Minha Conversa Com O Jornalista Lennon Jorge, Do Jornal Em Tempo, de Manaus.

MURRAY: UMA AMEAÇA NUZMAN

Ex-membro do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), impugna a candidatura do Rio de Janeiro às Olimpíadas de 2016 e recorre ao Comitê Internacional (COI)

 

Lennon Jorge

Equipe do EM TEMPO

 

Membro do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) por 12 anos (1996-2008), o advogado Alberto Murray Neto admite que sempre assumiu uma postura crítica diante das ações do órgão. Inconformado com as atividades avaliadas por ele, como ilícitas, lidera um movimento nacional pela transparência do esporte e defende a instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investigue os gastos e a aplicação de verbas. Além disso, está no meio de quem apóia a polêmica decisão de impugnar a candidatura do Rio de Janeiro as Olimpíadas de 2016. Muito mais que um mero esquerdista, o EM TEMPO apresenta a seguir o homem que representa, hoje, a maior ameaça ao império estabelecido pelo presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman.

Por telefone, o advogado, recém-chegado de uma viagem internacional, avalia como boicote a saída dele do COB e aponta como motivo, a ordem estabelecida durante a gestão de Nuzman. “Podemos tirar pelas últimas eleições das quais fui sacado. Foi tudo feito às escuras, sem anúncio em tevê, revista ou jornal”, afirmou. Segundo ele, o grande problema da entidade é a ausência de espaço para oposição. “Ele (Nuzman) não admite, mas é um regime ditatorial. Não há como fomentar qualquer discussão dessa forma”, desabafou.

Murray assinala, como um capítulo à parte, o manejo de verbas e de incentivos financeiros provenientes do Ministério do Esporte. O ex-dirigente denuncia que é uma quantia mal aplicada, devido a aplicação da maior parte em fins burocráticos. “Digo isso, porque é uma folha de pagamento altíssima, com custo de equipamentos, empregos temporários e construção e reforma de instalações na sede. São todos gastos feitos para a própria manutenção”, disse.  Nesse ponto, Alberto enfatiza que o problema não está no fato de o Comitê ter, ou não, gastos exorbitantes, mas na forma como são divulgados. “É uma instituição que recebe milhões de reais em dinheiro público. Não há como comparar com a CBF, porque o COB é quase estatal”, comentou.

De acordo com ele, o Comitê Nacional não consegue patrocínio privado por incompetência dos administradores. “Em outros países, a disponibilidade de empresas dispostas a patrocinar é muito grande. Aqui, foram 42 milhões de dólares só no Pan, uma quantia que poderia ser empregada em projetos sociais. Não acha que o povo deveria usufruir dessas obras?”, indagou. É justamente o Pan-Americano, o maior exemplo citado por Murray, como a prova clara de que o Rio não pode abrigar um evento como as Olimpíadas. “Isso se vê pelo estado de abandono do Parque Aquático Maria Lenk e da Vila Olímpica. O Engenhão, ninguém quis e só ficou com o Botafogo, porque mais da metade das despesas estão sob responsabilidade do governo”, justificou. Ele ainda ironiza e fala que o prejuízo estimado durante a realização do evento poderia ter sido empregado na total despoluição da Bacia de Guanabara.

De um modo geral, a candidatura da cidade carioca é condenada por Murray, pelo fato de o Brasil não se enquadrar ou atender a quaisquer exigências do COI. “Não temos capacidade de sediar porque, antes de sermos campeões do esporte, precisamos ser da saúde, da educação e da política”, explanou. “Esforço não dá credibilidade a nenhum país subdesenvolvido e eleger uma nação de terceiro mundo como capital olímpica é fazer o caminho inverso”, concluiu. Para tanto, Alberto confirmou que tem enviado, em média, sete relatórios semanais ao presidente do COI, Jacques Rogge, nos quais depõe contra as pretensões cariocas.

 

Olho: Murray esclarece que a realização de uma Copa do Mundo é muito diferente de uma Olimpíada. A primeira é possível no Brasil, por conta da divisão de gastos por vários estados

 

Coordenada: Copa 2014, Lei Agnelo Piva e CPMI

 

Ao comparar Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, Alberto os trata como eventos de dispêndio financeiro infinitamente diferentes. O ex-membro do COB ressalta que, no caso do evento de futebol, as vantagens saem mais em conta devido à distribuição de sedes ao longo de um país. “São cerca de 4 a 5 cidades, ou, no exemplo do Brasil, 10 a 12. Cada uma acaba garantindo seu próprio auxílio financeiro”, afirmou. “Agora, no caso de uma Olimpíada, por mais que haja um incentivo federal, o município tem que arcar com certa autonomia, da qual o Rio não dispõe”, revelou. Devido a isso, ele desaprova a mudança proposta pelo COB na lei Agnelo-Piva, cujo objetivo era destinar 50% do valor para despesas administrativas. “Segundo ela, 2% do faturamento com loterias esportivas seriam destinados ao esporte brasileiro e fui convocado pelo Comissão de Educação Cultura e Esporte do Senado, no final do ano passado, para contrapor a versão do Nuzman”, disse.

A instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no COB não foi proposta por Alberto, mas ele a aprova incondicionalmente, por representar um enorme passo rumo à efetiva profissionalização do esporte nacional. “Fui a Justiça Federal apoiar, mas não fui eu quem a criou. Eles usam como argumento, o fato de que um processo como esse poderia vir a ferir a candidatura do Rio, mas estão errados. A candidatura não existe, pois as ações do COB são todas irregulares”, declarou. Segundo Murray, o número limite de assinaturas para aprovação do processo foi alcançado e resta apenas a aprovação da Justiça Federal.

 

Coordenada: E o que COB tem a dizer?

 

Nada. Segundo a assessoria de imprensa do COB, a política interna da instituição aprovou como melhor escolha não responder as críticas do ex-membro. Nas palavras de Cláudio Mota, responsável pelo setor de comunicação, Murray fazia parte da gestão até novembro do ano passado e que, na reeleição, não integrara mais a chapa de Carlos Arthur Nuzman. “Essa é a posição do Comitê. Não dizemos que é ignorar, mas não responder mesmo. Afinal, temos total ciência do conteúdo das denúncias”, disse Mota. O assessor acrescentou ainda que nenhuma notificação do COI foi repassada a entidade brasileira, o que tornaria ainda mais difícil, abordar o assunto.

Categorias olimpismo

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