“O Comitê Olímpico Brasileiro Não É Uma Agência De Turismo. Ao Menos Por Enquanto.”

Quando estivemos no Senado Federal, antes de fugir do debate, Nuzman justificou o malogro de sua gestão respaldado no argumento "de que o Comitê não forma atletas. O Comitê não tem atletas." Acuado pelos Senadores, Nuzman saiu pela tangente quando indagado: "Se os fracos resultados em Pequin não são de responsabilidade do COB, porque então este recebe e administra toda a verba pública destinada ao esporte olímpico". Nuzman ficou calado, olhou no vazio, disse que tinha outro compromisso e pediu para sair. "Quem vai falar pelo COB, indagou o Senador João Pedro?" Nuzman engoliu seco. A ESPN Brasil mostra a cena com clareza no excelente programa Brasil Olímpico 2.

Nuzman é contraditório. Se ele exime o seu Comitê dos fracassos, debitando-os na conta das Confederações, não deveria posar de "papagaio de atleta" cada vez que um dos nossos, ainda que raramente, sobe no pódium olímpico. Basta um patricio ganhar uma medalha para que o presidente do COB corra, serelepe, ao encontro do nosso atleta para aparecer ao seu lado diante dos flashes dos fotógrafos e das câmeras das televisões. E desanda a dizer que "a medalha é fruto de um planejamento de blá, blá, blá."

Nuzman deveria ser coerente e dizer:" Eu só repasso dinheiro. Não tenho nada com essa medalha. Os louros são da Confederação."

Mas ele joga no time do "nós ganhamos. Você perdeu".

Completo desatino o presidente do COB eximir-se de responsabilidades. Até concordo com ele se o COB vivesse na penúria. Mas não é o caso. Uma porção significativa do nosso dinheiro vai parar nas mãos dele, que o distribui como quer entre as Confederações Olímpicas.

Embora Nuzman queira dizer que o COB é um mero distribuidor de camisas, a coisa não é assim. O COB tem a função de estabelecer, com as Confederações, um planejamento para as competições sulamericanas, panamericanas e olimpicas.

Dizer que o COB não tem a finalidade de formar atletas é outra bobagem sem tamanho, nos dias de hoje. Cabe ao COB financiar e organizar, também com dinheiro do povo, os Jogos Estudantis. Essa competição ocorre sob a batuta do COB. E dentre outras coisas, esses Jogos servem para burilar os atletas para futuras competições de alto rendimento.

A valer o que Nuzman disse à Jornalista Mariana Bastos, da Folha de São Paulo, o COB deveria abrir mão do controle absoluto das verbas que o governo destina ao esporte olímpico e fazê-la chegar diretamente não só às Confederações, mas às Federações, ao Clubes formadores e ao atleta.

Aí sim ele poderia afirmar que a responsabilidade do COB restringe-se em fazer reservas de hotéis, passagens aéreas, seguro e distribuir uniformes. O COB viraria mera agência de turismo.

Categorias olimpismo

Um comentário em ““O Comitê Olímpico Brasileiro Não É Uma Agência De Turismo. Ao Menos Por Enquanto.”

  1. Nilson Duarte Monteiro agosto 26, 2010 — 7:29 pm

    Alberto,

    Eu não culparia tanto assim o Nuzman em posar de “papagaio de pirata” nas fotos com os atletas. Culpado são os atletas que permitem que um sujeito desse apareça nas suas fotos.

    Curtir

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