Quase Deu Para O Basquete Brasileiro.

Foi uma pena. O basquete masculino do Brasil perdeu por pouco da Argentina e não poderá mais lutar pelo título. Nunca pensei que o Brasil pudesse ser campeão mundial. O que esperava dessa campanha era ver uma efetiva evolução em uma modalidade que já deu tantas glórias ao esporte nacional. E acredito ter visto isso. Indeléveis as medalhas em mundiais (o bi campeonato mundial de 61 e 63) e Olímpicas. Da segunda metade da década de quarenta até meados da década de oitenta, o Brasil tinha cacife para brigar entre as cinco maiores potências mundiais do basquete masculino. A medalha de bronze no mundial das Filipinas, em 78, com uma cesta do Marcel do meio da quadra, faltando menos de um segundo para o final do jogo, foi, para mim, a marca daquela geração. Até mais emocionante do que a vitória Panamericana sobre os Estados Unidos, em Indianápolis, em 1.987, em que o time da casa apresentou-se com uma esquadra forte. As recentes medalhas douradas obtidas em Jogos Pan Americanos já não contam muito. O nível técnico  dos Jogos Pan Americanos diminuiu muito. As equipes, inclusive as do Brasil, eram fracas. O Pan Americano virou um torneio sem graça.

A geração de Marquinhos, Oscar, Marcel, Carioquinha, Fausto e tantos outros merecia ter ganho uma medalha Olímpica. E foi por pouco. Depois dela o basquete masculino desestruturou-se completamente. E a queda de produção foi vertiginosa. Foram as mulheres que, sob a batuta de Paula e Hortência, jogadoras fora de série, conseguiram manter o basquete brasileiro à altura de suas tradições.

Gostei do que vi na Turquia. Ainda que a colocação  final na tabela não venha a ser de destaque, há de se compreender que o basquete está juntando os seus cacos. E, nesse sentido, a evolução foi muito boa. Vimos um time que lutou de igual para igual com potências da modalidade e, certamente, voltou a angariar o respeito dos seus pares.

Uma coisa boa que se viu no basquete foi que a Confederação Brasileira (“CBB”) deixou de organizar o campeonato nacional, deixando-o sob a responsabilidade de uma Liga. A CBB passou, enfim, a cuidar só da seleção. É assim que funciona o esporte nos Países mais avançados.

No Brasil, ainda insistem em uma estrutura velhaca (inclui-se o futebol), na qual as Confederações Olímpicas insistem em ter poder absoluto sobre as competições nacionais e, ao mesmo tempo, cuidar da formação das equipes nacionais.

Às Confederações deveria caber o papel de ater-se aos selecionados brasileiros, entregando a organização das competições nacionais às Ligas de cada modalidade. Tais Ligas, indendentes, devem ser constituidas pelos Clubes formadores. Juntos decidirão o dia-a-dia dos torneios nacionais. E a todos deve chegar boa fatia da Lei Piva, hoje, erroneamente, concentrada nas mãos do Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”). Mais da metade desse dinheiro público é engolida pela própria e desnecessária burocracia do próprio COB, aquele que, segundo Carlos Nuzman, não forma Atletas. O que sobra ele usa conforme suas conveniências e interesses políticos. As Confederações menores sofrem muito com isso.

Não há mais necessidade da existência de Federações estaduais. Elas só existem para dar sustentação eleitoreira às Confederações Brasileiras. No mais, são poucas as que contribuem com o desenvolvimento do esporte no Brasil. A Federação Paulista de Atletismo, por exemplo, tem um bom trabalho de base. Mas é uma exceção.

Quem deveria votar para as Confederações deveriam ser os Clubes formadores e as ligas nacionais (em alguns esportes, é, sim, possível, criar mais de uma liga).

Para que tudo isso aconteça, é preciso que apareça alguém com muito peito, muita coragem. É necessário que surja alguém com pensamento moderno, cujo comprometimento seja com o Brasil e não consigo próprio, nem com as entidades internacionais das quais fazem parte.

Assim, faremos uma grande revolução nas estruturas do esporte brasileiro.

Categorias olimpismo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close