Leiam Minhas Impressões Sobre a Atitude Da Federação Aquática Paulista. E Abaixo Há Um Link Da Carta Que Eu Escrevi Ao Presidente Miguel Carlos Cagnoni Em 05 de Janeiro de 2.009.

Fui demitido da Federação Aquática Paulista (“FAP”). Outro dia lí nos jornais que o técnico da seleção brasileira de polo aquático feminino fora mandado embora por e-mail. Comigo, nem isso ocorreu. Fiquei sabendo ao ler o jornal Aquática Paulista, órgão oficial daquela entidade. Em cinco de janeiro deste ano, escrevi ao Presidente Miguel Carlos Cagnoni, a carta que Vocês podem ler abaixo, na íntegra, clicando no link. No dia 13 de março de 2.009, recebi uma ligação dele. A bem da verdade, embora eu ocupasse o cargo de Secretário Geral, acho que não apareço na Federação faz uns três anos. Eu e o presidente Miguel falavamos, vez por outra, ao telefone, muito raramente. No começo, quando ele precisou, ajudei-o bastante, como voluntário, claro e com enorme prazer. Depois deixei de frequentar a Federação. Nem sei porque o Miguel ainda mantinha meu nome como Diretor. Talvez por amizade, que sempre nutrimos. Talvez porque além da amizade, meu nome, por si só representasse, alguma coisa para ele. Ajudei-o a redigir seu novo estatuto e com uma outra série de coisas que ele me pedia. Fui com ele ao Rio de Janeiro e apresentei-o ao então Presidente do COB, André Gustavo Richer, com quem passou a manter boas relações e sendo por ele atendido, sempre falando em meu nome. (já escrevi aqui que tenho respeito pelo Dr. Richer e que o considero uma pessoa do bem).

Quero deixar absolutamente claro que não tenho, nem nunca tive nada contra o Miguel. Pelo contrário. Sempre gostei dele como pessoa e acho que ele teve bons projetos para os esportes aquáticos de São Paulo. Arejou a Federação. Tanto é assim que, muito honrado, desde o princípio, aceitei o convite de para auxiliá-lo em sua gestão. Tantas vezes o Miguel confidenciou comigo seu desagrado para com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, manifestando desejo de ser ele o presidente daquela entidade, no que sempre o incentivei. Ela era oposição à CBDA. Pedia-me conselhos sobre como fazer uma oposição mais efetiva. Uma vez, no Rio, em um almoço, no saguão do prédio da Bolsa de Valores, o Dr. Coaracy Nunes, na frente de vários outros presidentes de confederações, falou cobras e lagartos sobre o Miguel. Chamou-o até de maluco, desequilibrado. Eu defendi meu amigo e presidente. O tempo passou e o Miguel e o Coaracy acertaram-se. Acho que hoje um deve apoiar o outro. Sempre tive com o Miguel um bom relacionamento e não conheço absolutamente nada que o desabone. Quando meu avô morreu, eu estava na Europa e o Miguel, gentilmente, esteve na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, no velório, levando a sua solidariedade e de toda a comunidade aquática do Estado. Miguel havia dado ao meu avô o título de grande benemérito da Federação Aquática Paulista. A FAP era uma das pouquíssimas Federações do estado que ainda não lhe tinham outorgado esse título. A uma certa altura, quando não havia quem quisesse ser presidente da FAP, um grupo de gente pediu-me que assumisse o cargo. Eu aceitei, muito relutante. Logo em seguida surgiu a candidatura do Miguel, que era diretor de natação do Esporte Clube Pinheiros. Não retirei a candidatura porque acho isso feio. Mas quem acompanhou sabe que não fiz força nenhuma para vencer. Já disse que para ser presidente desses órgãos, tem que ser rico, ou aposentado. Eu não sou nenhuma das duas coisas. Tenho o meu trabalho. Não vivo do esporte. Portanto, não tenho tempo para assumir essas posições. No dia em que o Miguel assumiu a FAP, ele me convidou para trabalhar com ele e eu, satisfeito, porque gostava da pataforma dele e de estar no esporte, aceitei.

Dia 13, sexta-feira passada, finalmente, recebi o retorno do Miguel. Disse ele que havia passado longo tempo nos EUA, razão do retorno tardio. Miguel foi claro e objetivo: “Alberto, eu não tenho pessoalmente nada contra Você. Mas eu faço parte de um sistema que tem um comandante. Se Você começa a brigar com esse comandante, eu não posso ter um diretor na Federação que esteja brigando com ele. Eu fui alertado disso”. Na essência, foi isso. Falamos mais um pouco. A ligação caiu no meio. Eu liguei novamente. Ele se prontificou a conversar comigo pessoalmente, caso eu desejasse, para dizer-se o que ele pensa disso tudo. Mas que não poderia ter na diretoria dele “um diretor contra o sistema”. Pediu que eu compreendesse e me disse que não me comunicara da minha demissão porque eu também não lhe dissera, antes, que iria começar “uma briga pessoal com o Nuzman”. Em primeiro lugar eu não devo pedir permissão a ninguém, ou informar de antemão, quando quiser expressar minhas opiniões. Em segundo lugar, não tenho “briga pessoal com o Nuzman.” Apenas divirjo dos caminhos que ele deu ao olimpismo brasileiro. Minha luta é pelo esporte nacional. E não pessoalmente contra alguém.

Apesar disso tudo, eu entendo o Miguel. E continuo achando-o boa pessoa. Eu entendo que é difícil lutar contra o “sistema”, mesmo achando que ele está errado.Isso não é para qualquer um. É muito mais fácil aderir e participar dele. As pesoas, em sua enorme maioria, são assim. A vida é assim. O mundo é assim.  Eu é que sempre tive essa mania feia de querer questionar esse tal “sistema”. Eu sempre preferi ter luz própria do que viver sob as amarras de um ditador. Por onde passei e por onde vier a passar, vou, sempre, questionar o “sistema”. Acho que eu nasci mesmo para ser “do contra”. Tenho uma enormidade de defeitos. Mas nunca fui covarde, nunca tive medo de gente “poderosa” e sempre fui o primeiro a dar a cara a tapa. Na semana passada um querido Colega de Faculdade me disse que eu sou do tipo “que daria um braço por um Amigo”. Esses Amigo também o é.

Sei que muita gente se aproveita de pessoas assim. Usam-nos para atingir seus objetivos. Ficam na moita esperando a gente bater para tentar derrubar o “sistema”. E depois do assunto resolvido, aderem. Eu não estou nem aí. Faz tempo, perdi a inocência. Sei observar quem é quem. Bem fez o Miguel em me sacar da sua Federação. Na medida em que ele prefere fazer parte do “sistema” e ser “obrigado a respeitá-lo”, eu sou totalmente o oposto. Não faço parte de “sistema”, nem de esquema, nem de coisa nenhuma. Não vivo do esporte, não tenho empresa de marketing esportivo, de promoção de eventos, não preciso do dinheiro do COB, não tenho empresa que vende ingressos, não tenho agência de turismo e nem corretora de seguros. Não tenho interesses comerciais no esporte.

Não que o Miguel, de quem espero continuar amigo, tenha feito algo errado na FAP. Já mencionei que desconheço qualquer ato, ou fato, que o desabone. Ele foi correto ao perceber (embora tardiamente), que em sua diretoria, havia alguém que não aderia ao “sistema”. E não aderiria nem que fosse eu o Presidente. Personalidades distintas, portanto. Apenas indago-me por que ele não me tirou antes, já que nem mesmo na FAP eu ía, ou era chamado para alguma coisa. Apenas meu nome vinha estampado na lista de diretores.

Juro que não estou zangado com ele. E a FAP não me fará nenhuma falta,. assim como nunca me acrescentou nada. Não preciso dela para rigorosamente nada. Como já falei, há uns três anos, acho, que não piso lá. E por essa razão, já deveria ter sido mandado embora há muito tempo, por faltas, ainda que nunca tenha sido convocado para nenhuma assembléia, reunião, ou coisa que o valha. Meu nome ficou lá enquanto foi bom.

Sinceramente, não acho que o Miguel concorde com tudo isso que está aí. Ele apenas não quer ir contra o “sistema”. Acho que ele foi pressionado, muito mais do que alertado, a tirar meu nome da lista de diretores dele. Ficou com receio e atendeu ao “pedido”. Isso me faz concluir três coisas, pelo menos: (a) eu sou mais importante do que achava que era e minhas ações têm feito mais eco do que imaginava; (b) o tal do SNI mambembe do COB existe mesmo e exige cassações, como uma ditadura; e (c) lutar contra ditatura não é mesmo para qualquer um. Tem que ser valente e ter luz própria. Não nasci para borra botas.

Clique aqui para abrir a carta.

Categorias olimpismo

Um comentário em “Leiam Minhas Impressões Sobre a Atitude Da Federação Aquática Paulista. E Abaixo Há Um Link Da Carta Que Eu Escrevi Ao Presidente Miguel Carlos Cagnoni Em 05 de Janeiro de 2.009.

  1. NUNCA OUVI FALAR DESSE TAL DE MIGUEL, MAS É FÁCIL DE PERCEBER QUE É UM TREMENDO BUNDÃO

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