Pela Democratização Da Academia Olímpica Brasileira.

Já manifestei-me que discordo da forma como a Academia Olímpica Brasileira (“AOB”) foi criada. Tudo amarrado à mão forte do Comitê Olímpico Brasileiro (“COB”). O presidente e o vice da AOB são indicados pelo presidente do COB, controlados por eles. Isso tira a liberdade de expressar livremente as suas idéias. Imaginem o que ocorreria com a AOB se fosse ali produzido um documento contrário à realização dos Jogos Olímpicos no Brasil. Ou criticando a falta de legado para o Pan Americano. Qualquer Academia, por definição, deve agir com liberdade de pensamento.

A AOB é formada por gente de alta qualidade. Estive lá em 1.994, em Olympia, na Grécia. É uma experiência enriquecedora. Recentemente, em uma palestra na FMU, em São Paulo, dividi um painel com o Professor Lamartine Pereira da Costa. O tema da nossa exposição era os Jogos Olímpicos de Pequin e a candidatura carioca. Redundante dizer o brilhantismo com que o Professor Lamartine abordou o tema. Ele estampou no telão uma fotografia muito significativa, em que mostrava os organizadores dos Jogos de 2.008, sentados em uma mesa, discutindo a organização olímpica, juntamente com Acadêmicos daquele País. A mensagem foi clara, objetiva, direta: Os Acadêmicos Olímpicos do Brasil não são ouvidos pelo Comitê Olímpico Brasileiro. E eu vou além. Não recebem o apoio que deveriam.

Fosse eu o responsável pelo Comitê Olímpico Brasileiro, começaria por alterar os estatutos da AOB. Faria eleições diretas. Os seus próprios membros elegeriam sua diretoria. Acabaria com a era do dedo poderoso do COB apontando a figura do presidente, do vice e de qualquer outro membro da diretoria.

Destinaria recursos da Lei Piva para desenvolvimento de estudos acadêmicos na área olímpica, fazendo com que fossem divulgados em todo o Brasil. Atualmente os recursos que o COB repassa para ações da AOB são asbolutamente irrelevantes.

Daria apoio democrático à publicações e pesquisas diversas. Hoje, o COB só apoia publicações de quem lhe é simpático. Não aprofunda a discussão. O COB não publica, por exemplo, as obras da Professora Katia Rúbio.

Acho, também, que um membro da AOB, escolhido por seus próprios pares, deveria ter assento na Assembléia Geral do COB. E, mais ainda, em seu Conselho Diretor.

Ocorre que as Academias são centros de pensadores, dos quais os ditatores normalmente têm medo. O meio Acadêmico sempre foi um celeiro de gente disposta discutir, a propor novas idéias, de contestação.  É claro que o COB tem receio de ter uma AOB livre para pensar.

Quando afirmo que o Brasil precisa ter uma mentalidade olímpica, isso não quer dizer, apenas, que deveríamos ter um projeto social de esporte para todos. Mas, igualmente, disseminar a filosofia olímpica, como opção de vida, na nossa sociedade. E a AOB teria papel fundamental nesse processo de educaçäo Olímpica.

Enquanto não houver mudanças profundas na forma em que o COB vê a AOB, ela nunca terá possibilidades de contribuir como poderia – e deveria – para o desenvolvimento educacional da nação.

Essa é a minha proposta.

Categorias olimpismo

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