Vejam o Que Mariana Lajolo e Guilherme Roseguini Já Diziam Na Folha De São Paulo em 2.004.

Gastos administrativos das confederações sobem 70% em 2003, mas atletas ganham só 40% a mais em salários
 
Burocracia bate atleta na verba da Lei Piva
 
GUILHERME ROSEGUINI
MARIANA LAJOLO
DA REPORTAGEM LOCAL
 

O ano era decisivo. Torneios classificatórios para a Olimpíada de Atenas, Jogos Pan-Americanos e campeonatos mundiais. Para dar suporte aos atletas, as confederações receberam o montante recorde de R$ 29 milhões, oriundo das loterias federais.
Na temporada 2003, porém, as entidades vinculadas ao Comitê Olímpico Brasileiro despenderam mais recursos da Lei Piva com gastos administrativos do que com salários dos competidores.
Levantamento feito pela Folha mostra que a verba destinada à manutenção das 27 confederações subiu 70% em relação ao mesmo período em 2002.
São despesas com funcionários, aquisição de equipamentos e materiais para escritório.
No ano passado, as confederações consumiram R$ 2,58 milhões nessas atividades. Em 2002, quando receberam R$ 19 milhões da lei, utilizaram R$ 1,51 milhão.
O total ultrapassou o valor que chegou ao bolso dos esportistas. O investimento direto em salário ou ajuda de custo aos atletas também cresceu, mas de maneira bem mais modesta. Foi do R$ 1,72 milhão aplicado em 2002 para R$ 2,43 milhões no ano passado -aumento de 40%.
O caminho do dinheiro está descrito no relatório divulgado pelo Comitê Olímpico Brasileiro no início deste mês.
O investimento no atleta perdeu para as despesas burocráticas pela primeira vez. No ano retrasado, salários de esportistas consumiram R$ 200 mil a mais do que a verba burocrática.
Segundo Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, são as confederações que escolhem o rumo dos repasses que recebem.
“Cada uma tem sua proposta para o desenvolvimento da modalidade, que pode contemplar ou não o auxílio-manutenção aos atletas”, disse o dirigente.
A Lei Piva determina o repasse de verbas das loterias ao esporte, mas não delineia como e em que porcentagem ele deve ser usado.
O texto cita apenas que o montante deve ser utilizado em “projetos de fomento, desenvolvimento e manutenção do desporto, de formação de recursos humanos, de preparação técnica, manutenção de atletas, bem como participação em eventos desportivos”.
Esse tom genérico é justamente o que atrapalha o Tribunal de Contas da União, encarregado de fiscalizar a aplicação do dinheiro.
Segundo o departamento técnico do órgão, não existe jurisprudência para punir confederações que cometam abusos ao concentrar a aplicação em uma só área.
Profissionais que trabalham com auditorias independentes, no entanto, afirmaram que o aumento das despesas administrativas é o ponto que mais precisa ser investigado no relatório do COB.
“Houve um grande aumento no dinheiro da burocracia. Só uma auditoria financeira, contábil e trabalhista pode provar se os gastos eram necessários”, afirmou o advogado Gustavo de Castro.
“É fundamental verificar detalhes como o custo do funcionalismo e o preço dos aluguéis das sedes. Só assim é possível saber como as confederações gastaram o que tinham”, disse o também advogado Fábio Diniz Appendino.
Enquanto o setor administrativo engole mais verba, há esportes em que os atletas não recebem um único centavo, caso do tênis. Em outros, como pólo aquático, a seleção brasileira perdeu três jogadoras só nesta temporada -sem receber salário, elas arrumaram empregos e deixaram o esporte.
A situação destoa daquela desenhada numa tarde de julho de 2001. Na oportunidade, o então presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei Piva, que iria destinar 2% da arrecadação bruta das loterias federais ao esporte olímpico e paraolímpico.
O COB receberia 85% do valor. O comitê paraolímpico gerenciaria os outros 15%. Esfuziante, Nuzman disse que se tratava da “lei de alforria do esporte.”
Para muitos competidores, contudo, a propalada “libertação” que viria com o dinheiro público ainda não aconteceu.
 

Folha de S. Paulo, Folha Esporte, 15/2/2004)

Categorias olimpismo

Um comentário em “Vejam o Que Mariana Lajolo e Guilherme Roseguini Já Diziam Na Folha De São Paulo em 2.004.

  1. Este 15% que o COB repassa para o CPB
    isto vale quanto em dinheiro.
    abraços.

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