Home

A Presidenta Dilma.

janeiro 1, 2011

Há cerca de quarenta anos atrás, a futura Presidente da República passou três anos trancafiada em uma cela. O motivo torpe que lhe levara a ser privada de sua liberdade não fora outro senão o fato de discordar do governo golpista que se instalara no poder.


Nada mais violento do que prender alguém injustamente. Pior ainda quando isso ocorre porque o preso — no caso, a presa — discorda com governo vigente.

Quando poder-se-ía imaginar, naquela época de chumbo do País que aquela mulher presa, torturada psicologicamente por seus carcereiros, seria a primeira Presidenta do País

É inegável que o mundo dá voltas. Imaginem as caras dos oficiais de plantão se  tivessem tido poderes sobrenaturais para prever o futuro e saberem que àquela “subversiva”, anos depois, caberia dirigir os destinos da nação. O que teriam feito?  Aliás, queria ver a caras desses mesmos sujeitos hoje, dia da posse.

Naquela época de escuridão as alternativas eram ser contra, ou a favor do regime. Não havia meio termo. Os golpistas usavam meios truculentos para impor aos brasileiros suas idéias. Foram os homens e as mulheres corajosas que, a seu modo, resistiram, não se calaram, puseram a cara para bater. O repúdio ao golpe de 64 deu-se por meio de manifestações de várias vertente, culturais, artísticas, musicais, literárias, esportivas, políticas e, também, pela luta armada contra o regime. Não se pode condenar quem pegou em armas para defender a democracia, a liberdade e a própria pele. Se violência gera violência, quem deu o primeiro passo nessa direção foram os golpistas. Hoje vemos que a resistência armada era um ato de ingenuidade. Nunca teria sido possível defenestrar os militares do poder político pela luta armada. Mas foi uma ação louvável, de gente audaciosa que, mutatis muntantis, no final das contas, ajudou muito na redemocratização do Brasil.

Não tenho medo de dizer que nunca aceitei, juridicamente, colocar no mesmo patamar de anistiados os golpistas e os que resistiram a eles. Uns foram agressores. Outros agiram em legítima defesa.

Viva a nossa vizinha argentina, que não deu refresco aos militares e afins que promoveram uma matança sangrenta aos que lhe faziam oposição.

Dilma e suas 11 companheiras de cela foram heroínas, sim. Quando ocupei a Vice Presidencia e Corregedoria da Junta Comercial do Estado de São Paulo, tive o priviégio de ter conhecido uma delas.

As companheiras de prisão de Dilma, incluindo a própria, amadureceram bastante. Tiveram a percepção do que o mundo mudou. E assim espero que o mesmo tenha passado com os golpistas.

Claro que não quero revanchismos, devaneios. Mas quero, sim, que se apurem as atrocidades que o torturadores perpetraram em vinte anos de golpe.

A eleição de uma nova presidente, ainda mais com um resume como este, renova a minha esperança no Brasil. O que me obriga a ficar reticente é olhar o ministério e ver algumas das mesmas caras de sempre. De gente que apoiou o regime que enfiou Dilma no cárcere.

Espero que tenham sido esses os que mais tenham evoluido e estejam bem conscientes de que o mundo e o Brasil mudaram. Mas que a turma do Sarney é difìcil de engolir, ah isso certamente è.

Alberto Murray Neto.

 

Anúncios

One Response to “A Presidenta Dilma.”

  1. Renato Barros Says:

    Oi Alberto,
    Gostei muito do seu artigo no jornal Folha de São Paulo,concordo com suas colocações e também não podemos nos esquecer que quem deve administrar o esporte, não são os politicos que fazem do esporte plataforma para as próximas eleições e sim profissionais capacitados e nós temos no Brasil essas pessoas que pensam de forma longitudinal, continuada e sem ambição politica.

    Curtir


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: