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Meias Verdades.

junho 19, 2012

Ontem o CQC colocou no ar um quadro brilhante.  Vestiu um de seus produtores com várias peças que colhetaram com mendigos das ruas de São Paulo. Tudo, calça, camisa, sapato, um pano vermelho enrolado ao pescoço, chapéu e uma espécie de coletinho. Peças velhas e rasgadas. O rapaz, passando por “modelo”, entrou trajando essas roupas em um conceituado desfile de modas que ocorreu em São Paulo na semana passada, frequentado pelos grandes nomes do setor, empresários, estilistas, críticos e modelos.

O repórter do CQC, Mauricio Meireles, fez que não conhecia o “modelo”. Ligou a luz de filmagem e começou a entrevistá-lo. Não demorou muito para que pessoas parassem para assistir. Mauricio Meirelles perguntava ao público o que achava daquela “proposta de moda” que o moço apresentava. Os entrevistados eram só elogios. Buscavam todos os tipos de metáforas para ressaltar o bom gosto, a audácia, a combinação de cores e formas. Um deles disse que aquelas roupas custavam muito caro, pois o material “era importado do exterior e lá fora esse tecido é muito caro”.

Quando o entrevistador dizia que o “modelo” era um produtor da equipe do CQC e que as roupas tinha sido obtidas de moradores de rua, as caras dos críticos eram impagáveis. Bela matéria, espirituosa, bem homorada e que também nos faz refletir sobre o que escrevem e falam os chamados formadores de opinião, em todas as áreas deatividade. Neste caso, em especial, os telespectadores sabiam de antemão que se tratava de um blague. Mas os “formadores de opinião” da indústria da moda não. E desandavam a nos dar informações precisas e detalhadas sobre o “estilo de vestir-se do modelo.” Diziam da tal “tendência” da moda.

Leve esse fato para outros campos do conhecimento humano. Imagine-se vendo na televisão, ou lendo nos jornais, uma reportagem sobre ecologia, por exemplo, para citar algo que está bem em voga. Ecologia é um setor importante em que muita gente fala bastante, usa termos específicos, cita dados muito particulares e faz previsões que nos afetam diretamente. Eu, que não entendo nada do assunto, me fio naquilo que disseram, afirmaram, os experts no assunto. Como desconheço totalmente a questão, não tenho argumentos para rebater, debater nada daquilo. E como eu devem haver milhões de pessoas no mundo que veem especialistas falando sobre os mais variados tópicos com absoluta propriedade. E as informações e análises que ecoam passam a valer como verdades. Como somos ignorantes na matéria, não há como contestar.

O mundo deve ser feito de meias verdades. Muita coisa do que se fala por aí deve ser um apanhado de bobagens. Fazem o trote do CQC sem saber que o estão fazendo.

 

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