Escândalo Faz Bem Para A Pele.

Acho que a glória suprema de um jornalista deve ser derrubar o Presidente da República. Qualquer que seja ele. O exercício dessa nobre profissão implica a obrigação de ser independente. A imprensa tem o importante papel de levar ao conhecimento do povo o que está ocorrendo no mundo. Mais do que isso, de desvendar os mistérios e as mazelas que se passam nos bastidores dos poderes constituídos. E torná-las públicas. Entregá-las ao julgamento de seus leitores.

Ser Jornalista no Brasil deve ser ótimo. Ao mesmo tempo em que há, aqui, um grau satisfatório de liberdade de expressão, o que não faltam são escândalos em profusão. Deve ser chatíssimo ser jornalista em Luxemburgo, por exemplo. Lá, os plantões especiais devem cobrir, quando muito, suicídios.

Já ouvi gente dizer que o jornalista fulano de  tal “tem raiva da vida”, já que suas coberturas “são sempre ácidas, críticas”.

Não é nada disso.

Na minha concepção de mero leitor, jornalista bom de ler é aquele que vai sempre além do fato. Que busca saber o que há por trás da notícia oficial que, via de regra, é mentirosa, ou incompleta. O jornalista deve ser inconformado, irriquieto, sarcástico. E dai a confusão que uns e outros fazem, achando que a esse profissional caberia, apenas e tão somente, relatar o óbvio, sem expressar a sua opinião.

Os escândalos são a matéria prima da produção jornalística. Um jornal sem escândalo, principalmente em um País como o nosso, é chatíssimo. Por melhor que algo esteja, sempre há espaço para melhorar. E aos jornalistas lhes cabem, exatamente, ir atrás do que pode ficar melhor. Por isso disse acima que ele deve, sempre, ser um inconformado.

Jornalista sem escândalo para investigar, sem gente para malhar é o mesmo que um médico sem pacientes para cuidar.

Creio que a satisfação maior de um médico seja salvar uma vida. A de um jornalista deve ser investigar e desvendar um escândalo. Descobrir uma rede de corrupção em um procedimento licitatório, pilhar um deputado armando uma tramóia, documentar que o Sarney acobertava seus asseclas com atos secretos no Senado, destrichar os meandros do mensalão devem dar ao jornalista um prazer indescritível. Ao leitor — ao menos no meu caso – é delicioso.

Assim, a coluna de um jornalista deve ser, por definição crítica, atrevida.

Descortinar um escândalo e fazer um político ficar com cara de idiota, gaguejando em frente às câmeras para tentar justificar o injustificável, deve ser o melhor remédio para embelezar a pele de um jornalista.

Muito melhor que os cremes do mar morto.

Categorias olimpismo

11 comentários em “Escândalo Faz Bem Para A Pele.

  1. Sr Alberto

    Leio muito o seu blog. Acompanho as suas denúncias.
    Me abasteço aqui com muitas informações e me alinho mesmo com alguns posicionamentos críticos, por mais que eu ache que por vezes o denuncismo puro e o gosto pelo insulto lhe fazem perder qualidade.

    Mas este post foi completamente fora de propósito. Não está a sua altura, tampouco à de seu avô a quem o senhor sempre invoca.

    Este pequneo texto é paupérrimo e eivado de um preconceito inaceitável em quem faz do olimpismo a sua bandeira.

    Parece que de tanto acompanhar pessoas e procedimentos vis e ignóbeis o senhor se tornou ciente de que isto é a “nata” a ser veiculado por um jornalista.

    Não sou um jornalista, mas pretendo em breve ser. Hoje sou oficial do Exército, como foi seu avô. Por acaso hoje ocupo o mesmo posto.

    Se algum dia aquilo que o senhor escreveu aqui for a menor expressão da verdade acerca do jornalismo, eu juro que o tratarei (o jornalismo) com o mesmo desprezo que trato os denunciados pelos escândalos.

    A comparação com Luxemburgo foi péssima. Como se precisássemos de escândalos para que a vida tenha graça.

    Tenho absoluta certeza que o senhor escreveu isto acompanhado de uma cólera tamanha que o impediu de enxergar a envergadura da impropriedade do texto. Uma verdadeira asneira.

    O cerne da sociedade é de pessoas de bem. Esta é a regra.

    Quando nos curvarmos aos que, por ora, ditam os rumos tanto da política, quanto do esporte, e considerarmos que o extâse de um profissional é revelar nu o rei, automaticamente condenaremos toda a realeza a uma eterna imagem indigna inclusive de seus súditos.

    Por favor, prossiga o seu trabalho de denúncia, que faz bem, e de promoção do olimpismo.

    Mas esqueça que um dia disse que o papel maior do jornalismo é revelar escândalos. O senhor pode conseguir um efeito nefasto e deletério de obrigar jornalistas a inventarem escândalos e compulsoriamente os leitores a acreditar neles e por conseguinte julgar os enolvidos.

    Existem tantos excepcionais jornalistas e tantas vertentes do jornalismo; que o jornalismo investigativo, apesar do lugar de destaque que merece, jamais pode ser considerado o “crême de la crême”.

    Perdão pela acidez do texto e das palavras.

    Se quiser continuar este debate, estou à sua inteira disposição em augustocoelho74@gmail.com

    Do seu leitor e admirador

    Augusto Souza Coelho

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  2. Prezado Dr. Murray,
    Creio que faz sentido o comentário do Augusto. Talvez, mais do que revelar escândalos, o papel do jornalista seja o de procurar a verdade. Se houver um escândalo encoberto, vamos a fundo. Se não desaguar em escândalo, pelo menos fidelidade ao fato no maior grau possível. Como relata Geneton Moraes Neto, numa entrevista ele sempre faz a pergunta sugerida por um editor inglês: “”Por que será que estes bastardos estão mentindo para mim? O que eles estão escondendo?”.
    Entendo que a imprensa passa por uma crise de espaço ao contrário. Existe muito espaço. E por isso boa parte dos jornalistas acaba sendo preguiçoso e fazendo manchete de qualquer fato corriqueiro.
    Ler portais de notícias e alguns telejornais é uma verdadeira tortura à inteligência. Não existe praticamente nada ali.
    Aproveitando, sem fugir muito do assunto, gostaria de lhe perguntar sobre o livro de Vyv Simson e Andrew Jennings, “Os Senhores dos Anéis”. Não consigo encontrá-lo. O senhor teria como me informar a melhor forma de adquirí-lo?
    Forte abraço, parabéns pelo trabalho.
    Luiz

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  3. Nilson Duarte Monteiro agosto 15, 2010 — 7:40 am

    Augusto e Luiz,

    Eu penso que o Alberto com o seu texto quis cutucar os jornalistas brasileiros a irem mais fundo no submundo do esporte, da política, etc.

    Eu penso que o jornalismo brasileiro está um pouco acomodado. Como a nossa república, ainda, é a das bananas, o jornalismo brasileiro, ainda, tem medo de aparecer outro Chaves por aqui.

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  4. Nilson Duarte Monteiro agosto 15, 2010 — 7:42 am

    Luiz,

    O livro “Senhores dos Aneis” do Andrew só é encontrado em sebos. Eu tenho, podemos conversar via e-mail? nilsondm@uol.com.br

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  5. Ok Nilson, obrigado por seu aparte!

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  6. Obrigado pelo debate Luiz

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