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A Incompetente Gestão Olímpica do Brasil, Incluindo Sergio Cabral e Eduardo Paes, Querem Liquidar De Vez Com O Remo No Rio de Janeiro. Texto De Carlos Martins.

abril 23, 2012

O fim do Estádio de Remo da lagoa, texto de CARLOS MARTINS.

Copenhague, Dinamarca, 2009: Assim que o Rio de Janeiro foi escolhido para as Olimpíadas 2016 não faltaram dirigentes, políticos e discursos ufanistas.

O presidente Lula, com lágrimas nos olhos, declarou na ocasião que “é preciso evitar que ‘gringo’ leve medalha na Olimpíada do Rio”. Infelizmente ficamos nas promessas e a realidade transformou-se em decepção para todos que esperavam o ressurgimento do remo no Brasil.

Essa frustração com as promessas para o esporte não é novidade. No Pan2007 gastaram milhões do dinheiro público e não deixaram legado algum para o remo. Ou pior, além de não ficar com nada, o remo agora perde sua principal vitrine e a esperança de fazer seu Centro de Treinamento no mesmo local onde serão as Olimpíadas 2016. Melhor oportunidade, impossível.

O Estádio de Remo, um bem público tombado, está misteriosamente envolvido numa luta do Ministério Público contra a Glen Entertainment. Esse episódio serve para demonstrar a contradição que separa a hipocrisia existente no discurso do poder público e a realidade do esporte nacional.

Causa indignação saber que a privatização questionável do Estádio de Remo foi transformada em disputa judicial por que o poder público fugiu de sua responsabilidade com aquela praça pública e permitiu seu sucateamento. É incompreensível que o governador Sergio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, que investiram milhões para trazer as Olimpíadas para o Rio de Janeiro, se calem e não ajudem o Ministério Público nessa luta A FAVOR DO ESTÁDIO DE REMO. A estranha forma dessa privatização dá margem à especulações, principalmente quando sabemos que o Estádio está situado em uma das áreas mais valorizadas do país às margens da lagoa Rodrigo de Freitas.

Dia 22/4/2012 a TV Alerj fez um programa sobre o Estádio de Remo com a jornalista Natalia Pugliese, Alessando Zelesco, ex-presidente da Frerj e o deputado Marcelo Freixo. Entre outras importantes declarações, o deputado estadual e pré-candidato à prefeitura do Rio, Marcelo Freixo, lembra que o Rio de Janeiro, através do seu governador Sérgio Cabral e do seu prefeito Eduardo Paes se transformou em um grande balcão de negócios que privilegia algumas empresas. – É sempre a mesma regra: não tem licitação! Quem é o dono dessas empresas que estão ganhando dinheiro com isso? Inclusive, sobre essa parece que tem um sócio que é do Uruguai e que ninguém sabe quem é. A regra é sempre a falta de transparência e o interesse público atrás da capacidade do interesse privado lucrar!

Entre os muitos que lutam a favor do Estádio de Remo existe a suspeita que por trás de tudo isso está a Rede Globo que futuramente pretende instalar-se no local. Dizem que O Globo não costuma publicar matérias ou cartas de leitores quando o assunto contém críticas à privatização do Estádio de Remo. O site Remo2016 tentou diversas vezes entrar em contato com jornal O Globo para esclarecer o assunto, mas O Globo nunca respondeu.

Pode ser que o medo de sofrer represálias seja um dos motivos da omissão dos dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Confederação de Remo (CBR), Federação de Remo do Rio de Janeiro (Frerj), os presidentes dos clubes de remo (Botafogo, Flamengo, Vasco da Gama etc.) e o comandante da Marinha do Brasil, os maiores usuários do Estádio de Remo.

Felizmente o sentimento cívico não morreu para muitos que defendem o Estádio de Remo. Além do belo exemplo do Ministério Público, as associações de moradores da zona sul do Rio de Janeiro e outras importantes instituições como a Docomo Brasil, sediada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e personalidades como o arquiteto Oscar Niemeyer.
Conforme denunciou a revista Veja, a Glen Entertainment está fazendo um puxadinho indecente no Estádio de Remo: Colocaram exaustores e chaminés na arquibancada transformando-a numa espécie de telhado do shopping, prejudicando a visão e a segurança dos torcedores do Estádio de Remo. Na falta de um projeto inteligente, estão fazendo um mafuá arquitetônico. Para piorar, não bastasse o desvirtuamento da finalidade do estádio, retiraram o nome ESTÁDIO DE REMO da fachada e o substituíram pelo nome “lagoon”!

Com a transformação do Estádio em shopping e outras mazelas imobiliárias, além de desviar a finalidade do local, o aumento de trânsito vai congestionar ainda mais a cidade. Onde serão despejados o esgoto dos restaurantes, bares, lanchonetes e cinemas? Pelo que se sabe a rede de esgoto em torno da lagoa está sobrecarregada e frequentemente estoura e vira notícia dos jornais com troca acusações entre as empresas responsáveis, prefeitura e estado. Quem fiscalizará o aumento da poluição na lagoa e meio ambiente, como o barulho do trânsito e emissão de gases tóxicos? Será que a Glen ganhará com essa estranha privatização enquanto a cidade é quem pagará a conta?

A Glen subtraiu o espaço do remo e os jardins para fazer um caro estacionamento. A criação de uma vaga privativa (foto) para o “dono do estádio” serve como exemplo dessa ousadia. Agora, para treinar diariamente um remador pagará cerca de mil reais por mês apenas no estacionamento. Por ano, gastará mais de 10 mil reais! A bolsa atleta que o Ministério da Educação paga nem dá para isso. Infelizmente, por egoísmo ou ignorância, muitos não se importarão com isso. Esse é o espírito olímpico do Brasil!

Pelo visto, se dependermos do Estádio de Remo da lagoa para divulgar o esporte, atrair e preparar novos atletas para as Olimpíadas, quem sairá ganhando é essa obscura privatização. Privataria? Acabaram com a identidade do Estádio de Remo da lagoa e desfiguraram o belo projeto de Benedicto de Barros, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) que o projetou com a finalidade de servir como uma praça de esportes.

Resta apoiar o Ministério Público e torcer para que ele consiga êxito em recuperar o Estádio de Remo e sua missão de ser uma praça de esportes, inclusão social, educação de milhares de crianças e lazer gratuito da população. Esse sim, deveria ser o fim do Estádio de Remo da lagoa!

Por Carlos Martins.

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2 Responses to “A Incompetente Gestão Olímpica do Brasil, Incluindo Sergio Cabral e Eduardo Paes, Querem Liquidar De Vez Com O Remo No Rio de Janeiro. Texto De Carlos Martins.”

  1. Beatriz Rivadávia Says:

    Excelente artigo!!!

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  2. João Batista Marques Says:

    Muito bom o artigo. E o pior é que infelizmente nada é feito com clareza e agilidade, levando a opinião pública cair no esquecimento na maioria das vezes.

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