Jogar Em País De Ditador, Não!

Eu não concordo quando a seleção de futebol do Brasil faz amistosos com Países como o Zimbábue. Não me refiro à utilidade técnica do jogo.  O que me causa repulsa é levar a seleção mais badalada do mundo para alegrar festas promovidas por ditadores sanguinários, tipo esse Robert Gabriel Mugabe. Por mais que o Itamaraty afirme que o jogo não se trata de uma questão de Estado (e não é mesmo), não restam dúvidas de que um jogo como esse dá azo  aos ditadores para propagandearem os seus governos tiranos e corruptos. Ora bolas, mas o Movimento Olímpico não diz que política e esporte não se misturam? Sim, diz isso e eu apoio. Mas os conceitos não podem ser confundidos. Não misturar política com esporte é, por exemplo, não deixar que governos (seja o próprio, ou de outros Países) interfiram nas diretrizes do Comitê Olímpico, das Confederações. Estas entidades devem manter sua independência. Um exemplo disso foi o ocorrido em 1.980, quando os Estados Unidos pressionaram o mundo ocidental para boicotar os Jogos Olímpicos de Moscou. Vários Comitês Olímpicos marcaram sua posição firme e rejeitaram qualquer espécie de boicote, mostrando sua independência, dentre eles, o Comitê Olímpico Brasileiro. Outra coisa bem diferente é levar uma equipe esportiva para fazer festa politicamente utilizada por déspotas. Mas o povo deste País não tem o direito de ver a seleção brasileira de futebol de perto? Tem, sim. Só que cabe à CBF, no caso do Zimbábue, por exemplo, ter a consciência dos efeitos nefastos que prestigiar um ditador podem causar àquele mesmo povo. A CBF deveria declarar aos quatro ventos que não joga em País em que os direitos humanos são desrespeitados. E que se dane o patrocinador. Assim seria bem mais fácil que aquele povo oprimido se rebelasse contra seu governo, exigindo a democracia. Na década de 70 a antiga Rodésia promovia a política do apartheid. Sylvio de Magalhães Padilha, Vice Presidente do Comitê Olímpico Internacional (“COI”), propôs a exclusão da Rodésia do Movimento Olímpico pela prática do racismo. Presidiu a Comissão de Inquete sobre a Rodésia e fez aprovar, no Plenário do COI, a explusão daquele País do Movimento Olímpico (quem quiser saber da história toda veja no www.sylviodemagalhaespadilha.com.br). Isso foi o ponto de partida para que a África do Sul e demais Países racistas seguissem o mesmo caminho da Rodésia. Hoje em dia os dirigentes só querem saber de ganhar dinheiro. Se o patrocinador mandou ir, eles vão. E não estão nem aí para os direitos dos homens e mulheres.

Categorias olimpismo

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