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Sobre Nuzman Deixar o COB. Minha Análise.

janeiro 4, 2012

Juca Kfouri, definitivamente, é um dos mais influentes Jornalistas do Brasil. Angariou este predicado em razão da forma coerente e destemida com sempre exerceu o seu ofício. Um dos temas mais discutidos, hoje, na internet, sobre esportes, é a sua matéria sobre “Nuzman dar adeus ao COB.”

Nuzman assumiu o COB com um discurso bobo, ufanista, de “transformar o Brasil em potência olímpica”. É verdade que Nuzman conseguiu que seu Comitê tivesse em caixa em quantidade enorme de dinheiro público. Mas seu projeto fracassou, porque sua administração não soube gerir esses recursos. Tivesse Nuzman olhado para baixo, para a base, com tanto dinheiro, ao longo desses anos, estaríamos em situação muito melhor.

A saída de Nuzman do COB é excelente notícia. Não encontrei ninguém, na internet, que escreva o oposto. Mas não basta tirar Nuzman, para substituí-lo por alguém que não fará as mudanças necessárias. Há tempos o COI vem pressionando Nuzman para que opte pelo COB, ou pelo Co-Rio. Não existe, na história dos Jogos, quem acumule os dois cargos. Nuzman queria tudo. Deu-se mal. Posto na parede por Jacques Rogge, o pajé olímpico do Brasil optou pelo Co-Rio, aonde estará concentrada a receita de preparação para os Jogos de 2.016.

Nuzman faz 70 anos em 17 de março deste ano. Será jubilado do COI. Fez de tudo para mudar as regras. Deu, novamente, com os burros n’água. Receberá um prêmio de consolação no COI, de nome pomposo, mas quase que somente decorativo. Nuzman não mais será membro do COI. Esse é o ponto.Doido pelo poder, embora não seja o caso, Nuzman vê seu mundo ruir. Deixa o COI por idade. E abandona o COB por determinação de Jacques Rogge.

Nuzman mudou o estatuto do COB de tal forma que os candidatos a presidente e vice seriam restritos a alguém escolhido por ele. Um absurdo. Nuzman fez isso por temer nomes certamente invencíveis, como Lars Grael, citado por Juca, e Paula. Por mais que Nuzman pudesse influenciar, se a eleição fosse democrática, Lars, Paula e outros seriam nomes dificílimos de derrotar. A ironia é que a mudança autoritária que Nuzman fez no estatuto do COB foi um tiro no próprio pé. Nuzman, agora, está em sinuca de bico. Não pode impor seu candidato favorito, Marcus Vinícius Freire, uma vez que este é funcionário muito bem remunerado e não mais membro da Assembléia Geral do COB.

Ainda que Nuzman mudasse novamente o estatuto, conforme a sua conveniência e viabilizasse a candidatura de Marcus Vinícius, este provocaria um racha na Assembléia Geral do COB. Ele está muito longe de ser nome de consenso. E, também, como escreveu Juca, correria o risco de uma candidatura boa, forte e com respaldo, de Lars.

Ary Graça (que tem dado entrevistas boas, reconheça-se), seria a solução do bolso do colete de Nuzman. Mas nesse caso ele teria que engolir um nome de oposição na Vice Presidência e a consequente divisão de poder. Esse nome da oposição seria, provavelmente, o médico Alaor Azevedo, que vem contestando publicamente a administração de Nuzman e de seus assessores. Além do que Ary é candidato e está em campanha para a presidência da Federação Internacional de Volleyball. COB, portanto, não é a prioridade da vida do presidente da CBV.

Agora é o momento. Nuzman está cambaleante. Vive esse dilema, perde poder, não tem unanimidade na Assembléia Geral, tem a imprensa, atletas e acadêmicos contra si. Na esteira de mudanças que Aldo Rebelo diz querer fazer em seu ministério, seria muito bom se, usando de sua autoridade, chamasse as partes à mesa e fizesse, claramente: “Agora é hora de arrumar isso tudo. Vamos democratizar o COB. Alterar esses estatutos. Fazer eleições livres e permitir a oxigenação administrativa da entidade.” Se Aldo tentou levar Lars para sua equipe no Ministério do Esporte e não conseguiu, diante da recusa do grande velejador, talvez veja com bons olhos sua ida para a presidência do COB.

Há de se aproveitar o momento. O que não se pode é sair Nuzman e entrar algum de seus estafetas.

E qualquer apoio dos atletas e da sociedade civil será feito não somente em cima de nomes, mas de um programa de profundas mudanças nos conceitos errados que hoje presidem o Comitê Olímpico Brasileiro, que tanto mal têm feito ao nossos esporte.

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7 Responses to “Sobre Nuzman Deixar o COB. Minha Análise.”

  1. Paulo Says:

    Só acredito vendo!
    Concordo 100% com o nome do sr Alaor Azevedo, esse é macho, e é oposicao aberta aos metodos atuais do COB.

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  2. J. Roberto Says:

    Uma chapa séria e promissora para realizar de fato as mudanças urgentes no COB: Ary Graça (Voleibol) e Alaor Azevedo.(Tenis de Mesa). O que não pode é colocar um peão mandado (funcionario) para assumir o controle da entidade. Vamos ter seriedade nessa escolha minha gente!

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  3. Ricardo C. Says:

    A presidência atual do COB utiliza-se de um sistema de administração draconiano aonde toda a liberdade de expressão e idéias são restringidas. Talvez seja mais adeguado falarmos em termos de uma “obediência cega” à cúpula do COB. Isso tem nome: TOTALITARISMO! Essas pessoas perderam a noção do que é certo ou errado, do que é ético ou do que é crime. Esse líder e seus diretores estão com seus dias contados.

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  4. Sylvio Padilha Says:

    Querido Alberto,
    O septuagenário Carlos Arthur Nuzman, ao longo dos anos à frente do COB, teve a rara oportunidade concedida a um cidadão brasileiro de deixar um honroso legado associado a seu nome e imagem. Acredito que o momento tenha sido único na história de nosso país, seja pela abundância de recursos destinados ao esporte, seja pela projeção dos eventos de 2014 e 2016 (sem querer entrar nesse ou naquele juízo de valor…), mas principalmente pelo o interesse que a prática desportiva tem despertado na população brasileira como um todo e desta forma revelado inúmeros talentos potenciais.
    Só que infelizmente e a exemplo de outros personagens públicos, a vaidade, soberba, ambição e a ganância falaram mais alto.
    Ironicamente a cartilha do COB que aborda o tema “Olimpismo” ,
    (www.cob.org.br/movimento_olimpico/docs/cartilha_olimpismo.pdf) define como “objetivo do Olimpismo colocar o esporte a serviço do homem” e ao que tudo indica, esta é a única parte do texto levada em consideração pelos incompetentes cartolas do COB.
    Coincidentemente a mesma cartilha exibe uma imagem que caracteriza muito bem a avidez de todos ali retratados
    Mas enfim, deixo aqui meu registro de apoio e admiração pela cruzada conduzida por você, pelo Juca, pelo Lars e por todos aqueles que acreditam e lutam pelo bem comum do esporte nacional. E espero vê-lo muito em breve, como parte vital desse movimento de oxigenação e democratização do COB.

    Forte abraço,
    Sylvio Padilha

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  5. Rodrigo Says:

    Não precisa pensar muito para entender a situação do esporte no Brasil. A gente se caba por ter superado uma ditadura que deixou grandes marcas, porém façam uma análise das federações e confederações de qualquer esporte do país e veremos que ainda estamos debaixo de ditadura.
    CBF – Ricardo Teixeira mais de 20 anos no poder
    CBV – Ari (des) Graça mais de 15 anos.

    O Nuzman é outro exêmplo…Esses caras não estão preocupados com o esporte, querem ganhar mídia e dinheiro.

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  6. Paulo Says:

    Como disse no primeiro comentário, que só acreditava vendo, ontem saiu a foto do Ary Graça apoiando o Nuzman nas proximas eleições. Muita fofoca e pouca consistencia nos comentários. Ele não vai sair.

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  7. […] Magalhães Padilha e que se tornou um crítico permanente à atual gestão de Carlos Nuzman. Murray fez uma bela análise da situação atual da entidade em seu […]

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