve ser simplesmente aumentar o número de medalhas da nossa delegação. Isso até é o de menos, até porque em quatro anos é impossível alterar significativamente a realidade esportiva do país.

O que esse ciclo olímpico pode fazer é despertar nas autoridades o desejo de alterarem-se os conceitos que comandam o esporte brasileiro. Há necessidade premente de se juntar um grupo de gente honesta, competente, do esporte, para discutir e implantar uma política desportiva social, que possibilite aos professores de educação física de todos os Estados ensinarem, de verdade, essa disciplina nas escolas, que deve ser tão relevante quanto são as demais matérias da grade. E quando surgirem alunos que se destacarem em alguma modalidade, que seja possível encaminhá-los para os clubes, ou para outros centros de aprimoramento.

Não é possível que em um país de duzentos milhões de habitantes, tenhamos que formar as nossas delegações olímpicas com atletas, majoritariamente, oriundos, ou que treinam em dois, ou três Estados da Federação. Com um manancial tão grande, não podemos aceitar resultados fraquíssimos em atletismo. O atletismo, não somente em Londres, mas no curso dos anos, é o reflexo e o exemplo mais fiel de que nosso país ignora projetos esportivos de longo prazo. Nessa modalidade, longo prazo é apenas o mandato do atual presidente da Confederação que, para o nosso bem, está nos seus extertores.

Os Ministério do Esporte, Saúde, Educação e Defesa devem comunicar-se e atuar em conjunto para o desenvolvimento esportivo. Esporte é saúde, é educação, é cultura. Antes de tudo, o mais importante é estimular e possibilitar que nosso povo pratique esportes, criando, assim, a mentalidade olímpica que tanto bem fará ao Brasil. As Forças Armadas possuem excelentes quadros e instalações esportivas, que são sub-utilizadas. Poderiam e deveriam estar à disposição do povo. É necessário que as instalações esportivas que temos nas cidades, ainda que poucas, sejam colocadas em condições de bom uso e que fiquem abertas em horários alternativos, com professores à disposição, para que aquele cidadão que trabalha o dia todo possa, também, praticar exercícios físicos.

O discurso do Comitê Olímpico Brasileiro, hoje uma entidade muito rica abastecida com dinheiro público, não pensa assim. Por isso é que cabe aos Governos, Federal, Estadual e Municipal tomar as rédeas esse processo e começar amanhã a grande revolução do esporte brasileiro.

Anúncios

3 Responses to “De Londres 2.012 ao Rio 2.016.”

  1. Jan Says:

    Olá Alberto, fazem 4 anos que discutimos isso. Por decreto não será. Muda? Relembro este texto( https://albertomurray.wordpress.com/2008/11/04/por-jan-willem-aten-velejador-olimpico/)

    Curtir

  2. Julio pesquisa Says:

    Alberto, hoje mesmo estava num parque de SP e pensava em como seria útil termos professores de educação física ministrando aulas de atletismo, basquete, volei, futsal, tenis de mesa, entre outras para crianças. Muitas estavam sem fazer nada, outras fazendo coisas erradas. Falta que os que comandam tenham carinho com a administração pública. E falta a todos nós, cobrar, se engajar para quem sabe um dia mudar esse estado quase jurássico de coisas.

    Curtir

  3. Carlos Says:

    Este é um país de pulhas.
    Só se vê é gente passeando com nosso dinheiro!
    Ninguem controla esses gastos? Ninguem reprime a despesa inexplicável com nosso dinheiro? Nenhum órgão controlador percebe que todos os funcionários do COB vão passear nas Olimpíadas com nosso dinheiro?

    Curtir


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: