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A Anti Candidatura No Comitê Olímpico Brasileiro.

janeiro 2, 2012

Em 1.973 o Brasil vivia o auge da ditadura militar. Era uma época de terror, em que qualquer manifestação branda contra o establishment já colocava o sujeito em palpos de aranha. Foi nesse tenebroso cenário político que o líder da oposição, Ulysses Silveira Guimarães, lançou sua candidatura a Presidência da República. Ou melhor, a anti candidatura. A derrota do candidato democrata era certa. As garras da ditadura feroz aplacariam qualquer possibilidade de sucesso. O que mais importava naquele momento não era o resultado ilegítimo que emanaria do colégio eleitoral bastardo. Mas a coragem de um brasileiro que percorreria o Brasil denunciando as chagas e a desonra dos indesejáveis “patetas” que nos enfiavam goela adentro aquele Estado truculento. E assim foi. Ulysses percorreu toda a nação. Levou a palavra de revolta a lugares distantes. Viajou ao longo do Rio Amazonas. Subia em caixotes, engradados, juntava o povo e falava. Se cortavam a luz de onde Ulysses estava, ele não se apequenava. Elevava a voz e seguia seu rumo. A anti candidatura do Senhor Diretas foi tão significativa a ponto de, no ano seguinte, o MDB impor aos governistas da ARENA uma memorável lavada nas eleições municipais. Mostrou, claramente, que o povo rechaçava o regime militar.

Em primeiro de abril deste ano, encerra-se o prazo para inscrição de chapas para as eleições no Comitê Olímpico Brasileiro, que ocorrerão somente em outubro. Por incrível que possa ser, era mais fácil ser candidato de oposição a presidente da república durante a ditadura militar, do que se lançar ao mesmo cargo no nosso Comitê Olímpico. O estatuto do COB, moldado à imagem e semelhança de seu dono prevê uma série de ignomínias jurídicas que tornam praticamente impossível uma chapa de oposição. O estatuto obriga que pata ser candidato a presidente e vice da entidade, o indivíduo tem que estar eleito em algum dos poderes do COB por, pelo menos, cinco anos. Ora, se o sujeito foi eleito para os poderes do COB junto com os atuais mandatários, natural que por favor parte integrante e inseparável da patota, nunca lhe será oposição. Também está escrito que para o lançamento de uma chapa, são necessárias dez assinaturas de Confederações filiadas. Um escárnio.

Ainda assim, será muito importante para o Olimpismo do Brasil se alguém, um grupo, rebelar-se contra isso tudo e articular o registro de chapa de oposição. Mesmo que o registro seja negado (o que poderia facilmente ser contestado na Justiça, uma vez que entidade que vive de dinheiro público não pode cercear o direito de qualquer brasileiro de dirigí-la), o movimento oposionista é fundamental. Ainda que a derrota para os déspotas pudesse ser dada como certa, seria tão bom que alguém de coragem soltasse a voz aos quatro cantos do país, incitando o debate sobre a questão do esporte. Chacoalhando essas estruturas maléficas, velhacas, infectadas, podres e viciadas. Eu tenho certeza de que se surgir alguém com tal destemor, que lute sem medo e levante o tapete para abaixo do qual tem sido varrida a sujidade do esporte nacional, adeptos de bom calibre não lhe faltarão. O receio dos ditadores é que um corajoso comece a gritar. Porque muitos, hoje calados, engrossarão o coro dos descontentes.

Se na ditadura política do Brasil foi possível fazer o que fez Ulysses Guimarães, seguramente deve haver alguma mente destemida no campo esportivo que tenha dignidade e altivez para empunhar a bandeira das mudanças no Olimpismo do Brasil.

Vamos disseminar a idéia democrática da anti candidatura ao Comitê Olímpico Brasileiro. Não é possível que dentre as Confederações filiadas não haja alguém com esse desprendimento. Guardar para si o descontentamento não levará nada a lugar algum. Até porque, se houver algum bravo para assumir esse papel, terá saído na frente para suceder essa gente que está aí, na hora em que caírem como um castelo de cartas.

Pense nisso!

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4 Responses to “A Anti Candidatura No Comitê Olímpico Brasileiro.”

  1. Francisco Di Benne Says:

    Prezado Senhor, parabéns pelo seu trabalho. Tem meu apoio aos desafios que deve enfrentar. Saudações esportivas.

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  2. Ricardo C. Says:

    A presidência do COB utiliza-se de um sistema de administração draconiano aonde toda a liberdade de expressão e idéias são restringidas. Talvez seja mais adeguado falarnos em termos de uma “obediência cega” à cúpula do COB. Isso tem nome: TOTALITARISMO! Essas pessoas perderam a noção do que é certo ou errado, do que é ético ou do que é crime. Esse líder e seus diretores que foram impostos à força e que governam através do terror, da ameaça, estão com seus dias contados.

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  3. Fabiana Says:

    Vc mesmo não pode se candidatar? Se pudesse ser alguem fora do esporte…

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