Pão E Circo – Texto De Julian Aoki Romero.

PÃO E CIRCO

No centenário dos Jogos Olímpicos, em 2004, Atenas recebeu o mundo. Em
2009 ecoou no mundo sua crise financeira, cuja parte da culpa recaiu na
crise mundial, mas tenho convicção que o descontrole dos gastos públicos
iniciou com a Olimpíada. Tentei localizar notícia econômica sobre o
assunto e apenas encontrei poucos comentaristas político-econômicos que
se limitavam-se a dizer que a situação poderia ser bem diferente se não
houvesse a Olimpíada, já que existia um orçamento e somente o item
segurança extrapolou em 20% (US$ 5,6 bilhões) – somente o item
“segurança” – o que iniciou um efeito cascata na macroeconomia do país.
Culminou por afetar parte da Europa.
Em Pequim foram gastos 42 bilhões de dólares, mais que o dobro de
Atenas, e precisaram construir tudo novo. Você até poderia prever que em
2015 a China passará por uma crise, mas como desconheço o sistema
econômico de lá, apenas anoto que o governo chinês está incorporando as
perdas com os gastos olímpicos.
http://www.swim.com.br/noticias.php?id=50800
Diante destes dados e do que já li, reli e acompanho diariamente sobre a
realização dos dois maiores eventos do planeta no Rio de Janeiro, além
de outros coadjuvantes dentre eles um Campeonato Mundial de Esportes
Aquáticos em 2015, só me resta a acreditar que os líderes – independente
de partido – levam a máxima da Roma Antiga (“pão e circo ao povo”) para
o mundo esportivo. A maioria da população quer diversão – mesmo que ela
seja transvestida de um falso patriotismo, então por isso encontramos as
pessoas otimistas e com visão míope torcendo pelos eventos, que irão
engrandecer o Brasil, que serão bons, que ainda acreditam que o poder de
realizar um grande evento mundial transforma a infra-estrutura, exibe o
lado excelente cultural brasileiro e a economia vai só melhorar. É o
“circo” para entreter o povo, para esconder os saques que realizam e as
falcatruas que compactuam uns com os outros.
Quanto ao “pão”, ele já existe há tempos. Bolsa Família é útil,
concordo, mas relega ao ostracismo a vontade de trabalhar de um povo que
historicamente já não tem essa vontade, já que trabalhando pode-se
receber menos do que se ficar em casa, curtindo a Sessão da Tarde,
comendo biscoitos, procriando e sacando todo mês uma boa quantia, sem
esforços “ruins”, apenas com lazer e prazer. Podem dizer que a culpa é
do salário mínimo, que por consequência é culpa da Previdência, que por
sua vez é culpa do orçamento apertado, que por sua vez é culpa de
dívidas de governos anteriores. A culpa é do sujeito abstrato, que
existe apenas para recebê-la. Não tem nome, não tem cara, não tem e-mail.
A solução para isso tudo pode ser radical, como Nero incendiou Roma. Rio
de Janeiro já está demonstrando isso hoje com as ocupações de favelas.
Mas seria muito melhor se o líder disso tudo, o presidente, quisesse
realmente desenvolver o país, deixando que interesses políticos e
econômicos fossem apenas secundários. Saúde e educação deveriam ser
prioridade, não a reforma ou construção de um estádio. Ou a realização
de Jogos Olímpicos.
O passado do país não é vitorioso. O presente demonstra-se muito guiado
pela ultra-valorização do capitalismo. E no futuro… Bem, melhor não
presenciar o futuro porque esse circo irá pegar fogo.

Apenas um desabafo contra a política medíocre, Julian Romero.

Categorias olimpismo

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