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O Quadro De Medalhas, Por Rafael Alves De Lima.

outubro 30, 2011

A MÍDIA E A BALELA DO “QUADRO DE MEDALHAS” PAN-AMERICANOS E OLÍMPICOS…

“Os Jogos Olímpicos são um conjunto de competições entre atletas individuais ou equipes, não entre países.”
“O COI e o COJO não estabelecem qualquer classificação global por país. O COJO elabora um quadro de honra com os nomes dos medalhados e portadores de diplomas em cada prova e os nomes dos medalhados devem ser colocados em evidência de forma permanente no estádio principal.” (Carta Olímpica nº 58)

A mídia tem intensificado a exploração do chamado “Quadro de medalhas” fazendo deste a finalidade dos eventos multi-esportivos internacionais, no qual o próprio Comitê Olímpico Brasileiro vem se baseando para elencar o “desenvolvimento” e “evolução” do esporte Olímpico brasileiro. A “briga” pela colocação no dito quadro já virou uma meta dos países, os quais brigam para estar na 2ª ou 3ª colocação, já que a 1ª sempre é dos Estados Unidos da América ou da China (no caso Olímpico).
Agora como entender o quanto a mídia, o COB e muitos ainda se equivocam com esse uso de “classificação global por país (ou CON)”.

1 – A Carta Olímpica repudia tal colocação, pois os Jogos Olímpicos (ou os Jogos Multi-desportivos continentais e locais aprovados pela autoridade do COI) são competições entre atletas, não entre países. Isso vem desde a celebração dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, onde o vencedor era apenas um. Com a celebração dos Jogos Olímpicos Modernos, durante os períodos negros da história, essa prática de fazer a contagem de medalhas começou a virar praxe extra-oficial visando a competição entre países.

2 – É incabível comparar países como os EUA ou a RPC com, por exemplo, os outros países em 3º e 4º colocado. O investimento no desenvolvimento esportivo nesses países vêm de décadas de preparação. Preparação em atletas individuais, em esportes que oferecem mais medalhas.

3 – Como comparar um esporte como a ginástica, a natação, o atletismo, o judô, que distribuem centenas de medalhas com esportes coletivos que contam como uma, como o futebol, volei, handebol, basquete, nos quais o caminho para a final é bem mais demorada que os outros esportes que distribuem medalhas em um só dia. Como colocar em pé de igualdade tal disparidade?

4 – O primeiro lugar fica com o número de ouros ou o número de medalhas totais? Depende se convem ao CON… Vide Pequim 2008 e o caso dos EUA.

5 – Olhemos para o exemplo do Brasil agora. É indiscutível o investimento em esportes coletivos que distribuem apenas 1 medalha, enquanto os esportes individuais carecem de investimentos, os quais os atletas necessitam ou bancar seus treinos, ou buscar patrocínio, ou treinar fora do país. Como colocar em pé de igualdade o volei brasileiro que há décadas vem recebendo investimento com a ginástica que, por vezes, se viu na falta de patrocínio à atletas favoritos a medalhas douradas em Jogos Olímpicos? É indiscutível a diferença de repasse de verba para a preparação dos atletas de base… A base mesmo da pirâmide esportiva! No Brasil o foco é o topo, mas daqui há algum tempo o topo não se sustentará sem uma base sólida!

6 – Vamos pegar outro exemplo. A melhor colocação brasileira no “quadro de medalhas” nos Jogos pan-americanos foi em 1963, no Pan de São Paulo, quando ficou em 2º lugar. Se olharmos para o Pan de Guadalajara 2011, onde o Brasil ficou em 3º, é possível dizer que a melhor colocação do Brasil ainda foi em 63? Quantas medaçhas o Brasil ganhou em 2011? Qual era a realidade em 63, tanto em investimento, bem como nas próprias condições da prática esportiva?

7 – “A nossa meta é ficar entre os 10 primeiros em 2016” (Nuzman)… Meta? Pra que? Números não fazem pessoas, não fazem atletas, não desenvolvem o país! O que o COB precisa entender é que os Jogos Olímpicos do Rio em 2016 é a única chance para que o movimento Olímpico Brasileiro comece a olhar a base, para que o legado seja verdadeiro e, tal qual LA 1984 faça do Brasil não só uma “potência esportiva” para ficar entre os 10 primeiros no “quadro geral”, mas sim ser um país formador de atletas humanos. A meta é transformar os bilhões investidos nos Jogos para garimpar atletas de auto-rendimento que estão escondidos por ai!

Poderíamos ficar aqui falando mais coisas, mas creio que esses 7 pontos já nos dão uma boa reflexão… O Olimpismo não é somente um meio de competição! É UMA FILOSOFIA DE VIDA!!!

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5 Responses to “O Quadro De Medalhas, Por Rafael Alves De Lima.”

  1. Sonia Says:

    Esquecendo um pouco as medalhas vamos lembrar da Escandinavia, da Alemanha, da Holanda e do Canada paises que são modelo do que é ser uma nação esportiva. Esporte para educação e saude. Os paises citados não são campeões no quadro de medalhas mas sim em qualidade de vida. Os Jogos Oimpicos são hoje um grande espetaculo para a midia. Um negocio como um festival de rock.Leiam na revista Época a entrevista do publicitario ingles, Patrick Nally, criador do atual sistema de detenção do poder da FIFA e do COI.
    Não se pode ter a ilusão que estes eventos trarão retorno para a saude e educação da população. Sem professores de Educação Fisica, quadras nas escolas, material adequado e motivação nunca vai mudar. Não precisamos de campeões heroicos e esporadicos e sim de uma população saudavel e com valores.

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  2. Jorge Says:

    Esquecendo um pouco as medalhas vamos lembrar da Escandinavia, da Alemanha, da Holanda e do Canada paises que são modelo do que é ser uma nação esportiva. Esporte para educação e saude. Os paises citados não são campeões no quadro de medalhas mas sim em qualidade de vida. Os Jogos Oimpicos são hoje um grande espetaculo para a midia. Um negocio como um festival de rock.Leiam na revista Época a entrevista do publicitario ingles, Patrick Nally, criador do atual sistema de detenção do poder da FIFA e do COI.
    Não se pode ter a ilusão que estes eventos trarão retorno para a saude e educação da população. Sem professores de Educação Fisica, quadras nas escolas, material adequado e motivação nunca vai mudar. Não precisamos de campeões heroicos e esporadicos e sim de uma população saudavel e com valores.

    +1

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  3. Jan Says:

    Rafael parabens pela pertinente citação da carta olímpica enfatizada no item1. É exatamente isso. O resto é oportunismo, ufanismo e propaganda enganosa.

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  4. Rafael Alves De Lima Says:

    Pois é Sonia, porém estes mesmos países nos dão exemplos de heróis mesmo com a celebração dos Jogos em suas terras. O que nos falta é uma liderança esportiva comprometida com os ideiais de RESPEITO, AMIZADE E EXCELÊNCIA do Movimento Olímpico. Com isso, as repugnantes notícias que vemos seriam coisas do passado, e o desenvolvimento humano caminharia conjuntamente ao desenvolvimento atlético da base esportiva brasileira, mas sim um desenvolvimento constante, para que as medalhas não fiquem nas costas de um ou dois atletas, mas sim no esporte que eles representam.
    Obrigado Jan. Muitos nem sabem que a Carta Olímpica é a “Constituição” que rege o Movimento Olímpico Internacional.
    Obrigado Alberto por publicar meu texto em seu blog. Como eu disse, sua voz chega a mais ouvidos que a minha.
    Saudações Olímpicas!

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