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Tutancamon e Gesta de Melo.

março 16, 2011

Tutancamon foi um Faraó no antigo Egito. Reinou por pouco tempo. Morreu muito jovem, aos 19 anos. Não foi um governante de grandes feitos. Tornou-se famoso, entretanto, porque anos e anos depois, sua tumba foi encontrada quase intacta. E, assim, é um dos poucos soberanos egípcios que tiveram boa parte de seus tesouros expostos no museu do Cairo. Não fosse isso, Tutancamon não seria lembrado. Curioso é que pesquisadores descobriram, no ano passado, que o tirano morreu de … malária! Essa é uma doença transmitida por mosquito, típica das regiões dos trópicos.

Ao contrário de Tutancamon, Gesta de Melo agarrou-se à cadeira de presidente da Confederação Brasileira de Atletismo e já se vão quase 25 anos sem que ele demonstrasse qualquer desejo de largá-la. Acho que nem as ostras e os ouriços do mar ficam assim tanto tempo grudados às rochas. Gesta de Melo, embora tenha tido muito mais tempo no poder do que Tutancamon, também não foi um monarca de grandes feitos. Embora tenha recheado os cofres de sua Confederação com dinheiro público (muito dinheiro público), aquilo que fez pelo atletismo nacional é pouco (muito pouco). A diferença técnica entre as épocas de miséria e riqueza do atletismo nacional são irrelevantes.

Da mesma forma que Tutancamon deixou seus tesouros para posteridade, espera- se que Gesta de Melo também disponha para a história aquelas quinquilharias que coleciona. Por isso, tal qual Tutancamon, Gesta de Melo poderá ser futuramente lembrado. Gesta de Melo faz tremendo marketing pessoal sobre seu repositório de memorablia olímpica.

Tutancamon morreu de malária. Gesta de Melo, a quem sinceramente desejo vida longa (mas longe da CBAt), vem da terra em que esse mal ainda é um caso sério de saúde pública.

Uma boa tese – e aqui não vai qualquer maldade – seria estudar “As parecenças e disparidades entre Tutancamon e Gesta de Melo. O Egito antigo e a CBAt.”

Uma de minhas principais diversões neste Blog tem sido fustigar Gesta de Melo. E não tem sido tarefa árdua. Gesta de Melo é, por si só, uma figura caricata, que inspira o lado humorístico de qualquer um. Um nobiliárquico dos seringais, de aspecto sedentário, fala mansa, voz simpaticamente fina e que, não obstante a sua barriguinha protuberante, preside, há longos anos, o chamado esporte base (absoluta contradição). Seguindo uma caracterítica genuinamente nacional, emprega a família na entidade que comanda. E quando indagado sobre o assunto, dispõe de justificativas pálidas para defender a administração em família. Família que governa unida, permanece unida.

Até pouco tempo atrás, Gesta de Melo respondia aos meus escritos. Certa vez ele ligou da Alemanha para discordar de um artigo que eu havia publicado no jornal O Estado de São Paulo, sobre o escândalo do dopping no atletismo e sobre a inconfiabilidade comprovada nos testes feitos no Brasil. Eu provei, por A mais B, que os mecanismos de controles antidopagem no Brasil eram falhos. Mas Gesta de Melo minimizou o fato.

Eu sei que um belo dia Gesta de Mello recebeu ordens do seu chefe, Carlos Nuzman, para me ignorar. Passei a sentir muita falta de Gesta de Melo. Vocês não imaginam quanto! Normalmente sou melhor na réplica do que no primeiro ataque. Eu escrevia, Gesta de Melo rebatia e, aí sim, replicar era o meu deleite. Pelo menos na minha conta, Gesta de Melo perdia todas. Recebi – e sigo recebendo – inúmeras mensagens de profundo desagrado com a idigesta gestão ( e que me perdoem o cacófato) no atletismo do Brasil. Muitas delas estão publicadas neste Blog. Outras tantas não publicadas, uma vez que seus subscritores me pedem anonimato, com receio das retaliações que certamente viriam.

Gesta de Melo teve passagem insignficante como cartola universitário em Manaus. Nunca praticou um esporte sequer. Não foi e não é atleta. Sua carreira como “pequeno pipo” tomou vulto quando o chefe Nuzman colocou-o na Vice presidência da Confederação Brasileira de Volleyball. E de lá lançou-o para o atletismo, onde aterrisou de para quedas. Tudo isso para bem servir ao seu senhor, que queria ganhar espaço, que queria chegar ao Comitê Olímpico Brasileiro.

Mutatis mutantis, nosso personagem, meigo, de romance luso, sempre esteve muito mais à disposição de Carlos Nuzman, do que a serviço do atletismo. O atletismo tem sido mero instrumento de poder. Nada além disso. Pobre atletismo que ao longo de 22 anos garimpou uma única medalha, com um genial salto da Maurren Magi.

A política de poder adotada nesses longos e pavorosos anos fez da Assembléia Geral, com briosas exceções, um palco que na ribalta está o velho senhor do látex. E na platéia uma clientela que dele depende para literalmente viver.

O atletismo tem perdido grandes oportunidades de massificar-se, de tornar- se popular. Mas a política servil, lisonja, interessante, impediu.

Em prenúncio de uma participação catastrófica do atletismo brasileiro em Londres 2.012, pressionado pelos maus resultados acumulados ao longo do tempo, Gesta de Melo ensaia uma retirada. Esperemos que a própria Maurren, ou a Fabiana, em dia inspirado, dêem, mais uma vez, os saltos de suas vidas e livrem nosso País olímpico de um memorável fiasco. De qualquer forma, na média, os resultados serão inapelavelmente ruins. Tanto tempo, tanto dinheiro público, para nada.

Com todo respeito, Gesta de Melo sairá do atletismo menor do que entrou.

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3 Responses to “Tutancamon e Gesta de Melo.”

  1. Carlos Says:

    Olá, eu sou de dentro do atletismo e, claro, não quero meu nome (Carlos é nome fantasia)divulgado por questões obvias, mas venho aqui dizer que já é armado outro golpe de sucessão na CBAt…
    Todas as reuniões da CBAt são feitas de maneira tão restrita e fechada que nunca há espaço/tempo para se pensar sobre aquilo que está sendo votado/proposto/imposto. A resposta tem sempre de ser Sim/Não. Não há debate, de fato, e não há abertura de pauta.
    A falta de investimento em formação de novos técnicos, de novos centros de formação é um problema crônico, pois não há possibilidade de uma equipe brigar por medalhas sem que haja um montante interessante de atletas sendo treinados por um outro montante de técnicos competentes. O Brasil não tem atletas na reserva, não tem alternativas aos técnicos já estabelecidos, tanto que os técnicos estrangeiros que vêm ao Brasil dizem que é muito atleta por técnico. Isso impossibilita um trabalho bem feito.
    O dinheiro sempre foi gasto com os mesmo, por isso só temos os mesmos atletas e técnicos como expoentes até hoje; esses mesmo técnicos alimentados a base de troca de favores com a CBAt. Sem dúvida a administração do atletismo no Brasil está nas mãos de uma “máfia”, que não permitirá alternância de poder.
    Qualquer tentativa de descentralizar os eventos da CBAt será sufocada pela falta de investimento, que vai desde o boicote na Mídia até a opção por técnicos estrangeiros afetos à CBAt para que alguns brasileiros, extremamente competentes, porém de oposição, não ganhem espaço.
    Não devo ser o único a escrever para você nestes termos, mas se quiser podemos conversar mais para que lhe ponha a par do que vem pela frente e como tenho sofrido, junto de meus pares as represálias.

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  2. carlosalexsoares Says:

    Alberto,

    eu vim aqui postar isso, que te escrevi no e-mail:

    Sensacional!!! Gostei da dica de pesquisa (“As parecenças e disparidades entre Tutancamon e Gesta de Melo. O Egito antigo e a CBAt.”), mas ficaria só com “O Egito antigo e a CBAt”, que bem serviria a outras modalidades.

    Meu amigo da era tecnológica e da paixão em comum (esportes!) é era de dar um salto: do blog para a CBAt, trazendo dos trópicos para o centro do país…

    Muito boa essa postagem – muito boa mesmo. Inspiradíssimo, hein? Sucesso.

    Infelizmente, o falso xará (Carlos, sim eu sou Carlos e sofro represálias no meu esporte, o basquete, assim como meu filho) me faz acrescentar algo mais: se são os mesmos atletas e os mesmos técnicos, sabemos quem são os coagidos. Portanto, é necessário buscar outras pessoas no grupo do atletismo e formar uma chapa, ir para o embate e deixar claro, para os coagidos, que compreendemos a posição fisiológica deles nesse momento e que não sofrerão represálias com a mudança que se propõe, talvez até fiquem com uma fatia maior do bolo se ele for dividido entre federações, técnicos e atletas corretamente e não entre os familiares de Gesta de Mello. Assim, quiçá, poder-se-á fazer do esporte base um espaço para todos os jovens com reais possibilidades de desenvolvimento iniciarem e permanecerem no esporte.

    Interessante o que digo por que é uma proposta de liberdade, onde poderão agir com responsabilidade e livre arbítrio. Se não pegarem essa, fiquem com o herdeiro de Gesta de Mello que, pelo que vi e debati em outros espaços, é um ex-atleta servil como foram nossos antepassados no séculos XVIII, XVII, … (sim, sou negro e creio que lutar pela liberdade é uma ação constante, diária e não subalterna e servil para ter o alimento do dia. Liberdade vigiada ou com troca de favores é escravidão!). Pensem nisso…

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