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Os Estafetas de Imprensa de Carlos Arthur Nuzman.

maio 8, 2012

Já escrevi aqui sobre esse assunto. Tirando o bom salário que deve receber, muito acima da média de seus colegas de jornalismo, ser assessor de imprensa de Carlos Nuzman deve ser o fim da picada. Fico na dúvida se a assessoria de imprensa de Nuzman realmente acredita no que seu patrão diz, ou se apenas exerce o ofício porque todos nós precisamos trabalhar. Assim, eles tapam o nariz e engolem o sapo. Não é possível que o desejo de um jornalista seja cercear o próprio livre arbítrio e a independência de opinar livremente, sob qualquer tema.

Quando fui falar no Senado Federal, naquele dia famoso em que Orlando Silva e Carlos Nuzman fugiram do debate comigo, havia um desses assessores de imprensa de Nuzman que ficou o tempo todo assitindo a tudo. De vez em quando se sacudia na cadeira do fundo e murmurava qualquer coisa, sempre que se imputava ao seu chefe e ao COB alguma culpa pelo estouro no orçamento dos Jogos Panamericanos Rio 2.007. Resmungava ele que a culpa do “orçamento muito flexível” não era do COB, nem do Co-Rio, mas dos níveis de govermo, como se as duas entidades “privadas” não estivessem envolvidas até a alma com a organização daqueles jogos.

Eu olhava para o fundo da sala e sentia pena daquele assessor de imprensa, ávido em anotar tudo para depois, provavelmente, relatar tim tim por tim tim ao patrão. Pensei que um dia aquele profissional da imprensa ingressou na faculdade e sonhou ser livre, desapegado de interesses, para escrever, falar, noticiar segundo os fatos reais e dando a própria opinião sobre as coisas. Imaginava quão frustante não deveria ser para aquela pessoa estar ali, em uma audiência pública no Senado Federal, servindo não como jornalista, mas, talvez, como um cão de guarda de seu dono. Ele, jornalista, tolhido, encuralado, não poderia sair dali com opinião própria. Não lhe seria possível expressar sua opinião. Teria que rezar pela cartilha de quem lhe paga o alto salário. Vale a pena um jornalista sacrificar sua carreira para bem servir a um senhor e defender publicamente posições extremanente polêmicas? Qual é o grau do desgaste da imagem que sofre um profissional como esse? Qual é a credibilidade que esse jornalista terá quando deixar o posto, ou for demitido? Para mim,  aqueles jornalistas que em algum momentos serviram aos generais da ditadura, ficaram com um indelével carimbo na testa.

Também já disse que na estrutura de poder do Comitê Olímpico Brasileiro existe  uma rigorosa fiscalização de tudo que sai publicado contra a entidade. Há umas pastas em que se guardam artigos que referenciam aqueles que, segundo as suas próprias avaliações, são contrários “ao regime”. Quando falei isso (as pastas de fato existem!), Nuzman processou-me. E perdeu (processe de novo!). Quando um jornalista escreve algo que desagrade ao dono do COB, não demora para que esse jornalista receba um convite para visitar a entidade, com as despesas de passagens devidamente pagas. Os bons jornalistas não se furtam à visita. Vão no rastro da notícia, da investigação. Mas não aceitam receber as passagens do COB. Pagam as suas despesas. E esses mesmos bons jornalistas saem dessas visitas cada vez mais convictos de que o COB está muito mais preocupado em organizar eventos, construir grandes obras, pagar alta folha de salários, do que incentivar a prática desportiva no Brasil. Claro que também devem haver jornalistas desfrutáveis, que se deixam seduzir por um faustoso almoço em algum restaurante caro. Quando isso ocorre, talvez o assessor de imprensa respire aliviado e pense: “Ufa. Missão Cumprida.”

Nuzman muitas vezes, antes de falar alguma coisa em entrevistas, olha para a sua assessoria de imprensa, como quem pede o consentimento para respnder àquela pergunta. Vocês que entrevistam o Nuzman, reparem nisso. Fico aqui pensando que ele e seus jornalistas assessores ficam dias e dias ensaiando expressões, caras, sorrisos, olhares, tudo para, no mundinho deles, cultuar a “boa imagem do líder”. Acho que esse trabalho não tem dado muito certo, vez que o COB e sua gente só tomam pauladas.

Ser um assessor de imprensa desse jeito, a pessoa está mais para estafeta, guarda costas, do que para exercer o trabalho jornalístico em sua plenitude.

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4 Responses to “Os Estafetas de Imprensa de Carlos Arthur Nuzman.”

  1. Pedro Says:

    Dr. Alberto,
    O Sr. é sempre muito preciso em suas abordagens. Mas preciso discordar de uma coisa: impossível prestar atenção no jornalista do Nuzman quando vemos o próprio Nuzman cheio de tremederas, chiliques e cacoetes ao ser indagado com uma pergunta.

    Abs.

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  2. Novamente discordo da sua opinião. Simplificar a visão de jornalista como a de um repórter comprometido com a opinião pública é desmerecer o trabalho do assessor de imprensa, o importante elo de ligação entre uma empresa (ou no caso, uma entidade) e os meios de comunicação. A missão do assessor de imprensa é sim transmitir a mensagem positiva do seu cliente, não há nada de errado nisso. Ele é pago para isso e optou pela carreira porque não foi forçado a aceitar o cargo – ele é um funcionário. Em seu último artigo abordando o assunto, acho que há 3 anos atrás, comparei o trabalho do assessor de imprensa ao de um advogado em defesa, por exemplo, de um cliente de comportamento duvidoso (um criminoso, por assim dizer). Por ética e juramento, o advogado não vai julgar se o que seu cliente fez foi certo ou errado, irá sim auxiliá-lo na esfera jurídica para através de brechas e jurisprudência minimizar seu julgamento ou até mesmo anulá-lo. Quem defende o tal traficante Nem pensou em como ficará sua carreira quando o caso encerrar? Quem irá contratar um advogado que defende um notório bandido? Ou ainda um político mais sujo que pau de galinheiro? Não, por incrível que pareça este tipo de “currículo” enriquece o advogado! Portanto, a resposta para a pergunta “Qual é a credibilidade que esse jornalista terá quando deixar o posto, ou for demitido?” é: MUITA. Esse jornalista será muito bem reconhecido pelos profissionais da área e também será muito bem relacionado no mercado, pois o seu trabalho foi concluído de acordo com o que foi contratado. Publicitários não são contratados para vender a boa imagem de um produto, por mais mal que este faça à saúde?
    O trabalho do assessor de imprensa do Comitê Olímpico Brasileiro é sim um trabalho bem feito. E de acordo com o código de ética da profissão, também é um trabalho ético, pois lida com diversos tipos de informações confidenciais que protege em favor do seu empregador. Acho que juntar este profissional aos problemas políticos da instituição não é justo. Senão teria que também questionar o porquê do contador daquela entidade ainda trabalhar lá, ou até mesmo recentemente questionar o porquê de ex-atletas estarem procurando emprego dentro do COB, pois farão parte do “esquema”.
    Além disso, o Nuzman DEVE consultar sim seu assessor de imprensa, assim como políticos consultam marqueteiros e a presidente Dilma consulta seus assessores políticos. O assessor tem que auxiliá-lo nas respostas à imprensa, é uma de suas funções! Se ele discorda ou não do que está acontecendo, na minha visão é simples de resolver: abandone o emprego. Se está defendendo uma pessoa de moral bem duvidosa, abandone a defesa.
    Mas o salário é bom, o empregador está contente e apesar dos pesares, o COB é um grande centro de produção de informação pra mídia, ou seja, trabalho é que não falta. Por que então sair?
    Agora, é o cliente/empregador quem determina a linha do trabalho do assessor de imprensa. Se o assessor só divulga azul mesmo que o trabalho seja branco, não é culpa dele. Quem é que disse pra divulgar só coisas brancas?

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    • Vários jornalistas que conheço e respeito não se prestariam a esse papel. Mas entendo que há alguns que aceitam, por dinheiro. O que achei mais legal no seu comentário foi a comparação da atuação de um assessor de imprensa com a defesa em Juízo de com “um criminoso”, “notório bandido”, “político mais sujo que pau de galinheiro”, “esquema”, “moral duvidosa”, eh, eh! Ou seja, o assessor está lá para defender mesmo, ainda que não seja advogado. Interessantes as comparações que Você fez. Bem colocadas! Abraços.

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      • Pedro Says:

        Acho que o silêncio teria sido a melhor saída para o nosso ‘dublê’ de jornalista. Mesmo que inconsciente acabou por comparar o seu ‘patrão’ a…….esquece.

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