Home

Para Se Criar Uma Política De Estado Para O Esporte Do Brasil.

abril 9, 2012

Alguém de boa fé que ocupe um cargo executivo na área do esporte, Secretário, ou Ministro, por exemplo e cuja atuação limite-se a organizar eventos e repassar verbas, deve ser extremamente frustrante. Organizar competições, distribuir medalhas aos melhores e ser uma entidade meramente repassadora de recursos para Federações, Confederações e Comitê Olímpico não é exercer esses cargos em sua plenitude. As pessoas tendem a confundir eventos com políticas esportivas. Virada Esportiva, Passeios Ciclísticos, Corridas de Rua, Olimpíadas Escolares uma vez ano podem até ser acontecimentos legais, divertidos. Mas estão muito longe de serem políticas de estado para esporte do Brasil. No âmbito Federal, todos os sucessivos ministros, desde a sua criação, no governo FHC, foram muito ruins. Nenhum deles apresentou ao Brasil uma política nacional de esportes. A cada ministro que vinha, ficávamos com a impressão de que aquela Pasta era produto de barganha política e que a Presidência da República estava simplesmente “terceirizando” o Ministério do Esporte no Brasil, para algum partido qualquer, em troca de votos no Congresso Nacional. Se os Ministros do Esporte foram ruins, acomodados e utilizaram os cargos para promoção pessoal e partidária, também não vimos nenhum dos Presidentes da República requisitar uma política de governo para o desenvolvimento do esporte. O esporte, portanto, nunca foi prioridade de nenhum Presidente. Qual é o grande plano nacional que o governo tem para o Esporte do Brasil? Nenhum, eles não têm nada. Não sabem nem o que é isso.

Não haverá política nacional de esporte se isso não for uma questão de estado, se não fizer parte do projeto de governo. Orlando Silva, para citar o caso mais recente, foi desastroso para o esporte brasileiro. Não somente pela sua gestão incompetente, mas também pelos escândalos que foram as contratações das ONGs amigas. Aliás, o Ministro do Esporte não tem que repassar a obrigação de administrar as coisas do esporte às ONGs, sejam elas quais forem. Os projetos do Ministério do Esporte dever ser tratados diretamente com os outros poderes públicos. No caso de Orlando Silva, o Ministério “terceirizado” serviu para dar emprego a um monte de penduricalhos, de gente encontada, que não vive sem emprego público. Depois do escândalo da ONGs, Aldo Rebelo está tentando dar dar uma aparência mais técnica à sua equipe. Mas suas ações limitam-se a falar em Copa do Mundo, visitar estádios em construções e mais nada. Não ouvimos nada sobre a criação e desenvolvimento de um plano de governo para o esporte de base do Brasil.

Para tratar o esporte como deve ser, é necessário que essa pauta seja prioridade da Presidência da República. A Presidência deve determinar aos Ministérios do Esporte, Educação, Saúde, Transporte e Defesa para trabalharem coesos em um plano nacional de desenvolvimento esportivo. A linha mestra desse plano deve vir da pasta do Esporte, que é encarregado pelo setor. O Ministério da Educação deve contribuir com o mapeamento da educação física nas escolas públicas de todo país e determinar que a educação física seja inserida na grade escolar com a mesma relevância das demais disciplinas curriculares. Deve valorizar o trabalho do professor de educação física. O Ministério da Saúde deve prestar assistência médica adequada para a prática desportiva. O Ministério dos Transportes deve contribuir com a logística e prover os meios de deslocamento dos alunos dos colégios públicos até as praças de esporte mais próximas. Há muitos municípios que simplesmente não têm aonde se praticar esporte, pelo que será necessário levar os alunos àqueles mais próximo em que houver essa possibilidade. As Forças Armadas possuem excelentes complexos esportivos que são sub-utilizados. Também possuem ótimos professores de educação física em seus quadros. Os espaços esportivos das Forças Armadas, em todo o Brasil, deveriam ser colocados à disposição do povo. Todas essas Pastas, juntas, fariam, também, um grande trabalho de conscientização popular da importância da prática do esporte. Tudo isso seria feito em convênios entre os Ministérios com os Estados e Municípios, independentemente das cores partidárias. Seria possível inserir o esporte na vida escolar e, mais do que isso, criar no brasileiro comum o hábito de praticar esporte, dsede a infância, na sua vida adulta e na terceira idade. O mesmo tipo de projeto pode ser implementado nos âmbitos Municipal e Estadual.

O Poder Executivo que trata da área do esporte não pode limitar-se a “organizar eventos”, “distribuir medalhas”, “repassar verbas” e “dar ponta pé inicial em torneio de futebol”.

Mesmo com Olimpíada e Copa do Mundo no Brasil, o esporte continua não sendo prioridade na pauta dos governantes.

Anúncios

2 Responses to “Para Se Criar Uma Política De Estado Para O Esporte Do Brasil.”

  1. Celso Says:

    O seu post é o que sempre disse sobre o esporte no Brasil. Concordo 100%. Sem esta base, nao adianta que nao sai disso e nao se consegue mentalidade esportiva! Isso é o que nos falta, nao é medalha.

    Curtir


  2. […] Continue reading here: Para Se Criar Uma Política De Estado Para O Esporte Do Brasil … […]

    Curtir


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: