O Aviltante Acúmulo De Cargos E A Transparência Olímpica.

Se as regras não forem drasticamentes alteradas, em três anos Carlos Nuzman estará fora do Comitê Internacional Olímpico (“CIO”). Ao completar 70 anos, ele será obrigado, pela Carta Olímpica, a deixar a entidade. Ele terá cumprido seu papel naquela organização e deverá conformar-se que será chegada a hora de abrir espaço para gente mais nova. Isso é parte do processo natural da vida. Não é correto Carlos Nuzman tentar alterar os estatutos do CIO para, casuísticamente, manter-se apegado ao cargo assim como as ostras e os mariscos grudam nas rochas.

Assim, pela legalidade, nos Jogos Olímpicos de 2.016, Nuzman não será mais membro do CIO.

Ainda há a possibilidade de que em 2.008, a despeito da vitória da candidatura olímpica carioca, surja uma chapa de oposição para enfrentar Nuzman nas urnas das eleições do Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”). É inegável que existe na Assembléia Geral do COB uma insatisfação recôndita por parte das Confederações consideradas “menores”, com relação aos critérios de distribuição do dinheiro da Lei Piva. Poucas Confederações recebem a grande parcela dos repasses de verbas. Outra grande porção fica no próprio COB, para cobrir sua vasta burocracia e altissima e desnecessária  folha de pagamentos. E a maioria das Confederações não recebe aquilo que deveriam para fomentar suas respectivas modalidades. Essa insatisfação, se bem trabalhada, poderá, sim, ensejar uma candidatura vitoriosa de oposoção ao status quo, arrogante. Portanto, pode até ser que em 2.016 Nuzman nem mais esteja à frente do COB. É uma possibilidade que, embora possa parecer remota, não é impossível. Vai depender da competência de articulação dos desgostosos. E que ninguém seja seduzido por benesses da vida fácil.

O fato é que Nuzman quer ser o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Isso não é uma tradição do mundo Olímpico. Muito pelo contrário, nos Países democráticos, o presidente do Comitê Olímpico nacional não acumula o cargo de presidente do Comitê Organizador dos Jogos. Essa função cabe ao Prefeito da Cidade, ou a um empresário. Já há no seio do Governo Federal um sentimento de que Nuzman não deveria acumular a presidência do COB com a de presidente do Comitê Organizador do Jogos. E se o Governo realmente quiser, Nuzman não irá acumular ambos os cargos. Quem vai pagar a conta é o Governo Federal. E é natural que queira a presidência do Comitê Organizador para alguém de sua confiança.

Ter a mesma pessoa nos dois cargos dificulta sobremaneirta que a necessária transparência no manuseio do dinheiro público requer.

Se o Governo quiser evitar que com as Olimpíadas ocorram os mesmos desmandos que houve nos Jogos Pan Americanos, cujos diversos processos estão, hoje, tramitando no Tribunal de Contas da União e no Ministério Público Federal, é premente que a presidência do Comitê Organizador esteja em mãos diferentes do atual presidente do COB.

É assim que ocorre nas potências olímpicas.

Categorias olimpismo

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