O Ministro Orlando Silva Foi Hoje Debater No Jornal Folha De São Paulo.

Não concordo com uma só palavra, ou projeto, do Ministério do Esporte. Mas quero deixar registrado que louvo a atitude do Ministro Orlando Silva em aceitar debater na Folha de São Paulo, mesmo sabendo que a platéia não lhe seria simpática. Como ele mesmo me disse após o encontro “sou pago para isso”.

No encontro de hoje, o Ministro fugiu dos temas centrais. Quando muito bem perguntado por Juca Kfouri sobre os processos que o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro enfrentam no Tribunal de Contas da União, Orlando Silva fez considerações genéricas, sem responder objetivamente sobre o superfaturamento de 1.000% (hum mil por cento) nas obras dos Jogos Pan Americanos Rio 2.007. Silva também não quis comentar a corrupção e a ineficácia do seu Projeto Segundo Tempo. Disse que é favor da renovação nos órgãos dirigentes dos esporte olímpico brasileiro. Mas que nada poder fazer porque a Constituição Federal, segundo ele, não permite esse tipo de interferência na autonomia de funcionamento dessas entidades.  Não há inconstitucionalidade alguma nisso. Mormente porque o COB é um órgão que se sustenta com dinheiro do povo. Conveniente ter fundos públicos para gastar e não ter vinculação alguima como estado quando o assunto é democratizar os seus estatutos. E o Ministro dá de ombros.

O MInistro fez questão de enfatizar, várias vezes, que ver Nuzman falando em metas para 2.016 foi uma vitória dele. Nuzman nunca quis comprometer-se com nada.

Discorreu sobre o esporte brasileiro, como se ele fosse Ministro na Noruega.

Juca Kfouri foi impecável em suas peguntas. Contudo, Juca não tinha como disfarçar sua decepção cada vez que Orlando Silva não respondia. Costumo dizer que político não tem alma. Costumam fingir que as críticas não são com eles. E quando enfrentam perguntas mais duras, tocam a fazer discursos e não responder o ques lhoi indagado.

Tive a chance, assim como outros ouvintes, de fazer uma intervenção. Disse eu ao Ministro que ficava feliz com a sua disposição em estar na Folha. Mas que lamentava, até hoje, o fato de ter fugido de mim no Senado Federal, mesmo após sua secretária particular ter ligado em meu celular e confirmado presença. Relembrei que a participação de Carlos Nuzman naquele debate no Parlamento, além de infame, foi deselegante. Nuzman fora o primeiro a falar e escafedeu-se, com medo do que ainda estaria por vir. Deixou os Senadores sem poder questioná-lo. Saimos daquele encontro no Senado com número suficiente de assinaturas para a instalação da CMPI Olímpica. Pateticamente, Nuzman foi mendigar, de gabinete em gabinete, para que Deputados e Senadores retirassem suas assinaturas do pedido. Como escreveu Élio Gaspari, a necessidade de uma CMPI se mede pelo lobby que se faz contra ela.   Sobre esse ponto, o Ministro disse que vai muito à Câmara e ao Senado e que naquela vez cancelou por motivos de agenda. Curiosa resposta. O Ministro cancelara sua presença minutos após eu ter confirmado a minha. Basta perguntar à Comissão de Educação e Esporte do Senado Federal.

Disse ao Ministro que algumas decisões do TCU eram absolutamente políticas, covardes, manipuladas por interesses de alguém e que fosse eu o ex Ministro Marcus Villaça, teria vergonha de olhar na cara dos meus filhos. Villaça, ex-Ministro do TCU, em seu derradeiro voto do cargo antes de aposentar-se, fez um relatório demolidor sobre a má utilização das verbas públicas pelo Ministério do Esporte e pelo Co-Rio. E ao final, na conclusão de seu voto, absolveu a todos sob o pálido argumento de que tudo poderia ser relevado em razão da inexperiência dos executores do projeto Pan Rio 2.007.  Orlando Silva, ao comentar o assunto, não entrou no mérito do voto. Preferiu elogiar o ex- Ministro Marcus Villaça, sua passagem pelo Ministério da Cultura (nem sabia que ele tinha ocupado esse cargo). Silva foi, mais uma vez, superficial. 

O Ministro alegou que o Estado é o financiador do esporte olímpico do Brasil e que, assim, caberia a ele exigir contra partida do Comitê Olímpico Brasileiro e das Confederações. Perguntei, então, se ele podia exigir performance, resutados e medalhas dessas entidades, porque não exigia, também, como condição para repasse de verbas, que as Confederações e Federações limitasse as reeleições em seus estatutos sociais. O Ministro contra argumentou que esse seria um ato autoritário. E pedu minha reflexão sobre o assunto.  Não, não acho um ato autoritário. Ora , se o Estado que paga a conta pode exigir performance, porque não pode requerer transparência, gestão e renovação nas entidades desportivas? Não tem rigorosamente nada de autoritário nessa medida.  não fazem isso porque são covardes.

Aliás, nessa linha, retruquei ao Ministro que desfaçatez é andar de braços dados com o a escória da cartoagem nacional. O Ministro contestou que não tem relações pessoais com o Comitê Olímpico Brasileiro, com a CBF e outras. Tem, afirma ele, relações institucionais. E que apenas anda de braços dados com a sua mulher. Discordo. Acho que ele, como Ministro e guardião dos interesses do Estado, do povo que paga a conta, deveria ter , sim, postura crítica em relação ao COB, CBF em vez de pasar a mão na cabeça dessa gente. Quanto a andar de braços dados, claro que usei uma retórica de linguagem, não obstante haja várias fotografias dele abraçado com Ricardo Teixeira, Nuzman, César Maia  et caterva.

Seguido a mim, uma pessoa que colaria grau hoje em administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas, fez críticas duríssimas ao Ministério do Esporte, dizendo que enquanto o Ministro diz que tem “que manter relações institucionais com o COB e CBF”, somos nós quem assinamos os cheques. E que ninguém nos consulta se queremos a continuidade dos Nuzmans e Teixeiras. Criticou o PC do B e disse que pelas posturas neo liberais do Ministro, ele estava no partido errado. O Ministro não respondeu. Preferiu ser irônico e convidou o formando para conhecer os quadros do PC do B. E quem sabe junstar ao partido político.

Minha conclusão: Fico com a impressão de que o Ministro está pelas tampas com Nuzman e Teixeira, principalmente com o primeiro. O Projeto Petrobrás/Instituto Passe de Mágica é uma prova de que ele quer se distanciar de Nuzman. Senão teria feito a parceria com ele. Mas agora é tarde, Ministro Orlando Silva. Você passou quatro anos adulando essa gente. E vai ter que justificar o injustificável. A não ser que continue fugindo das respostas.

Depois do debate, conversei longamente com o Paulo Andrade, do Blog do Paulinho e do Mídia Sem Média, no qual tenho a honra de ser colunista. Paulinho é um dos guerreiros pelo fim da corrupção no esporte do Brasil.

Categorias olimpismo

4 comentários em “O Ministro Orlando Silva Foi Hoje Debater No Jornal Folha De São Paulo.

  1. Murray, esse episódio só corrobora aquilo que você sempre falou, os políticos se aliam com a conveni~encia deles, achando que não estão prejudicando o povo, ou se estão acham que nunca serão alcançados pelos braços da lei.
    O fato dele estar criando programas esportivos fora da órbita de influencia de Nuzmann et caterva é porque ele sabe que lá na frente haverá uma contestação grande sobre o assunto.

    Está na hora dos governantes do país assumirem a responsabildiade de criticar esses eventos, mesmo que isso custe a realização deles, o que não podemos deixar é que outro rombo de 1000% do orçamento, ou maior até, volte a acontecer e enriqueça essa corja que nada faz de útil para o esporte brasileiro.

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  2. Vcs estavam esperando o que mais de um integrante desse governo? Ele está lá ganhando para isso mesmo, não saber nada e não ver nada.

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  3. Murray,

    Eu era o sujeito colando grau!

    Gostaria de conversar contigo.

    Abração, aguardo retorno,

    Flexa

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