Problemas Pessoais De Interesses Difusos.

A turma do Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”), os subalternos, estão bem treinados. Se alguém questioná-los sobre qualquer denúncia que tenha partido de mim, a resposta vem na lata: “Ah, é de um indivíduo que tem probemas pessoais com a gente.” E coitada dessa gente se não, ao menos publicamente, rezar pela cartilha do deus. Se deus, como intramuros é chamado o Pajé Olímpico, estiver de mau humor, sai de baixo. Ele sacode a cabeça, pisca freneticamente, sacode a cabeça de um lado para o outro, dá uma olhadela do espelho, arruma aquele prendedor de gravatas cafona e cospe em que estiver na frente. Esse deus é de meia tigela. No outro extremo,  há pessoas tão imponentes, carismáticas, cuja própria presença física  faz qualquer um de nós sentir frio na barriga e das quais mantemos, mesmo sem querer, uma distância regulamentar. São, como regra, gente afável, respeitadas por sua autoridade moral e não por seu autoritatismo. O Brasil tem vários bons exemplos desses. O Dr. Ulyses Guimarães era uma figura assim; o senhor Diretas.

Voltando à patota do COB, a eles não resta outra opção que não tentar desqualificar-me, uma vez que argumentos para contradizer-me, eles definitivamente não têm. Tanto tal é assim, que o presidente sempre fugiu de mim em todos os debates que gente séria tentou promover entre nós. A situação mais vejatória para ele foi quando, muito agitado, escafedeu-se no Senado da República, cometendo uma indelicadeza não comigo, mas com o Senadores. O patético gestou foi muito bem retratado no brilhante programa da ESPN Brasil, “Brasil Olímpico 2 – Uma Canidatura Passada A Limpo”. Nuzman também já fugiu de Juca Kfouri na Unicamp. Ele foge sempre que é apertado. De Movimento Olímpico, em seu sentido histórico filosófico ele não tem a menor idéia do que seja.

De fato são poucos os que têm coragem de dizer o que está errado, enfiar o dedo na ferida e expremê-la até sangrar. O sujeito pode ser simplesmente acomondado, depender do dinheiro deles, ou ter medo de retaliações. Eu não tenho receio daquela trupe. Digo e escrevo o que penso, critico, exponho minhas sugestões. Nuzman sim, sempre teve um medo bobo de mim. Enquanto ele sabe que pode controlar talvez a maioria dos dirigentes esportivos, a mim ele tem certeza de que isso seria impossível. Ele sabe da minha estirpe, retidão, que sou absolutamente incorruptível e, mais ainda, como disse-me André Richer, carrego no meu DNA “a herança genética do manto sagrado”. Aliás, quando Richer disse-me  isso, referia-se exatamente a Carlos Nuzman, para expressar o medo que eu metia nele. Admiro muito aqueles que não se curvam ao poder escabroso. Há vários exemplos no jornalismo do Brasil de gente muito legal que não deixa a peteca cair. Leia-se o que escrevem, para ficar somente na área dos esportes, Juca Kfouri, Antero Greco, José Trajano, José Cruz, Eduardo Ohata, Mariana Lajolo, Bruno Rangel, Afonso Morais, Marcelo Damato, Marcelo Laguna, Paulinho, citando apenas alguns exemplos de quem cobre o Olimpismo. Há muitos outros, cujo perdão peço que me concedam pela ausência nesta relação. Será que todos eles têm problemas pessoais com o COB? Eu já prometi aqui um picolé de tangerina a quem achar um único jornalista com credibilidade que elogie Carlos Nuzman; unzinho só.

Pois bem, eu tenho, sim, problemas pessoais com Carlos Nuzman. Só que eles têm interesses difusos. Minhas pinimbas pessoais incluem, mas não se limitam ao fato de o COB:

– receber dinheiro público e tratar o COB como se fosse a cozinha da casa dele;

– deixar de prestar contas ao povo de como aplica o dinheiro que recebe do governo;

– gastar dinheiro da população de forma indevida, com festas megalômanas, presentinhos a visitantes estrangeiros e salamaleques desnecessários ao membros do Comitê Internacional Olímpico;

– gastar mais da metade do orçamento do COB com verbas de administração, em detrimento dos interesses das Confderações, da Federações, dos Clubes formadores e, sobretudo, dos Atletas;

– blindar o estatuto social de forma que impeça que qualquer do povo possa candidatar-se aos cargos de presidente e vice do COB, fazendo vigorar o escánio que é o artigo 26;

– atuar nos bastidores do Congresso Nacional, indo de sala em sala, de parlamentar em parlamentar, pedindo para não apoiarem a CPMI Olímpica;

– desrespeitar o artigo 4 do Decreto que regulamenta a Lei Piva, que manda com que a contratação das obras, serviços e tudo mais seja publicamente licitado;

– ter uma agência de viagens para intermiar compras de passagens aéreas, reservas de hotéis e outros, deixando que essa agência ganhe comissões gigantescas sobre tais serviços. O COB prescinde de uma agência de viagens. Pior ainda quando obriga outras Confederações a usar tal mesma agência, a Tamoyo Turismo Ltda. E mais grave quando a sócia majoritária da Tamoyo é amiga íntima do casal Nuzman, o que dá um cheiro de conflito de interesses. E fosse eu o presidente do COB, nenhum amigo, ou parente sequer participaria de qualquer licitação. São motivos óbvios;

– usar a AON  como corretora de seguros, enquanto um dos Diretores do COB é, ou era, ao mesmo tempo, Diretor da mesma AON. Outro evidente conflito de interesses. As coisas não acontecem à toa;

–  ter uma folha de pagamentos altíssima, desnecessária, enquanto esse dinheiro poderia ir para as Confederações que não têm patrocínios, que o COB chama de “nanicas”;

–  não divulgar ao público os contratos que assina com terceiros, deixando de dar transparência aos termos e condições, sobretudo valores, que envolvem grana do povo;

– não ter um programa claro de desenvolvimento do esporte a longo prazo, que realmente reflita, futuramente, em uma melhora de nossos resultados Olímpicos;

– repassar mais dinheiro justamente às Confederações mais ricas, enquanto as mais pobres, que não têm patrocínios, ficam com muito pouco. Os ricos do esporte cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Assim o panorama geral do esporte no Brasil não mudará nunca, apesar da situação nababesca que desfruta o COB;

– não explicar o superfaturamento de 1.000% (hum mil por cento) das contas do Pan Americano, ainda sub judice no TCU. Isso mesmo, 1.000% e, ao menos por enquanto, não há ninguém preso;

– pela absoluta falta de legado popular do dinheiro gasto com os Jogos Pan Americanos;

– pela falta de preocupação com o esporte de base, o esporte para todos, o esporte para o pobres, uma vez que o COB não tem um só projeto de massificação do esporte e do olimpismo por todo País;

– por tentar cercear o livre pensamento acadêmico, como ditadores de opereta, prestando-se ao papel ridículo de tentar calar a boca da Professora Katia Rubio, da Universidade de São Paulo, que reagiu à altura e fez o COB sair com o rabicó entre as pernas;

– por ter criado uma Comissão de Atletas absolutamente “desfrutável”, sem função executiva alguma. Ou ela influenciou em algo na vida do esporte Olímpico do Brasil?;

–  por usar artifícios duvidosos na campanha do Pan Americano para cabalar votos, o que seja, pagar vestimento completo e, em alguns casos, fretameto de vôos de delegações estrangeiras para virem competir no Rio de Janeiro, enquanto vários de nossos pobres Atletas não têm condições de se sustentar;

– por fazer lobby no Congreso Nacional contra a lei que estabelece o limite de reeleições para os órgãos dirigentes do esporte brasileiro, em nítida “advocacia em causa própria”. Até o CIO já limitou os seus próprios mandatos;

– por não explicar ao povo como foram utlizados os recusos públios usados na campanha Rio 2.016. Tanto é assim que o Ministério Público Federal instrou um Inquérito Civil para averiguar esse fato;

– por realizar eleições ilegítimas, imorais, para usar os mesmo termos da imprensa e de alguns próprios presidentes de Confederações; e

– por um montão de outras coisa.

É verdade. Eu tenho uma implicância incompreensível com o COB. Não entendo porque.

Alberto Murray Neto

Categorias olimpismo

3 comentários em “Problemas Pessoais De Interesses Difusos.

  1. Ana Elisa de Magalhães Padilha Pupo Netto julho 21, 2010 — 11:29 am

    Alberto,

    Vc sabe q sempre acompanhei de perto, mas quieta, o que está acontecendo no COB. Mas acompanho, na qualidade da mais velha dos netos (nascí em 1947) do VOVÔ PADILHA, tudo o q acontece e aconteceu no COB, COI, ODEPA e afins. Meu avô ainda corria quando eu nascí e seu record Sul-Americano levou 20 anos para ser batido…
    Sylvio de Magalhães Padilha foi, antes de tudo um idealista que não aceitava esporte profissional por acreditar que conspurcava o princípio básico, acabou vencido por este mal que assola o mundo LOBBY.
    Atleta ímpar, sólido, honesto respeitado pelos verdadeiros atletas e amantes do esporte, recebido com honras de Chefe-de-Estado por onde passava – não só pela posição que ocupava, e sim pelo respeito e amizade que soube angariar. Mas era o meu VÔ, simplesmente, piadista e brincalhão! Qual não foi a minha dor quando o seo Nuzman (jogador volley, não entrarei em detalhes), desejando a posição de Presidente do COB, em sua campanha estampa na primeira página da Folha de São Paulo uma foto do Vô Padilha, de sobretudo, em Moscou, com o título em letras garrafais “VAI PRÁ CASA PADILHA”…pena, não surtiu efeito, não é verdade?
    André Richer (do remo, cujo companheiro foi assassinado, sabemos por quem, no PAN de Chicago) deve se lembrar bem de mim – lá se vai uma vida, né?
    “Bater” em quem batalha por um esporte limpo, que tire os menores da rua e lhes dê uma luz no fim do tunel – só pq é o Alberto – me parece temor de algum fantasma, que ainda assombra alguns: SYLVIO DE MAHALHÃES pADILHA – a ponto de, no site do COB, mal se fazer menção a ele…
    Com isso, perde o esporte brasileiro e perde o futuro do nosso país: os jovens!

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  2. Acho que é o contrario. Ele tem problemas pessoais com a familia. Mandar tapar o nome do ex presidente em um quadro na parede nem precisa do F para explicar.

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  3. Apesar da sua arrogância ao responder uma brincadeira que fiz aqui no blog, tenho que parabeniza-lo pelos serviços prestados a sociedade brasileira.

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