A Chuva de Críticas.

Tem gente que não tem o senso do ridículo.

Choveu muito no Rio de Janeiro. A exemplo do que ocorre com a maioria das capitais brasileiras, a cidade carioca mostrou que não está preparada para suportar essas intempéries.

Culpa da natureza? Um pouco. Culpa das pessoas? Bastante.

Entra ano, sai ano e cada vez que despencam sobre o Brasil essas trombas d’água, as consequências são as mesmas. Ruas alagadas, estado de calamidade pública, pessoas mortas, feridas, almas partidas.

Nos casos do Rio de Janeiro e São Paulo, nossas duas maiores metrópoles, tenho a impressão de que tudo o que os governantes fazem é rezar para que não chova muito. Após tantos anos, não vemos algum mandatário que tenha enfrentado o problema e tomado providências para que, senão resolver, minimizar os efeitos das chuvas. É claro que a engenharia moderna oferece soluções para isso.

Evidente que ao ver o estado calamitoso do Rio de Janeiro, todos questionaram se a cidade estaria mesmo preparada para receber a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

Curiosa foi a resposta de Carlos Arthur Nuzman. Afirmou o nosso pagé olímpico que os Jogos estão programados para um período sem chuvas. E que o Comitê Internacional Olímpico (“CIO”) teria gostado das providências que a Cidade teria tomado para superar as inundações. Que providências? O prefeito Eduardo Paes pedir para as pessoas não saírem de casa é algo para ser aplaudido? Genial a solução encontrada pelo alcaide.

Nuzman não parece estar preocupado com a infraestrura da cidade. Apenas está cruzando seus dedinhos, desde já, para que durante os Jogos, em 2.016, não caia um único pingo d’água. E dizer que o CIO ficou contente com as medidas tomadas pela prefeitura é tentar encaixar nos nossos narizes aquela bolinha vermelha que os palhaços usam em suas apresentações.

Não entendo porque as pessoas precisam ser artificiais, falar bobagens, embonecar-se, esforçar-se para fazer parecer que nada de errado aconteceu no Rio de Janeiro, que o CIO está feliz com tudo isso.

Deveria o cartola ter unido-se ao desespero dos desabrigados e utilizar sua posição olímpica para exigir das autoridades uma solução para isso. Ele teria legitimidade para fazê-lo, pois afinal ao Rio foi dada a solene incumbência de organizar o maior evento esportivo do planeta. Contudo, para defender os interesses do povo, dos Atletas e indispor-se com o governador e com o prefeito, tem que se ter muita coragem. Há de se ter independência.

Em vez disso, acaba dando declarações bobas, que lhe fazem cair sobre sua cabeça uma chuva de críticas, como todas que ouvi hoje.

Nuzman conseguiu ser, novamente, mais uma unanimidade na crônica esportiva brasileira.

Alberto Murray Neto.

http://www.ESPN.com.br/albertomurrayneto

Categorias olimpismo

4 comentários em “A Chuva de Críticas.

  1. Nilson Duarte Monteiro abril 7, 2010 — 11:21 am

    Olá Alberto,

    Eu penso que o Nuzman está ficando ou já está senil. Cada vez que ele abre a boca sai besteira.

    Curtir

  2. Caro Alberto,

    realmente, a posição do Nuzman é sempre fantasiosa. Parece viver em outro planeta.

    Os problemas de infraestrutura no Rio são enormes e não falo pelas chuvas desses dois dias. Não é possível julgar a cidade por isso, pois a quantidade de água que caiu foi inacreditável. Choveu em 2 dias o equivalente a 4 meses. Nenhuma cidade do mundo está e jamais estará preparada para isso (claro que, se as autoridades tivessem tomado atitudes nos últimos 40 anos, o caos seria menor e talvez não houvesse mortes, mas a cidade pararia de qualquer forma).

    Os meteorologistas disseram que a chuva do primeiro dia daria para encher 300 mil piscinas olímpicas. Ou seja, para estarmos preparados, precisaríamos de 300 mil piscinas olímpicas construídas abaixo da cidade para segurar esta água e depois escoá-la (e a maré estava alta, dificultando o escoamento). Ora, se nem conseguimos construir uma piscina olímpica decente (vide o Maria Lenk), quiçá 300 mil.

    De qualquer forma, se chover muito menos, a cidade já sofre.

    Mas voltando à infra, o Rio tem sofrido diariamente, em praticamente todos os bairros (não há discriminação entre ricos e pobres), quedas no fornecimento de energia elétrica (Light), falta d’água (em parte por falta da energia elétrica, em parte por culpa da Cedae), além de transtornos com metrô (piorou muito depois da nova ligação) e trens.

    Além disso, a cidade sabidamente não tem como escoar o trânsito. As principais vias não têm saídas alternativas. Se você pára ali, fica parado e pronto.

    Enfim, a chuva recente não apresentou, por si só, os problemas de infra, mas vários outros problemas diários mostram, e muito.

    Abraços,

    Nagato

    Curtir

  3. Acho que agora entendi pq o COB quer usar o Mundial
    de Esportos Aquáticos, como já diz o nome, como
    evento-teste para o Rio 2016:

    A “infra-estrutura” montada pelo dilúvio no Rio !

    Curtir

  4. Rômulo Sardinha abril 8, 2010 — 1:48 am

    Caro Alberto Murray,

    Pensei que não leria nada sobre isso em seu blog.
    Realmente nem fiquei surpreso com a resposta do presidente “Mula” (posso escrever assim?) e do senhor feudal Nuzman. Dizer o que? Que a cidade tem vários problemas? Isso com certeza seria assinar seus atestados de incompetência. Mais triste ainda é ler hoje (07/04/10), no “Lance”, o que disse o ex-prefeito e pré candidato a senador César Maia. Ele perguntou ironicamente onde estavam investidos os cem milhões de reais no Maracanzinho. Ora, se ele não era o responsável por fiscalizar onde o dinheiro de sua cidade estava indo. Mas, que é lastimável você ver o ginásio daquele jeito com o investimento que foi feito, é. Lembro aos que esquecem que nos meses de junho e julho chove-se pouco no Rio de Janeiro. Mas, eis que em 2007 choveu quase durante todos os dias do Pan. E em que data foi realizada o Pan? Em julho. Ou seja, chuvas anormais. E que quem realiza um evento desse porte tem de estar preparado para tudo. Lembro-me bem de que o Softbol não teve final, porque o campo ficou péssimo por causa da chuva. E o baseball, na Cidade do Rock, na qual vários jogos foram adiados porque o campo ficou um lamaçal só. E o atletismo que foi disputado à maior parte com chuva intensa. Enfim, do jeito que está o chamado aquecimento global, pode chover a qualquer momento. E dizer que não chove no mês em que os Jogos Olímpicos serão realizados é bravata. Citei exemplos aí em cima. É importante deixar tudo pronto antes e testado para que não ocorram problemas. Imagina se o Maracanazinho fica cheio de água na final olímpica do vôlei? Iriam culpar Deus, São Pedro, Zeus… e depois iriam dizer que foi um sucesso os Jogos. Cinismo é genético no Brasil? Se for…
    Afinal, recordar é viver…

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close