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O Profissionalismo Exacerbado Tem Sido Ruim Para O Esporte.

julho 19, 2012

Para garantir a sobrevivência dos Jogos Olímpicos, Juan Antonio Samaranch, ao assumir a presidência do COI, na década de oitenta, obrigou-se a fazer enormes concessões que resultaram no profissionalismo completo dos Jogos. Ele não tinha muita saída. Os Jogos de Montreal haviam sido um retumbante fracasso financeiro. Não havia cidade que quisesse sediar os Jogos de 1.984. E como se não bastasse, os boicotes em Moscou e Los Angeles também assombravam o futuro do Movimento Olímpico.

Eu acompanhei tudo isso de perto e com atenção. Meu avô, Sylvio de Magalhães Padilha, nos anos oitenta, era membro do Comitê Executivo do COI. E até 1.979 havia sido seu Vice Presidente. Também presidia o Comitê Olímpico Brasileiro. Naquela altura ainda havia no COI vários integrantes que professavam o Olimpismo na sua verdadeira essência. Por isso, as concessões irrestritas feitas por Samaranch eram vistas com ressalvas. Meu avô, que era um bom amigo de Samaranch, dizia “O Samaranch abriu demais”, referindo-se ao balcão de negócios que se tornaria o Movimento Olímpico. Dizia meu avô para mim que o profissionalismo olímpico sem limites levaria o esporte a ser um lugar muito propício para enriquecimento ilícito. E, mais ainda, um estímulo ao doping, já que os valores gigantescos em jogo dariam aos atletas o incentivo da vitória a qualquer custo.

No Brasil não foi diferente. Surgiram, naquela época, “super dirigentes modernos” que descobriram o esporte como fonte de renda e pressionavam para que o Comitê Olímpico Brasileiro também se entregasse aos prazeres do profissionalismo. Sugeriram criar no COB uma “vice presidência de marketing”. Meu avô resistiu a todo tipo de pressão e, olimpicamente, segurou as rédeas do COB, mantendo-o em sua habitual posição de destaque, longe dos escândalos financeiros e das negociatas com a televisão. Haviam muitas ofertas de patrocínio ao COB, naquela época. Mas todas elas contemplavam o pagamento de um “rebate”, ou seja, propina para intermediários e agentes, inclusive de empresas estatais. Faziam propostas sedutoras para corrompê-lo. Claro, tudo isso era rechaçado com veemência. Alguns chamaram-no de antiquado. Tem muita gente por aí que é testemunha disso tudo, entre eles o Richer, que dizia que “o Padilha fuzilava com olhar aqueles que iam ao Comitê propor coisas erradas”.

Hoje em dia o esporte, de fato, virou um manancial de dinheiro, inesgotável, um balcão de negócios. E ao mesmo tempo tornou-se o templo sagrado de uma camarilha de gente corrupta que paga e recebe dinheiro sujo. O doping tornou-se um problema seríssimo e o seu tráfico internacional é tão lastimável quanto ao de drogas.

E o espírito olímpico virou apenas retórica para tentar escamotear os cambalachos.

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One Response to “O Profissionalismo Exacerbado Tem Sido Ruim Para O Esporte.”


  1. Lamentável essa situação do esporte!

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